segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Incerteza
lavo a louça,
ponho a mesa,
deito e acordo,
pensando em quem
está longe,
sonhando com quem
está perto.
E se meu
coração
não é
alvo
pra cupido,
por via
das dúvidas,
como aveia
e chocolate
alpino,
pois, pior que
a falta
de um amor,
é se sentir
vazio,
mesmo tendo
o intestino
entupido.
Palavras leves
menos "Manoel de berros",
que vença a delicadeza,
assim espero.
sábado, 29 de novembro de 2014
Um pouco de ócio
ela, mão de vaca,
prosperam muito,
até que, sem o
mínimo lazer,
a vida perdeu
a graça.
Daí, meteram os
pés pelas
mãos, os dois,
e antes que
cada um buscasse
um novo pasto,
colocaram para
fora o que
só ruminavam.
Hoje são mais
felizes, trabalham menos,
viajam bastante,
e administram
uma grana que
dá pro gasto.
Espiã
disse a uma amiga:
- Eu queria ser uma mosquinha
só pra ver como ele está lá na festa...
E amiga respondeu:
- Eu queria mesmo era ser
um rinocerontão, só
pra avacalhar com tudo.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Bailarina
é uma bailarina
entediada,
que salta
de repente,
rumo à
ideia tão
almejada,
mas que às
vezes
roda, roda
e cai por
terra,
esparramada
no nada.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Chuva
e machucou
seu frágil joelhinho.
Aí chorou mais
ainda e inundou
toda a cidade,
que se antes
pedia de joelhos
pela chuva,
agora, também
de joelhos,
clama para que
ela pare de
chorar.
Trânsito
Dominó
deixou o tempo escasso.
Um dominó que
pede pedras
e não tolera
o simples "passo".
No Face
você se sente forte
como o Hulk,
mas na maior parte
do tempo percebe
ser um frustrado
Salieri em meio
a tantos Mozarts.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Santo 'modestinho'
Poesia fotográfica-sexual chula pra caramba
um diafragma
travado na abertura
f22, mas,
depois daquela
noite intensa
de amor,
passou a
fazer fotos
só no foco
seletivo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Rompante
sorriso amarelo,
mas amarelo
de camisa
da seleção
brasileira.
Deu bobeira,
entrei beijando
com "bala"
e tudo.
Em palpos de aranha
com paixão
que me incendeia.
Banheiro sem papel
virou inseto na
teia.
Então,
tive de limpar
com a meia.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Justiça em mim
me desentendo comigo.
Briga interna
até a exaustão,
que só termina
quando em mim
faço justiça com
a própria mão.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Vírus
sábado, 15 de novembro de 2014
Apimentar
a relação no sexo oral
que tiveram de
escovar os dentes
com Hipoglós
por vários dias.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Elefante
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Pensamentos
Nos remos um homem rústico,
de fala contida,
que levava uma linda dama,
recatada ao extremo,
silenciosa sob sua
sombrinha de rendas
brancas.
E nessa paisagem
preguiçosa de fim de tarde
ninguém imaginava
que o barqueiro calado
não via a hora
de, simplesmente,
caçoar um amigo
da vila.
Ninguém imaginava
também que a mulher
recatada tinha o
fundinho da
calcinha
molhado de
tanto tesão
despertado
pelo balançar
do barco,
pelo calor do vento
e pelos pensamentos
atrevidos
que teimavam em
povoar sua cabeça
desde que subira
naquela embarcação.
Transfor...mar
a ver navios.
Minhas mordidas
mordem o vazio.
Mas perto do mar
o vento apaga
o pavio,
transforma-se
em afeto o
que era cio,
e eu, feito
gato, parto
pra outros
telhados
sem lhe
arranhar a
e pele,
sem dar
um único
mio.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Saudade
e ela me encheu de porrada.
De repente veio tudo
do que eu pensei
já ser nada.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Subterfúgios
sempre encontre nisso
uma boa desculpa
para simplesmente
limpar aquela
teia de aranha
que há muito
se instalou no
cantinho do teto.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Depois da eleição no jardim
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Asteriscos
as estrelas
são asteriscos,
que não se
explicam
por si,
mas que me
remetem
a um pé de página
o qual eu ainda
não consegui
encontrar.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Sobre o acreditar
mas meus
orixás...
...preferem
café.
E até
São Benedito
quer assim.
Nesse sincretismo
religioso
nos sentamos
todos à mesa
eu (cavalo),
santos, anjos,
espíritos protetores,
zombeteiros,
demônios, enfim.
E apesar das
muitas crenças
toda a diferença
vira nada
assim que chega
à mesa uma porção
de rabanadas.
Doçura do céu
feita por algum
querubim,
que de tão amável
faz vistas grossas
àquele egoísta que,
sem dó, violenta
a nossa língua,
quase ordenando:
"sorte, vem ni mim".
.
sábado, 27 de setembro de 2014
Entre flores e sangue
usava Florais de Bach,
mas o que ela queria mesmo
era ser deflorada por um beque
ouvindo Sabbath.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Sobre o que talvez seja o amor
Será aquele mal-estar
por dentro causado pelo feijão?
Será aquela coisa ácida
gerada pela cebola,
mesmo horas depois
de tê-la comido?
Será desgrudar bala
Toffee dos dentes?
Ou será descolar
biscoito de polvilho
do céu da boca?
Não sei. Sinto apenas
que pelo teor
de minhas questões
ainda não me deparei
com o amor pleno
que, segundo amantes
peritos no assunto,
ele nos alimenta
sem nos constranger,
não perde o sabor
e sempre oferece
algo novo
a ser descoberto.
Dizem eles que
o amor é algo
que entra por todas
as frestas do corpo,
que também sai
por elas e
que lembra receita
de bolinho de chuva
deixada pela avó.
Aquela receita que quando precisamos
dela sabemos exatamente
onde encontrá-la:
no velho caderninho
surrado, de capa verde.
Receita que sabemos
onde está, que nos mostra
como fazer, mas que precisa
sempre de nosso empenho
para se realizar, uma vez
mais, a fim de que as tardes
chuvosas sejam realmente
inesquecíveis.
Desabrochar
o brocha,
some a cabrocha,
mulher não pinta.
E o único prazer
que sobra,
meu irmão,
é o 'demão'...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Eleições
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Sob o sol
para o sol se abrir lindo como nunca.
Não fiquei com dó do cavalinho,
nem de mim.
Resignei-me sob o sol e
lá fomos nós, eu e o cavalo,
alegres comer capim.
Dinossauro diferenciado
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Depois daquele (não) beijo
Tentou beijá-la 27 anos depois,
também não conseguiu.
Tempos depois, já bem velhinhos,
se encontraram um dia,
numa estação de trem.
Ela, então com a voz
bem fraquinha,
lhe disse:
"Você pode me beijar agora."
Mas ele, já bastante surdo,
nada ouviu.
Ficaram ali em silêncio
por mais alguns longos
minutos...
até que fossem "resgatados"
pelos filhos e netos
que chegaram afoitos,
muito preocupados com
mais uma fuga dos velhinhos
de suas monótonas vidas.
Abismo interior
quem num descuido
acabou caindo em sua
enorme vala reflexiva,
de onde nunca mais
conseguiu voltar.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Bonde da imaginação
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Abóbora
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Criança interior
Beijo
terça-feira, 22 de julho de 2014
Deduções
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Acolhimento
pelo jardim
e em vez de pousar
sobre o jasmim
ou a moita
de capim-cidreira
preferiu na hora
derradeira
a folha de boldo-do-chile,
apesar de seu
peculiar amargor.
É que ela sabia
que dentre todos
ali, era ele o
que mais carecia
de um pouquinho
de amor.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Diálogo cibernético
Lhe ofereço uma floresta
de conversa,
e você me retorna
com um simples
OK.
Leituras
são livros.
Abertos ou fechados
estão sempre ao
nosso lado.
E quando nos
desesperamos
com a solidão,
lá vão eles
nos mostrar
que se fechar
em si pode
ser o início
da imensidão.
No fundo do quintal
Transplante
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Livros, sempre eles.
E quando foi para embarcar
no avião da ignorância,
que assim que subiu
espatifou-se no chão,
não pôde. O que o salvou ?
Um providencial
"overbooking".
No Face
que até se esqueceu
que a própria melancolia
também tem seus truques.
Estraga prazeres
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Sufoco
na vida, cujo único desejo
que se tem é achar uma
lâmpada mágica
para retirar lá de dentro
um simples oxi-gênio.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Razão que atrapalha
te quero nua
a qualquer preço,
mas você está
sempre coberta de razão.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Pensei num livro/filme
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Necessidade de sentir a vida nas mãos
e de descobrir um mundo
de coisas que me pedem
paciência por depender
dos outros, sinto-me
de mãos atadas.
Quando o que eu queria mesmo
era ter madeiras,
pregos e um serrote
para fazer casinha
de cachorro, com
capricho, sentindo a
força e a realização
de meu trabalho
em cada movimento
da serra,
em cada martelada.
E que ao término,
de tão feliz,
eu dormisse
cansado dentro
dela,
sentindo na alma
e na aspereza das
mãos aquela
coisa boa
de quem fez
algo de verdadeiro,
Nossa política
Políticos.
Políticos.
Dinheiro.
Dinheiro.
Dinheiro.
Lavagem.
Lavagem.
Lavagem.
Porcos.
Porcos.
Porcos.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Vento
mais como Merthiolate
de antigamente,
saia correndo feito
cão que escapa
da corrente,
pois o mesmo
vento que refresca
também acende
o fogo novamente.
Espelho ou vidro espelhado?
como espelho ou
vidro espelhado?
Se brilharem como espelho,
em ti plenamente
me vejo.
Mas se forem
como dois
vidros espelhados,
de aço,
desconheço esse
alguém que só
me espreita
em tudo o que
faço.
Entressafra
safe-se
'safade-se'
colha frutos
de novas escolhas,
que a boa safra
logo chega
abundante,
novinha em folha.
Vaca amarela
e a vaca amarela,
até então calada,
depois de cagar
na panela
vestiu-se também
de verde e
passou a mugir
pelos cotovelos:
"Vai Brasil !"
E naquele dia,
somente os
jogadores
reverenciaram
a grama mais
do que ela.
sábado, 7 de junho de 2014
Pedido ao céu
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Sobre o ato de escrever
Não é conclusão,
é palpite.
E o negro do
lápis, com seu
grafite,
contrasta
bem mais
que a porra
no branco
inerte do
papel sulfite.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Quase palavras, quase silêncio
Meu amor é simples. Não tem champanhe, não tem vinho ou frutos do mar. Não tem passeios a Paris ou Nova York. Tem uma conversa quase silenciosa, à noite, em uma casa simples que insiste em ter jardim, e nossos olhares de cumplicidade são trocados na mesa da cozinha, enquanto tomamos café com leite quente, bolachas de nata e biscoitos de polvilho.
E nessa sintonia, as palavras nem sempre são fundamentais. De vez em quando, paramos de conversar para ouvirmos a chuva que cai sobre as folhas do pé de jasmim e assim, não precisamos de mais nada.
Fica no ar uma coisa enorme, quente, que penetra em nossas almas e que, ao mesmo tempo, tem a leveza e a fragilidade de uma bolha de sabão. Não sabemos se isso é o tal do amor, nem procuramos entendê-lo.
Percebemos apenas que estamos ali, e que, se alguém lá de cima, de algum ponto da galáxia, enxergar aqui na Terra um céu todo escuro nestes tempos tão conturbados, pelo menos nos esforçamos para que sobre nossa casa exista um pouco de luz.sexta-feira, 23 de maio de 2014
Letra R, nem pense em fazer greve.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Vai ou não vai ?
Do outro, vibrava um pessoal de verde e amarelo.
E, com o trânsito bloqueado na avenida Paulista,
começaram os dois grupos a bater bola,
bem no meio da pista,
diferenças de lado,
no maior 'love'.
A bola surgiu não sabe de onde,
e formando as traves
quatro singelos coquetéis molotov.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Árvore
pra apanhar uma fruta,
pra driblar cachorro
e enfim, lá de cima,
ganhar o sabor mais
doce na boca e, de quebra,
a imagem da vizinha
que, caprichosamente,
se despe na janela.
Agora, o que me resta
é comer a fruta e
quanto à menina...
lambê-la com a testa.
Tchau !
que ele tanto mordia se foi.
A garota que lhe dava
de costas, a ele deu de costas.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Céu previsível
anuncia-se com antecedência,
e ninguém mais cai na da
estrela cadente,
cuja queda não é
mais surpresa
pra ninguém.
Com tantos satélites
no espaço a investigar
a vida de astros e
estrelas, como se
fossem paparazzi,
olhando o céu,
o casal de namorados
não mais se comove.
E logo venderão
discos voadores
em loja
de um e noventaenOVNI.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Pichar
tão hermética que ele
próprio não entendeu.
Ficou ali horas e horas
boquiaberto.
Depois disso,
resolveu voltar
pra escola, e deixou
de pichar. Achou
formas mais interessantes
para se expressar.
Reflexão subindo a escada
das escadas, onde ninguém pisa.
Todo mundo pisa sempre
no meio do degrau,
e a ele fica aquela
sensação de que poderia
ter sido melhor aproveitado.
Pise em todo o degrau,
varie onde vai pisar, pois
os degraus, ao contrário
da gente, adoram ser
pisados.
Surpresas
ter surpresas,
senão vira coisa morta.
Tem de ter bombons,
flores e até
'buuu' atrás da porta.
sábado, 3 de maio de 2014
Goela abaixo
Como um sorvete revestido de
calda de chocolate ou caramelo.
Como um pão de queijo quente
tomado com uma xícara de
cappuccino em dia de inverno
e do sol mais belo.
Como chá de hortelã ou
suco de frutas vermelhas.
Agora, amor que desce
goela abaixo feito
jatobá desidratado
ou farofa no deserto,
não é amor
nem vai prender seu coração.
Pelo contrário,
prenderá seu intestino,
esteja certo !
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Amor em contratempo
Mas isso não bastava.
Queria namorá-lo, surpreendê-lo,
amá-lo profundamente,
para que ele, então saciado,
caísse no sono após a entrega
das horas. Assim, ela poderia
viver um pouco mais,
distante algum tempo
da 'vigília vigilante'
desse grande sedutor,
que a fascinava e a
possuía, dia após dia.
Contudo, o senhor tempo
nada de se apaixonar,
e ela, por fim,
depois de tanto
esperar, morreu.
Mas não morreu devido
à passagem do tempo.
Morreu, sim, foi de amor.
Na hora "h"
só que de táxi.
E na hora "h",
parecia haver
mais alguém ali,
um motorista,
um condutor.
Era como se um
sujeito se
virasse para
trás e perguntasse,
só pra ela:
"Vou pelo centro ou
prefere que eu pegue
a orla, meu amor ?"
terça-feira, 29 de abril de 2014
Avoado
que fujo de estilingue
e de vaga de emprego bilíngue.
Confundo dona Débora
com doce de abóbora.
E para mim, o amanhã
é o hoje com ansiedade.
E se a jovem tímida
fica vermelha de
pular amarelinha,
desprezo a objetividade
da agulha,
fico com a flexibilidade
da linha.
Que pode ser minha,
ser sua, não ser
de ninguém e
ficar só. Quando então
nos juntamos na
tentativa de salvá-la
de mais um
oportunista
nó.
Soltas por aí
não alimento mais
minhas poesias.
Deixo-as soltas no
ar.
E quando tiverem
fome, que vão
comer no bar.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Amor Retido na Fonte
feito Imposto de Renda
para ver a beleza que
escondia sob sua
fina malha.
Mas foi só depois,
já com o coração
escancarado,
que percebi
que melhor seria
um amor platônico,
desejo velado,
uma não declarada
paixão caixa dois.
Amor "plastônico"
Um sujeito solitário comprou uma boneca inflável numa das lojas da cidade. Ela se apaixonou por ele à primeira vista. Começaram uma relação intensa, centrada apenas no sexo, sem uma única troca de palavras. Tudo ia bem assim, até que ele se apaixonou por uma moça do escritório, uma boneca, essa de carne, ossos e boa conversa.
Aos poucos, ele foi deixando a boneca inflável de lado, até esquecê-la de vez. Certo dia, assim que ele chegou de mais um jantar animado com a moça do escritório, a boneca inflável não aguentou tamanho desprezo e estourou com ele, estourou também com si própria, e, após o "bum" final, pedaços de plástico voaram pela sala toda. Um deles caiu próximo a um joão-bobo que havia na casa, o qual alimentava um amor platônico pela boneca inflável, que acabara de morrer.
Diante da tragédia, o joão-bobo sentiu-se mais bobo ainda, se perguntando por que não se declarara para ela. Agora era tarde. Hoje, o ex-sujeito solitário vive um animado romance com a boneca linda do escritório e tudo indica que ele se esqueceu da tal boneca inflável. Já o joão-bobo frequentemente fica mais cheio que de costume, quando sua pressão sobe só de pensar na boneca inflável que ele tanto amou.
Vez ou outra, ele é flagrado mexendo a cabeça para baixo e para cima, de um lado para o outro, sem sair do lugar, lastimando sua falta de atitude. Já o casal de namorados atribui esse triste movimento do joão-bobo à corrente de ar que toda tarde invade o corredor da casa.
Contudo, aqui vai um segredo: esse vento inesperado gela a espinha do sujeito, que no fundo sente-se culpado. Ele encara essa rajada fria e cortante como o último suspiro da boneca chamando seu nome...
Sobre mudanças
Cachorros sempre hão de ficar pelo caminho,
como aquele seu falso companheiro
que num dos solavancos do caminhão
da vida foi arremessado para fora.
Na hora você se assustou,
pensou até em voltar atrás,
mas ao chegar na nova casa
viu que ele era totalmente
dispensável.
domingo, 13 de abril de 2014
Voz liberta !
e gol do Brasil !!!
Ele não aguentou a emoção
e soltou a voz, que nunca mais
voltou. Uma vez liberta,
ela, que detestava
viver cativa dentro
de um sujeito que só
contava vantagens,
foi andar solta no mundo
colocando 'fiu-fiu'
na boca de jovens
românticos, fazendo
papel de cupido.
sábado, 12 de abril de 2014
Perdido
na Freguesia do Ó:
na cabeça
dá um nó,
no peito
dá um dó,
no sapato
fica pó,
na mente,
conselho de vó,
saudade de pão de ló
e uma certeza só:
a de não saber
nem o "ó" do
borogodó.
Quando tudo parece tremer
precisasse de um terremoto,
de um tsnunami,
para que no meio
de lágrimas e dos escombros
um olhasse ao
outro e gritasse desesperado:
"Esqueça tudo, me tire
daqui, salve minha vida ou
simplesmente me ame".
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Meia verdade
como andar de
monociclo.
Pois se você
se esforçar
um pouco conseguirá
chegar aonde queria
sem o auxílio
da ilusória
segurança da
bicicleta da
completa verdade.
Lágrimas de cebola frustrada
sem talento para atriz. Assim,
não conseguia fazer ninguém
chorar com suas fracas atuações.
Não emocionava, não comovia.
Por causa disso,
no silêncio da cozinha
chorava sozinha, e, vez ou outra,
não aguentava os insultos
do companheiro e o mandava,
sem cerimônia,
para a casa do car-alho.
Espírito de Copa
então, como bom
brasileiro, colocou
o "coração na ponta
da chuteira".
De repente,
tropicou em um
buraco que havia no campo e...
enfartou.
sexta-feira, 28 de março de 2014
I wish
é confuso.
Nego um desejo
que I wish,
e quando me
emociono
não choro...
grito "vixe".
terça-feira, 25 de março de 2014
Instinto
atrapalha o cinto,
ajuda o vinho, tinto,
dói o pinto
e, em vez da verdade,
minto.