Nossas vidas se cruzaram feito jogo da velha,
feito cachorros pulguentos na rua,
feito ligação telefônica,
feito bola na frente do carro,
feito linha de pipa,
feito dedos pra dar sorte,
feito avião no céu,
feito braço de grevista,
feito golpe de pugilista
e feito navio, que no
horizonte se avista.
Mas, apesar de tanto cruzamento,
por que é que no exato momento,
que nos filmes parece tão belo,
tudo é sempre paralelo ?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Suspiro
Chega essa época e eu suspiro,
ou melhor, me sinto um suspiro.
Percebo-me leve, sou tomado por
grande doçura e esfarelo-me por
inteiro. E lá no fundo, dentro de mim,
aquele vazio.
ou melhor, me sinto um suspiro.
Percebo-me leve, sou tomado por
grande doçura e esfarelo-me por
inteiro. E lá no fundo, dentro de mim,
aquele vazio.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Liberta !
Ela dançava com guarda-chuvinha de chocolate
na rua da amargura,
e ria do destino.
Não pensava com o coração,
mas com o âmago
do seu intestino.
na rua da amargura,
e ria do destino.
Não pensava com o coração,
mas com o âmago
do seu intestino.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Poesia tântrica
Enquanto um poema está inacabado
é como fazer sexo tântrico com
as palavras.
E nessa saudável luta
pelo desfecho ideal
vale tudo, até
rimar fruta
com
kama sutra.
é como fazer sexo tântrico com
as palavras.
E nessa saudável luta
pelo desfecho ideal
vale tudo, até
rimar fruta
com
kama sutra.
Aviãozinho
Era uma vez um garoto, que em vez de ler mais uma notícia triste sobre violência numa revista, resolveu arrancar a página e fazer um aviãozinho. E esse aviãozinho voou e caiu espetado lá no limoeiro que havia no fundo do quintal. E foi aí que o menino se deu conta de que podia inventar um mundo melhor, pois aquele limoeiro não estava ali antes de sua decisão de fazer o aviãozinho. Agora, o garoto tinha quintal, tinha árvores rodeando a casa e seu acanhado apartamento já deixara de existir. Sua casa agora tinha janelas enormes, havia cachorros alegres correndo lá fora e um mundo de crianças, feito ele, brincando alegremente na rua onde ele morava. E o garoto voou em sua imaginação, feito o aviãozinho de papel, sonhando com um mundo possível a partir do desejo de nossas mentes, corações e também das mãos.
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