quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Acabando-se feito lápis
quem tanto ama,
não deita na cama
a se lamentar
sobre a falta de ter
alguém para cortejar.
Vai para a escrivaninha
e ali se acaba
feito o próprio
lápis que traz
nas mãos,
entre palavras
e interjeições
que serão escritas,
mas nunca
ditas,
nem no pé do ouvido.
Triste o poeta ?
Duvido.
Pois, para quem ama
a poesia e as
palavras...
imaginação
é muito mais
que simples
viagra e uma
longa ereção.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Cadê o trenó com as renas que riscavam o céu ?
Delicadas montanhas
no que há pouco era puro
repouso, apesar de seu
frequente balançar.
E se esse cabelo inconsequente
ousa viajar entre o
vale e os picos...
eu aqui só na imaginação,
como é que fico ?
Me declaro,
me escalo como
alpinista,
mas logo entendo
a ligeira pista.
E assim, de novo me ronda
o medo...
e em vez de encher
as minhas mãos
fico a chupar o dedo...
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Um livro diferente
Para pensar...
por "se", mas por "si", como pede
a exata pronúncia em inglês,
não haveria Serial Killer.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Caution: wet floor
escorregou exatamente ao
fazer o que lhe parecia
mais seguro diante
daquela situação:
ao "passar o rodo" nela.
13º
então ela passou a olhar
para as vitrines cheia de
décimas terceiras intenções.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Doce imaginar
usando Angel e
tive a sensação
Entrelinhas
Deixa transparecer que me quer,
embora sempre me negue.
Mística mágica dúbia
de uma calça legging.
Direito de poeta ?
sofre acidente,
nessas ruas da amargura,
tem direito a receber
o DPVATE ?
Há ais e ais
e se sabe nadar...
ai...
Quando se cai do cais
e não se sabe nadar...
...ai, glub, ai, glub, ai, ai,
glub, glub.
O cais é o mesmo
já os ais... ditos
por descontração
ou por pura
precisão.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sonhar nas alturas
e seus cabelos acariciam seus lindos
peitos, que, por contradição, em vez de
se dobrarem aos carinhos,
mais duros ficam. Como se no cume
daquelas duas montanhas um alpinista
imaginário precisasse de um pouco
de terra firme, no pico, onde
repousar seus pés de sonhador...
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Árdua missão
nesta vida é querer ganhar a atenção
de uma moça bem comida.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Troca
sempre fica com quem ensina
e é nessa troca que a conversa
vira oficina, em que as palavras
são reunidas, escolhidas,
acolhidas ou rechaçadas.
E às vezes uma ideia
dada por perdida
ali é fundida,
transformada e ganha
alma, no calor da
discussão ou no
silêncio de quem
se sente transformado
em plena calma.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Eletrodomésticos
a exemplo de seu refrigerador,
a fim de eliminar o gelo que tanto o distancia
das pessoas. É necessário também que
seu coração seja autolimpante como o forno de
seu fogão para jogar fora, automaticamente,
toda mágoa, frustração, ódio e tristeza.
O importante é descobrir que a vida
tão elétrica, eletrônica e eletrizante
pode ser também prazerosamente doméstica.
Uma questão
Na ponta dos dedos
e de fazermos viagens interestelares
parece que voltamos no tempo
digitando afoitos apenas com
nossos polegares.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
?
for um ponto de exclamação
que se tornou curvo
de tanto apanhar
na forja que reprime
a espontaneidade ?
Diante do balançar da solidão
que existe em nossa mente, e que quando em silêncio a levamos alguma questão que nos incomoda, ela simplesmente continua o seu concentrado ato de brincar e não nos dá a mínima. Ela sempre está tão bem consigo e é assim que ela nos dá a sua resposta.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Equilíbrio entre os extremos
e como foi normal aquela festa pra ela.
Perfil
até que o viu de perfil.
Aí, da paixão
apagou-se o pavio.
E ele ficou...
a ver navios.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Amor
prova de amor a ele, que logo
foi embora. Agora, quando anda
em pé de metrô e precisa justificar
aquele coraçãozinho a algum
curioso, diz apenas que fez
uma homenagem à marca
da paçoquinha que tanto
amou na infância.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Tudo correndo
Por que é que temos de contar as
nossas histórias com a rapidez
de locutor de corrida de cavalos ?
Os executivos e os que realmente executam
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Sobre sonho e realidade
Um dia, trocou o dia pela noite, e como não sabia mais qual era um qual
era outro, porque não dormia, viu aquela linda mulher vindo em sua direção.
Ela vinha nua, lhe tirou a roupa e os dois transaram como num sonho. Depois, enfim, ele adormeceu. Ela também. E para pôr fim às dúvidas se era dia ou noite, se era sonho ou realidade, foram acordados por um sujeito bêbado que ao ver o casal nu sobre a grama do jardim da praça achou que estivesse sonhando. E começou a rir do que pensou ser um delírio da cachaça.
O casal se vestiu correndo, ele deu uns bons trocados ao coitado
(antes acordado por ele do que pela polícia) e foram todos embora dali satisfeitos da vida.
Porque prazer é algo que quase se vive, pelo qual quase se morre, que se pega com a mão e escapa, que existe e não existe, que aparece e some. Mas que quando acontece deixa sempre uma sensação pelo corpo e pela alma de bem-estar que parece do outro mundo. Ou seria deste ? Pois ele surge no exato momento em que mais estamos na realidade do que somos de verdade.
Marie Claire
o coração se abriu
feito fecho-éclair.
Tentou entendê-la
lendo Marie Claire.
Não conseguiu.
Afogou as mágoas
em sidra Cereser,
seguido de Epocler.
Passada a frustração,
está novamente pronto
para o que der e vier.
Jogos amorosos
e eu querendo contigo o ardor
de uma final de campeonato...
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
O casarão
Era uma vez um casarão da avenida Paulista que nem sabia ao certo o que ou quem era. Estava ali há anos. Até que, do dia para a noite, construíram diante dele um enorme edifício todo espelhado. O antigo casarão então conseguiu se enxergar por inteiro e perceber quem realmente era.
Viu que destoava da maioria por conta de sua idade avançada, de sua estatura um tanto modesta para os padrões atuais, mas, por outro lado, sabia que tinha mais história para contar que seus vizinhos. Os corredores de sua alma eram cheios de lembranças e nostalgia. Ao se observar com mais cuidado percebeu também que, apesar de toda vivência, precisava ainda assim de uma garibada a fim de sobreviver naquela selva de pedra, repleta de preconceito com os mais velhos. Submeteu-se então a um processo de rejuvenescimento, o famoso retrofit, mais por imposição da sociedade do que por vontade própria.
Enfim, terminado esse processo, ficou mais tranquilo, pensando assim estar livre do etarismo que vinha sofrendo. Porém, no momento em que ele se encontrava em relativa paz e dormia tranquilo, numa noite de verão, não é que o colocaram no chão, num processo quase relâmpago de demolição?
O antigo casarão ainda teve tempo de ver sua vida inteira desmoronar diante do espelhado prédio vizinho, aquele mesmo, que ficava diante dele, do outro lado da avenida, e que meses antes o apresentara a si mesmo num processo complexo de autodescoberta.
O casarão saiu de cena para dar lugar a um outro edifício espelhado, construído em seu lugar, e que agora vive uma competição narcisista com seu vizinho espelhado, numa disputa de vaidade e aparência. E assim, quem sai perdendo é a paisagem paulistana, cada vez mais egocêntrica, sedenta por jovialidade, e também para não deixar qualquer resquício de memória para as gerações futuras.
Profundidade
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Após a tímida mordida
Borracha
é feliz, apagando
as ideias dos outros ?
Será que faz terapia ?
Ou será que se morde
de raiva vendo que
ao destruir o pensamento
alheio morre pouco a
pouco esfarelada
no chão, na mesa
e na pia ?
Escolhas
que meio sem jeito, deixou três trens passarem.
Sentou-se, sentiu saudades dela
e, em vez de embarcar na linha verde,
voltou quase correndo para a amarela.
Sentir saudades na multidão
não é algo fácil de superar.
E quando isso acontece
o melhor que se faz
e voltar pra trás,
qualquer que seja
a linha,
o itinerário,
apesar do
horário.
É uma aposta
que se faz:
Pode-se tê-la
em breve,
nua, ou então,
fazer o quê ?
Dormir na rua.
Recepção
ser tachado
de tarado
ou ousado
não está no
ato em si,
mas na
resposta
do outro
lado.
Estilhaços
foi como se o iPhone tivesse
caído no chão.
Continuamos nos falando,
fazendo os mesmos
joguinhos, mas
nunca mais foi a
mesma coisa.
Agora convivemos
com o risco
iminente de
nos machucarmos
no vidro estilhaçado.
Além do que,
aquilo que antes
era o objeto de
nosso desejo
- nossa gostosa relação -
hoje não passa
de algo que
não vemos a
hora de trocar
por outro, uma nova
versão, mais
segura, mais interessante,
quem sabe ?
E para que isso
ocorra, o bom
mesmo é
que esse iPhone imaginário se
espatife de vez,
em outra queda
inesperada (estrategicamente
planejada ?),
ou num rompante
de raiva, raiva
porque nada
voltará a ser
com antes.
Aquela queda,
aquela briga,
só nos mostrou
que apesar
de tantos
sonhos embutidos,
éramos frágeis.
Sentimentos sinceros
em frágeis corações de vidro.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Questão
as gargalhadas só pegam na manivela
enquanto as lágrimas descem de
escada rolante ?
Oração pelas crianças
Relacionamento
que estava num relacionamento nada sério com o palhaço do circo.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Amor e guarda-chuva
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Poema pueril
que se recusou a ser de tristeza.
Mas também não queria
ser de alegria.
Escorreu de um dos olhos
de improviso,
de bobeira,
depois de um espirro
por causa da poeira.
Poesia é lápis
que nasceu tão pronta
que já chegou tonta.
Cheia de si.
Poesia não é caneta.
Poesia é lápis
que se aponta
na doação diária
do próprio objeto
da escrita.
E que se dissolve
aos poucos,
mas que até o fim
sempre está ali,
para a construção,
no papel,
da essência que
havia nele e também
da essência
que havia em ti.
O esquilo e os pronomes
um esquilo
que aprendia
os pronomes:
Eu
Tu
Ele
Noz (ops !)
E lá se foi
o bichinho
com o seu
"prêmio",
que ele preferiu
roer sozinho
com seus dentinhos
a deixá-lo
ser massacrado
pela Língua
Portuguesa,
sempre às voltas
com impiedosos
dentes de engrenagem.
Poetas alados
e faz solitário seu voo migratório.
E é só lá no alto,
vendo todo o mundo
bem pequenininho
que percebe
que nesse voo
nunca está sozinho.
Poetas alados
por todos os lados
seguem juntos
fugindo das dores do amor
ou indo ao encontro de
ninhos onde sempre são amados.
"Santo imposto"
só faz "milagres"
para alguns políticos
e afins,
só mesmo clamando
a "s(ã)onegação",
que com urgência,
rogue por mim !
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
A lei ao léu
de repente,
como se não soubéssemos
que jamais
seria diferente.
Mas como diz a lei,
adaptada
ao conveniente:
Olho por olho...
embargos infringentes...
Saber escolher
com pessoas com as quais não se deve
perder tempo.
Mas há chocolates que precisam ser sorvidos,
com pessoas especiais,
que nos enchem a vida de alegria,
quem contam suas dores e vitórias
na medida certa.
Que sempre lembram de
um poema,
que cantarolam uma
música especial,
e que quando vão embora
deixam a certeza
de que logo outros
encontros deliciosos
virão.
Ao pessoal sincero do
chocolate: até breve,
até a próxima, até sempre.
Às pessoas do egoico
café diga simplesmente
que está seguindo a sua
sina, e que torce
para não nunca mais
ter de encontrá-las
na padaria da esquina.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Andar por Sampa é sempre legal
é muito legal.
Mulher boceja na rua
à espera do farol abrir.
Homem peida no
solavanco do vagão.
O discurso do flanelinha
é envolvente.
E o jovem casal,
ele de boné,
ela de tênis vermelho,
jura amor eterno
enquanto o ônibus
não vem.
O garoto corre
atrás dos pombos
na Praça da Sé,
e um estudante
de fotografia retrata
o centro velho,
seguindo os passos
de Cristiano Mascaro.
Os violeiros tocam
as cordas de aço
da viola e a voz
dos três - da dupla
sertaneja e do homem
da cobra - se mistura
ao barulho da moto
de mais um cachorro-louco,
que corta a cidade como se
levasse um coração
para ser transplantado.
O frenesi volta ao
normal, cadenciado
pelo ritmo do ciclista
que faz entregas.
E sempre se tem a
impressão de que o
charmoso furgão
verde do Toalheiro
Brasil vai passar no
Largo do Arouche.
Enquanto isso,
um homem de paletó
e com azia se esquece
da acidez e toma
um delicioso café nas
proximidades da
rua Boa Vista.
E eu agradeço aos
céus por poder transitar
por essa cidade enquanto
limpo o cocô de cachorro
da sola de meu sapato
bem pertinho do Viaduto
do Chá.
Faço isso já pensando na
São Silvestre, quando
a cidade para para
correr, e corre
de si mesma
ou em busca
de si mesma.
Um encontro
que se efetiva
rapidamente
todos os dias,
no encontrão
entre aqueles
que querem
entrar e aqueles
que querem
sair, assim que
os vagões do
metrô abrem
suas portas.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Abrir-se
e eu, feito embalagem de CD.
Tempos diferentes de
se mostrar, de ganhar coragem
para se descobrir, um jogo que
se completa e que enche
de perfume o ato solene
de simplesmente ouvir.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
História simples no meio de uma tarde de calor
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Revirar por dentro
"melan-cólicas”
manhãs de inverno
domingo, 8 de setembro de 2013
Foto PXB
que carregava um solitário monge
era amarelo. O céu, azul,
a água do mar, verde
e a roupa do monge, laranja,
em sintonia com a cor do
pôr do sol.
E olhando aquela imagem
tão colorida senti
não ter nas mãos
uma câmera para fazer
uma linda foto em preto
e branco. Para mim,
a vida é jogo de
xadrez que
se completa com
luz e sombra, em que
reis jamais deixarão o tabuleiro
e tudo o mais, superada a estratégia,
perde a importância.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Dança
A tristeza quando vem se encostando,
quer ser tirada pra dançar.
E se isso acontecer,
será que a alegria lhe fará par ?
E o que conversarão
as duas durante a valsa ?
Quem convencerá quem ?
Dançarão as duas
tango, rock ou
terminarão na salsa ?
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Vida besta itinerante
esquivou-se de duas encoxadas,
tentou ler um livro,
não deu.
Encaixou o braço entre dois peitos,
e esse foi seu maior feito até a Consolação.
Consolação do metrô, dele, e por que não dizer dela ?
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Juramento
Confesso e até juro.
Mas juro de maneira simples.
Não juro sobre juro.
Meu juro é discreto, simples,
não é juro composto.
Não confesso minhas
falhas com alarde de
vocativo.
Prefiro fazer uso do
até dispensável e
sempre circunspecto
aposto.
Eu não me entrego
Se me vir cabisbaixo
é porque estou
procurando dinheiro
no chão.
Necessidade de ouvir
de paz,
pra contar que
tem um ás na
manga,
que também
detesta canja,
que a ligação
não tem tarifa
ou que simplesmente
ganhou um ovo de Páscoa
na rifa.
Mas liga.
Trem, um grande intestino
grosso ou delgado,
dependendo do horário,
onde há calor humano,
mas falta
afeto e afago.
O trem é um grande intestino,
que se nutre de nossas
necessidades e sonhos
num entra e sai de
se encher e esvaziar,
ficando para o final,
o ato sistemático
de evacuar.
Daí nossa cara de bosta
ali dentro
movimento nervoso
de nossa quase obrigatória
missão de
ir e chegar,
saindo do aconchego de nossas
casas, que é nossa vida privada,
para a privada social onde
somos despejados
e permanecemos
até o dia chegar ao seu final.
Engolida a labuta,
vamos nós para nova
digestão, novamente
com cara de bosta,
agora cansada,
se espremendo no
vagão.
Porra adestrada
uma porra-louca
que começou a incomodar.
Meteram-na no
antidepressivo
pra se acalmar.
Hoje, essa
porra-louca
nem porra é.
Virou leitinho
bem comportado
já é quase energia,
que não sobe
mais à cabeça
e nem ousa
deixar aquilo
em pé.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Pimenta/leite condensado
misturada com leite
condensado.
Assim é você,
ou seria você
na indefinição entre
o assim e o assado ?
Assim é você,
ora ardidinha que dá vontade
de morder, mas com receio,
e o risco de até chorar,
ora toda melosa que
se entrega por inteiro
e que para o bolo de nós dois
não existe um melhor recheio.
O que mais me agrada
nisso tudo é que nessa
inconstância eu sempre
estarei no meio.
Estorvo
onde não deveria estar
é por que em algum
momento nos faltou
fé. Fé para dizermos não.
Fé para não aceitarmos
aquela dança.
E quando agimos
covardemente assim,
no baile
da vida parecemos
um estorvo
esbarrando nos
outros ou simplesmente
lhes pisando no pé.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Mamilos
quando endurecem,
merecem a devoção
de uma mordida
que se desfere
com a ternura
e a pressão
exatas, a exemplo
da que cuidadosamente
desferimos ao iniciar um
sorvete Häagen-Dazs
com cobertura de chocolate.
Dias cheios, dias vazios
que não foi enchida para a festa infantil,
como há dias cheios, repletos de
recordações,
feito estômago de sucuri
que engoliu um boi.
Feito vaca farta
de capim,
quando as boas
memórias vêm para
o presente, e parecem
vivas, atuais, palpáveis.
E é esse "ruminar de
reminiscências" que
nos ajuda a empurrar
a cortante inquietação
da vida para
depois, para um
futuro provável,
no qual poderemos
ser serpentes ou
bois, engolidos
ou saciados,
dependendo
de que lado
jogará o
destino
o nosso
dado.
Vaso escolhido ?
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Em bom português
Era uma vez um garoto que entrou no ônibus e disse:
- Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas eu estou aqui, pedindo uma ajuda.
Aí, um sujeito catedrático, daqueles chatos que esbanjam cultura corrigiu o pobre garoto:
- Você poderia falar de uma forma mais culta, utilizando-se do futuro do pretérito. Você deveria dizer assim: "eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui lhes pedindo algum dinheiro". Veja que estamos falando no condicional. Nós, passageiros, poderemos ou não lhe dar alguma ajuda.
Então, o moleque, que não era bobo, nem nada, fechou a cara e disse, num futuro do presente que foi entendido por todos:
- Eu poderei roubar, eu poderei matar se vocês não me passarem a grana.
O garoto falou isso enquanto sacava uma arma. Cerca de dois minutos depois, desceu no ponto seguinte e sumiu no mundo, cheio de carteiras, celulares e até um laptop.
Antes de deixar o ônibus, contudo, ainda gritou em bom português:
- Perdeu, busão!
E o catedrático, lá de dentro, sem se dar por vencido, corrigiu o garoto:
- Perderam, passageiros do ônibus! Vai estudar moleque!
E o pessoal daquele coletivo, já de saco cheio e sem seus pertences, mandou o tal catedrático pros quintos dos infernos, em todos os tempos verbais.
Táxi
de ideias para
chegar a lugar nenhum,
e que me custará
muito caro.