quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Amigo imaginário
Ranking
e seu eu não for à frente,
nem atrás, mas simplesmente
ao teu lado?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Festa?
a gente pensa que é tudo "bem-casado",
mas basta olhar um pouco mais
pra se descobrir uma porção de
"brigadeiros".
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Mar de rosas
pelo menos, os riscos de ter sua
boia de cavalinho furada por um espinho
são bem menores.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Pichador solitário
Ele gostava de pichar muros, mas como tinha alguns valores morais, sempre sentia uma culpa dos diabos logo após seu ato transgressor. Então, teve uma ideia: só picharia as portas de correr de estabelecimentos comerciais. Passou a agir assim, e nunca mais se sentiu culpado.
Agora, durante o dia, enquanto seus rabiscos de tinta adormecem enrolados em folhas de aço, ele caminha prazerosamente sob a luz do sol, ciente de que seu "trabalho artístico" está ali, incógnito como ele. Entende que suas pichações são tesouros escondidos.
E à noite, quando não sai para pichar, passeia solitário pela cidade apenas para apreciar a sua "arte", uma "arte" que se destina a poucos, aos notívagos, aos bêbados, aos amantes, aos poetas e aos gatos famintos.
É bom lembrar, que quando ele está pichando, muitas vezes, acaba se apaixonando perdidamente por seus traços, sempre "tão perfeitos" e carrregados de profundas mensagens codificadas.
É nessa hora que a vaidade o convida sedutoramente a sair do anonimato, a se revelar como o "grande artista" que é, mesmo com o risco de ser preso pela polícia e de tomar uns cacetes dos comerciantes.
Mas quando isso acontece, é a própria lata de tinta spray que o traz de volta à realidade e ao anonimato, ordenando simplesmente que ele se cale, dizendo assim: xiiiiiiiu!!!
Sobre as cores
quando as cores primárias crescem
e entram na faculdade...
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Cartilha
do "v", vovô via a uva.
Mas hoje, com "v",
também de Viagra,
vovô vê a vulva
e dá três, sem
reclamar,
indo da gramática
à aritmética
na maior animação.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Um homem de "blém"
todos achavam simplesmente que
ele não se dava bem com a língua
portuguesa. Até que um dia chegou
dizendo:
- Achei uma mulher de "blém". Vamos
nos casar.
Ninguém deu muita bola. Casaram-se.
E não é que geraram um lindo sino,
que já chegou fazendo um barulho
danado.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Questão de fé
muita gente depositava enorme fé.
Só que ele tinha uns rompantes
de cantor de axé.
Assim, quando, durante um culto
ao ar livre, gritou animado:
- Tira o pé do chão!
Vários fiéis saíram voando feito
bexigas coloridas ao vento.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Relógio
O ponteiro que é de bússola.
Por isso, esta é a hora e a direção.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Ver o trator
no meio de uma tarde abafada,
numa cidadezinha onde quase nada acontece,
não deixa de ser um ato de amor.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
Times
e a crise de credibilidade na imprensa internacional,
em pouco tempo vai dar mais gosto ver os
times de Nova York
do que o
New York Times.
questão interna
em relação ao amor...
Por que é que ainda
rezo em tua cartilha?
sexta-feira, 31 de julho de 2015
A princesa e o sapo
após o beijo
da princesa,
virou um
belo cisne.
Sorte do sapo,
azar da princesa.
Patinho feio
o patinho feio
virou príncipe.
Deu várias braçadas,
sumiu do lago
e ferrou com
a história.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Poesias e poesias
e ela lhe fez um fio terra.
É que, enquanto ele buscava
palavras intangíveis,
ela queria mesmo
era poesia concreta.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Sobre o tempo
por mais que queiramos contê-lo.
Mas que ao escapar,
e ele vai escapar, mesmo,
que leve no corpo as marcas
de nossas unhadas
como forma de
dizermos a ele
que tentamos
segurá-lo entre nós.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Falando sozinho
mas você me disse "não".
O jeito foi dizer para o
meu pinto:
"fala com a minha mão".
A falta que a crase faz
mas por falta de crase
comer a vontade e...
desanimou de vez.
Querendo racha
saio do modo turbo
e volto para o convencional.
E nada mais me excita
numa cidade normal.
Fico assim até que
estreie novamente
dentro de mim
mais uma edição
infindável de meus
desejos,
cada vez mais
velozes,
cada vez
mais furiosos.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Lápide
um epitáfio
que não
queria morrer.
Então virou
poesia,
e todo dia
estendia
sua vida
sem totalmente
se resolver,
por mais
que o poeta
o lapidasse
na tentativa
desesperada
de enfim
levá-lo
à lápide.
Pedradas
atiradas de estilingues
pelos garotos analfabetos
bem na cabeça da
secretária bilíngue.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Poesia de pé quebrado
queria um mote.
Ela queria motel.
Mas a bendita
rima não
saía
pois o "L"
que faltava
não era
"ELE".
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Minha língua
"listenings" e
"Listerines"
ardem meus ouvidos
e minha boca,
tão sedentos
de ouvir e
de declamar
um poema
feito em
bom português.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
DR76
mas se forem sair
na mão,
façam o que faço,
calem os insultos
com beijo e se
apertem firmes
no abraço.
Pelado
pago juros sobre o direito de andar pelado pelo mundo.
Experiência
descobre-se num momento:
ah.. como é bom parar
no acostamento.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
DR
com voz
firme:
"Decifra-me
ou te defloro."
E o que ela menos
queria naquela
hora era decifrar
algo.
Hoje estão juntos
mas vivem em
discussão eterna
da relação.
Ela agora busca
saber quem é o
cara que dorme
ao seu lado,
um poço de
segredos,
dogmas
e enigmas.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Sobre a bola e linda moça
lhe dava bola,
mas ele ainda
tinha a bola,
que achava linda.
A bola, por sua
vez, não achava
nada sobre a
moça linda,
ora bolas.
Desvio de caráter
não é como o desvio
que faz a bola em
chute do Roberto Carlos,
ou do saudoso Didi e
sua "folha seca".
Fosse nessas proporções
e eu seria um enorme depravado.
Meu desvio de caráter
é sutil como um chute
em que a bola caprichosamente
resvala nas luvas do goleiro,
e apesar disso segue
com efeito quase imperceptível o seu caminho
rumo às redes. E quando isso
acontece, "canalha light"
que sou, comemoro mais um gol
e corro para muitos
diferentes abraços.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Constante na inconstância
freneticamente
pra descobrir que
sou uma constância
de "de repentes".
Como cachorros que brincam com bolinhas
de novo, depois de anos,
que nos tornemos bobinhos
como cachorros que correm
atrás de bolinha de borracha colorida,
para rolarmos no chão,
brincarmos, rirmos, nos sujarmos, enfim.
Pois do contrário, se
trouxermos para
esse piquenique
apenas nossos títulos,
conquistas, formalismos e amarguras,
nem chegaremos
a nos sentar na grama quente
nessa tarde ensolarada,
ao lado da linda toalha
xadrez vermelha e branca,
repleta de guloseimas.
E esse nosso encontro,
depois de anos,
será uma bosta.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Respeitar para não tê-los
de pegar no seu peito,
peito, peitos.
Mas tenho receio,
seio, seios.
Tem vencido este
segundo e o que
me resta por
você é
respeito,
peito, peito.
CEO no cio
apaga com mais trabalho
o pavio
ou sai da sede
imaginária
comendo
novamente a
secretária?
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Pequenas crônicas de uma eterna São Silvestre 5
Foi durante o almoço de Ano Novo que Denis, bastante acima do peso, prometeu aos familiares que correria a São Silvestre quando chegasse 31 de dezembro. Todos riram de sua promessa e não o levaram a sério. Ele teria de perder uns 30, 40 quilos, e como o pessoal já o conhecia, determinação nunca tinha sido o seu forte. Ficou magoado com a turma de casa e com alguns amigos, mas sobretudo com um cunhado inconveniente, que só aparecia nas festas de fim de ano para chateá-lo.
Como muita gente por aí, Denis não conseguiu fechar a boca, pouco se mexeu, e quando chegou outubro deu início aos treinamentos, por obrigação, mesmo. Eram pequenos trotes no parque perto de sua casa: corria, andava; andava, corria; andava, andava e praguejava porque estava acima do peso. Não tinha a mínima motivação, a não ser a de esfregar a medalha na cara dos familiares no próximo almoço de Ano Novo e, sobretudo, na fuça do cunhado chato.
Mas Denis se inquietava: será que conseguiria completar a prova? Será que venceria a subida da Brigadeiro? Será que sofreria um infarto bem em frente ao Teatro Muncipal? O dia da corrida estava se aproximando, treinava desanimado e nem as luzes de Natal espalhadas pela cidade o estimulavam, uma vez que havia desembestado a comer panetones e bombons, e tinha ganhado até alguns quilinhos por conta das festas de confraternização da firma.
Enfim, chegou o grande dia. A família, em comitiva, foi assistir à prova na avenida Paulista. Diziam que tinham vindo dar uma força ao Denis, mas ele sabia em seu íntimo que seus familiares queriam mesmo era ver o seu fracasso. Cá entre nós, a família não gostava muito dele.
Largou no meio da multidão e seu coração estava agitado. Gastou parte da energia correndo bem devagar, mas correndo, logo após a largada, na avenida Paulista. Toda a família o aplaudiu enquanto ele passava, mas ele sabia que era por puro despeito. Já no final da Dr. Arnaldo estava ofegante. Tudo doía. O ar às vezes teimava em não vir. E com a alma em frangalhos começou a andar. Caminhava e chorava, de raiva, de decepção, e até de medo de enfrentar a chacota dos familiares no almoço de Ano Novo. Certamente iriam rir da sua cara, mais uma vez.
Porém, a cada lágrima Denis percebia sua alma mais leve. Sempre caminhando, ele começou a prestar atenção à sua volta. Afinal, não era só ele que caminhava. Havia outros, nas mesmas condições, até mais pesados e ofegantes do que ele. Assim, aos poucos, Denis se conscientizou de que estava feliz em participar da prova, mesmo se deslocando com dificuldade, mesmo com todas as suas falhas e vícios. Ele era, sim, corajoso, porque correr a São Silvestre é um feito digno de mérito, e arrastar, com esforço, um corpo pesado ao longo de 15 quilômetros, tendo a plateia por testemunha, é uma atitude que também merece respeito.
Denis subiu a Brigadeiro bem devagar. Havia feito até alguns amigos ao longo do trajeto, amigos que como ele tinham tido a coragem de enfrentar a prova, mesmo acima do peso e com pouco preparo. Um dava força ao outro, e quando Denis entrou na avenida Paulista, já no final do trajeto, seus familiares torceram o nariz e lhe lançaram olhares de reprovação pela demora. Mas, curiosamente, naquele instante, ele nem se importou com as críticas. Havia começado a prova de um jeito, mas agora já era um outro homem. Mais confiante, ciente de suas limitações, porém, com vontade de ir mais longe.
Denis cruzou a linha de chegada dentre os últimos e, vejam só: não participou do almoço de Ano Novo com sua família, nem teve de encarar as chacotas do cunhado inconveniente. E não foi por medo. É que os amigos que ele fez na São Silvestre o convidaram para um churrasco, em que comemorariam o feito de terem completado uma das provas mais tradicionais do calendário brasileiro, e talvez mundial, quando então aproveitariam a ocasião para criar uma equipe de corrida, já pensando num melhor desempenho na edição seguinte da prova.
Pequenas crônicas de uma eterna São Silvestre 4
Pequenas crônicas de uma eterna São Silvestre 1
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Na esteira da vida
como malas.
Assim, se eles
forem desfeitos,
um trabalho
a menos
pra você.
Números
não combina
com seu
sapato 35.
Sou um cara
muto elástico
para alguém
que nunca
desafivela
esse raio
de cinto.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Ensaio que se ensaia
que nunca demonstra
a quem detesta
ou ama,
num ensaio
que sempre se
ensaia, sem que
se experimente
o frio na barriga
de pisar no palco,
sem qualquer manha.
Como serão
seus mamilos,
seus pelos pubianos?
Como será morder
a sua nuca suada?
Enfim, esse
ensaio que
só se ensaia
sem que dê
em nada,
em mim
mais acende
a chama
e o desejo
de um dia
saciá-la
plenamente
na cama,
um pouco
de rusticidade
de homem
no corpo
de uma
sensível
e linda dama.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Esperança
feito livro, e nunca mais a devolva.
E quando isso acontece rumina
dentro de nós aquele desejo
de que esse alguém, por descuido,
se depare no futuro
com essa nossa esperança,
que sempre será nossa,
só pra perceber entre
remorsos e lágrimas
que ela trazia em seu interior
uma delicada dedicatória
feita com muito amor para
essa pessoa sempre
tão displicente.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Leveza
vem de uma porção
de pequenas
fragilidades,
e você não consegue
mais distinguir se
luta por
sólidas mentiras
ou delicadas
verdades?
Lambe-lambe
com o melhor de mim,
depois sinto-me
retratado no
meu momento
mais frágil
enquanto você
simplesmente
me lambe-lambe...
quarta-feira, 18 de março de 2015
Desembaraçar
que desembaraçasse
a sua vida.
E Deus, que naquele
dia não estava
muito católico,
meteu a tesoura
naquele emaranhado,
cortou aqui,
amarrou ali,
desprezou partes
enroladas,
deu alguns nós
e assim
desembaraçou
a vida do sujeito,
que hoje sente
que sua existência
ficou mais curta,
deixou de se
lembrar de várias
coisas do passado
e com tantos
nós passou a
mancar de
uma das pernas.
"Eu te amo"
que se diga de cara,
de repente.
"Eu te amo" é coisa
pra se dizer ao final
de uma vida a dois,
quando já se
exaurirem as forças.
"Eu te amo" não deve
ser declaração, mas
constatação de que
ao lado daquela
pessoa se foi feliz.
Contudo, uma vez
percebido que
se amou,
magicamente
o verbo "amar"
passa a ser
conjugado apenas
no presente,
para todo o sempre,
amém.
Meninos
nunca percam a esperança
e que não queiram
crescer só pra ver
mulher pelada.
Que brinquem muito,
gargalhem, que se sujem,
que tenham cachorro
e estacionem suas
naves no fundo do
quintal, amarradas
na árvore, feito
cavalo.
Que não façam a
distinção entre
paçoca, doce de
abóbora ou
pamonha.
E que na presença
deles, diante de
tanta pureza,
sintamos profunda
vergonha de
todo o mal
que já carregamos
em nós.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Vício
no tempo que eu gasto
desejando me deitar contigo,
e sobre como é rápida
essa boa sensação.
Contudo, assim que ela acaba,
quero senti-la novamente,
mais e mais, numa espécie
de vício que só tem
me levado para o buraco;
o seu.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Na medida
suas entranhas
fazem manha,
e a bunda se arrepia
enquanto
delicadamente apanha.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Só
é só você passar rente,
na paralela,
que de repente,
algo em mim
fica na perpendicular,
feito veleiro
solitário em
alto mar.
quinta-feira, 5 de março de 2015
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Tô só no Face
Tô só, no Face.
Tá osso no Face
pra cachorro.
Vivo no Face
ou no Face morro?
No Face há quem
lata, há quem morda,
há quem balance
o rabo
e há quem
a todo custo
o balançar do
rabo esconda.
Tudo onda.
Fragilidade
de isopor
com cara
de inox.
Mas, se
no inbox
conversarmos
sem botox,
quem sabe
não prometa
dar a ti,
além do meu retrato,
também
meu pau de selfie.
Palavra que quer ser vista
dá azia.
Às vezes sai
como arroto,
num rompante
só.
Às vezes entala
na alma vazia
e na garganta
fica aquele nó.
Letra em transformação
de anúncio de problemas.
Ele era solução em si,
pois havia ficado louco,
plantado bananeira e
aberto as pernas.
"I" ou "Y",
esse já não era
mais o seu "X" da questão.
Reflexão em meio à rua General Glicério
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Mosqueteiro solitário
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O criado-mudo
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Pequenas crônicas de uma eterna São Silvestre 3
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Confiança
não deixe que o medo o atrapalhe,
porque se ele te dominar
o "Sonho de Ícaro" vira
Ih!Carai...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Assepsia
veste luvas, óculos de proteção,
máscara, e pega cuidadosamente
a palavra com a pinça para não
se contaminar ainda mais de si próprio.
Reflexão à beira-mar, ou à beira da piscina
Pinto ou autoestima,
um dos dois
precisa ser grande.