terça-feira, 29 de abril de 2014
Avoado
que fujo de estilingue
e de vaga de emprego bilíngue.
Confundo dona Débora
com doce de abóbora.
E para mim, o amanhã
é o hoje com ansiedade.
E se a jovem tímida
fica vermelha de
pular amarelinha,
desprezo a objetividade
da agulha,
fico com a flexibilidade
da linha.
Que pode ser minha,
ser sua, não ser
de ninguém e
ficar só. Quando então
nos juntamos na
tentativa de salvá-la
de mais um
oportunista
nó.
Soltas por aí
não alimento mais
minhas poesias.
Deixo-as soltas no
ar.
E quando tiverem
fome, que vão
comer no bar.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Amor Retido na Fonte
feito Imposto de Renda
para ver a beleza que
escondia sob sua
fina malha.
Mas foi só depois,
já com o coração
escancarado,
que percebi
que melhor seria
um amor platônico,
desejo velado,
uma não declarada
paixão caixa dois.
Amor "plastônico"
Um sujeito solitário comprou uma boneca inflável numa das lojas da cidade. Ela se apaixonou por ele à primeira vista. Começaram uma relação intensa, centrada apenas no sexo, sem uma única troca de palavras. Tudo ia bem assim, até que ele se apaixonou por uma moça do escritório, uma boneca, essa de carne, ossos e boa conversa.
Aos poucos, ele foi deixando a boneca inflável de lado, até esquecê-la de vez. Certo dia, assim que ele chegou de mais um jantar animado com a moça do escritório, a boneca inflável não aguentou tamanho desprezo e estourou com ele, estourou também com si própria, e, após o "bum" final, pedaços de plástico voaram pela sala toda. Um deles caiu próximo a um joão-bobo que havia na casa, o qual alimentava um amor platônico pela boneca inflável, que acabara de morrer.
Diante da tragédia, o joão-bobo sentiu-se mais bobo ainda, se perguntando por que não se declarara para ela. Agora era tarde. Hoje, o ex-sujeito solitário vive um animado romance com a boneca linda do escritório e tudo indica que ele se esqueceu da tal boneca inflável. Já o joão-bobo frequentemente fica mais cheio que de costume, quando sua pressão sobe só de pensar na boneca inflável que ele tanto amou.
Vez ou outra, ele é flagrado mexendo a cabeça para baixo e para cima, de um lado para o outro, sem sair do lugar, lastimando sua falta de atitude. Já o casal de namorados atribui esse triste movimento do joão-bobo à corrente de ar que toda tarde invade o corredor da casa.
Contudo, aqui vai um segredo: esse vento inesperado gela a espinha do sujeito, que no fundo sente-se culpado. Ele encara essa rajada fria e cortante como o último suspiro da boneca chamando seu nome...
Sobre mudanças
Cachorros sempre hão de ficar pelo caminho,
como aquele seu falso companheiro
que num dos solavancos do caminhão
da vida foi arremessado para fora.
Na hora você se assustou,
pensou até em voltar atrás,
mas ao chegar na nova casa
viu que ele era totalmente
dispensável.
domingo, 13 de abril de 2014
Voz liberta !
e gol do Brasil !!!
Ele não aguentou a emoção
e soltou a voz, que nunca mais
voltou. Uma vez liberta,
ela, que detestava
viver cativa dentro
de um sujeito que só
contava vantagens,
foi andar solta no mundo
colocando 'fiu-fiu'
na boca de jovens
românticos, fazendo
papel de cupido.
sábado, 12 de abril de 2014
Perdido
na Freguesia do Ó:
na cabeça
dá um nó,
no peito
dá um dó,
no sapato
fica pó,
na mente,
conselho de vó,
saudade de pão de ló
e uma certeza só:
a de não saber
nem o "ó" do
borogodó.
Quando tudo parece tremer
precisasse de um terremoto,
de um tsnunami,
para que no meio
de lágrimas e dos escombros
um olhasse ao
outro e gritasse desesperado:
"Esqueça tudo, me tire
daqui, salve minha vida ou
simplesmente me ame".
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Meia verdade
como andar de
monociclo.
Pois se você
se esforçar
um pouco conseguirá
chegar aonde queria
sem o auxílio
da ilusória
segurança da
bicicleta da
completa verdade.
Lágrimas de cebola frustrada
sem talento para atriz. Assim,
não conseguia fazer ninguém
chorar com suas fracas atuações.
Não emocionava, não comovia.
Por causa disso,
no silêncio da cozinha
chorava sozinha, e, vez ou outra,
não aguentava os insultos
do companheiro e o mandava,
sem cerimônia,
para a casa do car-alho.
Espírito de Copa
então, como bom
brasileiro, colocou
o "coração na ponta
da chuteira".
De repente,
tropicou em um
buraco que havia no campo e...
enfartou.