domingo, 18 de dezembro de 2016
Erro de paralaxe
mas cometi
um erro de
paralaxe.
Mirei no Uber,
mas me apareceu
o táxi.
Safadeza patronal
que no dia em que dava a cesta básica,
nenhum trabalhador podia ir trabalhar de carro.
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Período de carência
para animais. E eu só fico pensando
na relatividade do período de carência para partos
e cirurgias:
Tartaruga: 30 anos
Borboleta: 30 segundos
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Fé
alguém pegou um
taco de sinuca
sideral e estecou
uma estrela, que acertou
uma outra, que caiu
no buraco negro
transformado
em caçapa.
E a mulher desesperada
olhando aquele rastro
de luz no céu sentiu que
era chegada a hora
de alcançar a sua graça.
Dedinho de prosa
foi tão sucinto
que nem deu pra
rimar com pinto.
Paramos no pin...
E assim
a consulta
chegou
ao fim.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Convicta
de tomar leite no pires e subir no telhado.
Um dia, cheia daquela vida monótona
e dos rótulos da sociedade,
simulou a própria morte e foi
viver feliz da vida com um rato.
E até hoje, quando aquele grupo
meloso de pagode sobe no palco
toda a família se sente indignada,
pois acha que aquele couro
de tamborim, que tanto o sujeito
bate e rebate, pertencia a ela.
Condução coercitiva
e ela correspondeu. Poderia ser
o início de um romance,
mas os dois estavam em pé,
um do lado do outro e
ambos eram encoxados pelos
trabalhadores postados
logo atrás, sedentos de tudo,
como lobos ensandecidos.
Sem clima, permaneceram
em silêncio, cabisbaixos,
inconformados com o
constrangimento a que
tinham de se submeter
todos os dias para ganhar
a vida, que sempre se mostrava
única, e por isso mesmo
os afastava a todo instante
do sonho de uma vida a dois.
Palitos
começo a ficar com medo
que tudo possa desabar
delicadamente, como um
castelo que se fez todinho
com palitos de sorvete
para a feira de ciências.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Fotos do face
do caralho"
só pra impressionar
o cara do caralho,
que, ao contrário dela,
estava em casa.
Diante da morte
é quando a gente,
já exausto de tanto
tentar ter as coisas,
se vira para a vida
e diz a ela,
olho no olho:
"enfia tudo isso no
cu".
E então partimos
aliviados rumo a
um céu ou inferno,
que até aquele
exato instante
são para
nós apenas
"supositórios".
terça-feira, 21 de junho de 2016
Ternura
mas logo me deixou só
ao descobrir que não
estou completo.
Sou um simples paletó.
sábado, 11 de junho de 2016
Pela rua
pela rua numa fria
manhã de inverno
quase piso no cocô
de cachorro.
Desvio, orgulho-me
de minha agilidade
e me compadeço
do caminhante
que passou por ali
antes de mim.
De certeza sobre
ele apenas uma
coisa:
calçava Nike, 39.
Liberdade
antes de mais um dia
monótono de trabalho
asasasasasasasas
descobriu uma porção
de asas
e saiu voando dali,
para nunca mais.
Manhã
que "a manhã surgiu como
um desabrochar de
madressilva".
E até há pouco,
eu nem sabia
o que era
madressilva.
Pensava se tratar
simplesmente
de uma freira com
sobrenome muito
comum. Só isso.
E assim, nem
percebi, de fato,
quão linda
estava aquela manhã
citada pela chata
poeta, pois tive
de deixar
o jardim para
ir pesquisar
lá dentro, no
Google, sobre
esse raio
de madressilva.
Ah, como uma
margaridinha
ou uma rosa seria
bem melhor para que
eu entendesse de
maneira simples
toda a beleza
daquela manhã, que
a poeta chata teimou
em atrapalhar.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Lupa na mão
agora vivemos dentro
desta casa um investigando
o outro. Nosso
Lar Doce Lar
transformou-se em
Holmes Sweet Holmes.
O silêncio, por tu 'meme'
meu amor,
quando da tua boca não
mais sair qualquer som,
dobre-se ao silêncio,
e assim resista ao emoticon,
que quer dizer tudo
sem dizendo nada.
Placas de trânsito
para o carona
que através
de carinhas
vai sendo conduzido
por alguém que
lhe permita apenas
assistir o que se
passa no trajeto,
sem poder
naquela hora
ter a liberdade
de escolher
seu próprio
caminho.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Descobertas
Uma palavra aqui,
uma imagem acolá
e a cada novidade
que de mim aflora,
sinto-me completa
"caixa de pandora".
Carne seca
mas não se esqueça de que para esses
sentimentos... sou vegetariano.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Viver o Hoje
plenamente o "Hoje".
Ciranda
60 milhões de brasileiros.
E no meio dela, todos os bancos.
A música começa e se espera
que quando ela parar de repente,
que várias pessoas consigam se sentar,
saudando suas dívidas. Só que a
música não para nunca.
É uma parlenda sem fim,
que diz assim:
- A Maria entrou no rotativo...
- Ah, não!?
- Juro, juro, juro.
- Juro, juro, juro.
- Ah, não!?
- Juro, juro, juro.
- Juro, juro, juro.
E desse jeito ninguém consegue
"falar um verso bem bonito,
dizer adeus, e ir se embora".
Pois nessa praça ilusória,
onde ocorre a ciranda,
o bom senso some,
e não há um que consiga
limpar em definitivo
o seu bendito nome.
No grupo
São grupos cuja acolhida cibernética parece doce,
mas que no final das contas é um limão que
na solidão eu chupo.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Seres errantes
o outro lado do oceano
me mostrou que a
arte está acima
das pequenas
frivolidades do
ser humano.
E que tudo está
perfeito, quando
acertamos,
mas muito mais
no que pensamos
que erramos.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Copo descartável
a me descartar como um
copo plástico.
Contudo, não lhe darei
o gosto do "creque-creque"
do esmagamento, pois
permanecerei calado
nessa hora derradeira,
só para você não saber
ao certo se voltará
a tomar dessa água.
quarta-feira, 18 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Cão
cachorro a grito,
refinei a voz.
Continuo vira-lata,
mas não lato mais.
Sou cão, banquinho
e violão. E mesmo
que numa esquina
eu te veja,
nunca mais
formarei contigo...
aquela nossa
antiga
dupla sertaneja.
sábado, 14 de maio de 2016
Uma quarta-feira qualquer
Hoje, nesta quarta-feira fria e chuvosa, queria ser um rapaz de escritório que vai se encontrar com a namorada no shopping ao final do expediente. E que ela chegasse maquiada, e que minha gravata estivesse ligeiramente em desalinho. E que nossos cabelos estivessem levemente desarrumados, e que lá no fundo exalássemos um ligeiro cheiro de suor consolidando mais um dia de trabalho.
E que nos sentássemos à mesa da praça de alimentação, um do ladinho do outro, contando banalidades do dia corporativo para que o outro as ouvisse com a atenção de quem escuta o anúncio de uma descoberta digna de Nobel.
E que depois, saíssemos dali abraçados para que todos pensassem que seguiríamos para um motel, embora, na realidade, cada um caminhasse para sua própria casa para comer sozinho um pedaço de pizza requentada assistindo ao Jornal da Globo.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Marcado
como sempre
quis.
Tinha traços
simples,
não uniformes,
era uma linda
cicatriz.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Despertar na praia
quinta-feira, 24 de março de 2016
Vacinas
é meio mãe da gente,
que nos ilude temporariamente
com a esperança,
como a mamãe o faz com a
criança antes da vacina.
Até que de repente,
vem a doída picada,
esfacelando o nosso sonho.
Só que um dia a gente
entende que as frustrações,
como as vacinas, são só
para o nosso bem.
terça-feira, 22 de março de 2016
Distante de si
sai enviesada,
como se se batesse à máquina
e não se escrevesse a
vida intangível em
carta de próprio punho.
segunda-feira, 14 de março de 2016
Zum-zum
que me sinto
um inseto
voando à
sua volta.
E, nessas horas,
o Chanel dela
me abate como
se fosse Detefon.
Sufoco urbano
construíram mais um
prédio enorme.
Agora, para ver o céu
ou deito no chão ou
arranjo um par de asas.
Esperança
no inverno da criação,
sabe esperar.
Ele olha o desarranjo
da vida da janela,
enquanto ouve o
chiar sistemático
da panela de pressão,
que é quase música
aos seus ouvidos,
na preparação lenta
de uma deliciosa
lata de leite condensado.
Brás
se descobre
com olhos de criança
ou na total desesperança.
Esperando tudo ou
com nada a esperar,
nem mesmo uma
mensagem no celular.
Busca
sábado, 12 de março de 2016
Dança das cadeiras
dançar com a vassoura não
é sinal de desprezo.
Pode ser apenas que
se dance com a moça
mais alta do baile.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Totalmente na dela
tão em si, tão desapaixonada por tudo e por todos,
é que a gente mais se apaixonava por ela.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Foto premiada
Boniteza
mas tão linda que ao
lado dela você
não pensava em
mais nada.
Aí ela ficava feia.
Violões
Uns vão para o palco.
Outros para o álcool.
Outros viram derradeiros
porretes.
E há até aqueles
que desafinadamente
insistem em tocar
algo.
E estes últimos são
o cacete.
Fétidos
a gravata do político
de Brasília e jura
que naquele instante
ouviu o barulho
de uma descarga
de banheiro.
Curtida
na rede
feito pikles,
na conserva,
para,
quem sabe
um dia,
degustá-la
sem reservas.
Fôlego
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Sempre Raul
os velhinhos dos asilos
desse país,
de norte a sul,
gritarão com força
ao solícito
coral filantrópico:
"Toca Raul!"
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Identidade que aflora
A coisa zangou quando
elas não quiseram mais
sair por aí feito
par de vaso.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Circo
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Formatos
em "RAW",
mas ela só quer que eu a pegue...
em "JPEG"...
E cada vez que lhe dou um trato,
ela some um pouquinho de mim.
Como sou patife, porque desde o
início não salvei nossa
relação em TIFF?