sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Empreendedodurismo"

"Empreendedodurismo" é quando te dedam 
para os fiscais porque você está se dando bem, 
trabalhando por conta própria e 
vendendo sem nota fiscal.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Amor e bicicleta

Amar é como andar de bicicleta, 
um eterno equilibrar-se,
entre subidas, descidas
e extensas estradas
calmas e planas.
Quando então,
solta-se as mãos
do guidão e
abraça-se a quem 
se gosta
na figura do vento.
E o friozinho na
barriga fica 
mais pungente,
desde que o
ciúme não 
pegue carona
e aperte,
de repente, 
apenas o 
freio da frente.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dar-se

De repente me desconcerto 
Me conserto
Juntos os cacos
e meus cacarecos.
Colo tudo com 
Super Bonder
e vou ouvir
Stevie Wonder
que eu ganho 
mais.
Se aquela 
velha desculpa
não cola,
chute o balde,
mas prefira a bola,
porque 
gostoso é
quem se entrega
por inteiro,
não quem se oferece
a ti como se fosse
apenas mísera esmola.


Aos poderosos que não largam o osso

Por que é que esses poderosos, depois de exercerem o poder à exaustão, de fazerem tanta gente sofrer, de roubarem até dizer chega, não param no final da vida para aprender a tocar violino ? Por que não começam a ler livros de poesia e a caminhar pensativos nos parques, enquanto contemplam a maravilhosa beleza das flores ? É que esses sujeitos não foram feitos para isso. Eles são rasos em suas histórias de desmando e corrupção. Jamais teriam a paciência de estudar escalas musicais e de se encantarem com poesia. São superficiais, sempre metidos em seus ternos que não escondem os olhos de Lobo Mau. Eles mentem o tempo todo e sempre estão cercados de bajuladores, que talvez só estejam ali porque desconhecem, a exemplo de seus líderes, a beleza de um solo de violino ou de um texto escrito com emoção. A esses sujeitos repugnantes que conduzem um país, somente o silêncio do desprezo ou a multiplicação da força, com a soma dos gritos, que a eles soará dissonante, da indignação de cada um de nós a ecoar em praça pública.  

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Fases e fezes

Há fases 
que se parecem
com fezes.
É quando
coco vira
cocô.
E aquele
oco (por dentro)
é preenchido
com soco (no queixo).

Mas nada
como uma
boa lavagem
para esvaziar
a alma,
nada como
uma frustração,
pra mudar 
elenco e direção.

Nada como um dia
após o outro, só
pra olhar atento
dentro do vaso
sanitário
e ver
que até a mais 
bela fruta,
processada,
vira bosta.

E antes que eu
me limpe por completo
quero vê-la nessa
partida amarga,
enquanto puxo, prazerosamente,
a cordinha ensebada da descarga.



Um rio só nosso

Conforme vai passando o tempo, 
se aquele garoto não se banhou 
no rio quando devia, quando queria,
surge uma lacuna. 

Esse sujeito caminha 
para a velhice, mas ainda quer
ser menino. Quer voltar àquele rio,
mergulhar, nadar, brincar. 

Aos poucos, a pequena fresta
vira uma vala, um abismo,
e fica cada vez mais profunda,
requerendo coragem redobrada
a cada apagar de velas.

Velas sobre o bolo que
se apagam com um sopro,
mas que não apagam
a chama interior das
coisas mal resolvidas.

E enquanto o rio da imaginação
não seca, há ainda no menino-velho, 
no velho-menino, aquele desejo
vivo, uma chama que não morrerá
e que só se apagará de fato,
nas águas calmas e doces
desse rio.

Feito isso, 
vencidos os medos,
subirá da água 
aos céus uma fumaça,
um espírito liberto,
e ficará na terra um
sujeito renovado,
feliz, 
mais esperto. 

Aquele que
driblará com agilidade
de criança quando
o perigo 
da morte do 
velho homem 
andar por perto.