Hoje eu queria escrever uma história de
alienígenas, de ninfas presas em mosteiros guardados por cavaleiros templários,
de espadas que soltam fogo e de enormes criaturas aladas que com suas garras
exterminam qualquer mortal. Eu queria escrever uma história assim, pois, quem
sabe, dessa forma, aqueles garotos adolescentes que vão para o colégio acomodados
em suas vans escolares a lessem. Mas não consigo.
A
maior aventura que tenho condições de contar hoje é sobre um garoto do interior,
que com seu estilingue errou a lata que estava sobre um dos galhos da mangueira
e acertou a vidraça da dona Iolanda, correndo em seguida lá para trás das
goiabeiras. Estilhaçado o vidro da janela, nenhuma nave desceu à Terra, as
ninfas não se manifestaram, muito menos as enormes criaturas aladas e suas
espadas fumegantes. Apenas dona Iolanda, que de tão furiosa parecia cuspir fogo
pelas ventas.
Passada
a raiva da mulher ranzinza, naquele calor preguiçoso da tarde, uma manga foi ao
chão, um porquinho do quintal começou a comê-la e o garoto do estilingue, à
essa altura, não se lembrava mais da arte que fizera. Ele só queria mesmo era
nadar naquela água quase morna do riacho, que passa bem atrás da plantação, no
fundo de sua casa. Ali sim, ele mergulha em sua imaginação pensando num mundo possível,
onde tudo acontece e disco voador às vezes não pega de manhã porque a ninfa,
pra se vingar dos templários, adultera o combustível com pó mágico vencido e vai
para a horta, só pra cortar melancia em fatias precisas com o raio laser da
espada Jedi que possui.
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