segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Incerteza

De incerteza em incerteza,
lavo a louça,
ponho a mesa,
deito e acordo,
pensando em quem
está longe,
sonhando com quem 
está perto.
E se meu 
coração 
não é 
alvo 
pra cupido,
por via
das dúvidas,
como aveia
e chocolate
alpino,
pois, pior que 
a falta 
de um amor, 
é se sentir 
vazio,
mesmo tendo
o intestino
entupido.

Palavras leves

Mais Manoel de Barros, 
menos "Manoel de berros",
que vença a delicadeza,
assim espero.

sábado, 29 de novembro de 2014

Um pouco de ócio

Ele era pé de boi, 
ela, mão de vaca,
prosperam muito,
até que, sem o 
mínimo lazer,
a vida perdeu 
a graça.
Daí, meteram os
pés pelas
mãos, os dois,
e antes que 
cada um buscasse
um novo pasto,
colocaram para
fora o que 
só ruminavam.
Hoje são mais
felizes, trabalham menos,
viajam bastante,
e administram 
uma grana que
dá pro gasto.

Espiã

Após ser abandonada,
disse a uma amiga:
- Eu queria ser uma mosquinha
só pra ver como ele está lá na festa...
E amiga respondeu:
- Eu queria mesmo era ser
um rinocerontão, só
pra avacalhar com tudo.

Domingo

Hoje essa festa 
na laje sai. 
Quer você
(churras)queira
quer não.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Bailarina

A esperança
é uma bailarina 
entediada,
que salta
de repente, 
rumo à
ideia tão
almejada,
mas que às
vezes
roda, roda
e cai por
terra,
esparramada
no nada.

Essa aí passou

Amor é o que fica,
quando, logo depois,
não se chora o 
leite derramado...
pela pica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sobre a vida

Há quem troque sua velha vida
por uma novinha em folha,
só que financiada.

Chuva

A chuva caiu com tudo, 
e machucou 
seu frágil joelhinho.
Aí chorou mais 
ainda e inundou 
toda a cidade,
que se antes
pedia de joelhos
pela chuva,
agora, também
de joelhos,
clama para que
ela pare de 
chorar. 

Trânsito

Aquele encanador que subiu a rua assobiando tornou meu dia mais leve. O motorista do ônibus que ouvia bossa nova em vez das porcarias costumeiras, também. Aquela cobertura de chocolate sobre o sorvete, que quebrei com os dentes, me trouxe alegria. E o sorriso da balconista foi demais. Assim, quando vi aqueles dois motoristas brigando no trânsito por bobagem já estava vacinado contra essa mediocridade. Eles, aos sopapos, só me fizeram lembrar do seriado do Batman, e também me chamaram a atenção para a palavra catiripapo, que parece doer menos do que a palavra soco. Enfim, deixei o pau comendo e segui tranquilo adiante, afinal, meu sorvete estava no fim e tinha de administrar isso, em vez de entrar naquela sintonia dos dois garotos mimados, que no fundo, queriam mesmo era um sorvete de chocolate e, quem sabe, chamar a atenção da linda balconista.

Dominó

A urgência tecnológica
deixou o tempo escasso.
Um dominó que 
pede pedras 
não tolera
o simples "passo".

Autoestima

Se sua autoestima
for baixa
meta um saltão
nela e vá em frente.

No Face

Às vezes, no Facebook,
você se sente forte 
como o Hulk,
mas na maior parte 
do tempo percebe
ser um frustrado
Salieri em meio
a tantos Mozarts.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Santo 'modestinho'

A porta fechada, e a chave sabe-se lá onde a meti. Reviro bolsos, vasculho o chão, e nada da bandida. Superada a crise de desespero, sento-me no meio-fio e começo a matutar. Quem poderia me ajudar nessa empreitada de abrir a porta? Penso em recorrer a vários santos, mas descarto São Longuinho por achar um tanto piegas. Não o santo em si, mas os três pulinhos que teria de dar assim que a chave fosse encontrada. Comecei a fazer uma pesquisa dos santos que conheço e descobri que queria um santo diferente. Não como esses que estão aí nos altares, andores e nos famosos "santinhos", que hoje já podem ser considerados "selfies" dessas santidades.
Queria um santo que não se ocupasse dos grandes feitos, que não tivesse como vocação cuidar das coisas profundas do corpo e da alma, que não ostentasse o slogan de "santo das causas impossíveis", que não fosse colocado de cabeça para baixo até que fizesse o milagre, que não carregasse títulos como "advogado dos injustiçados", "alento dos aflitos", "companheiro dos abandonados", etc, etc.
Queria um santo mais modesto, que não fosse reconhecido nem pelos outros santos ou pelas várias igrejas existentes. Que não tivesse seu dia no calendário religioso, e que descansasse nos finais de semana. Que tivesse tido uma morte natural, diferentemente de quase todos os outros, sempre martirizados até o final. Que nos simpósios lá no céu buscasse seu cantinho numa boa, tranquilo, bem longe do fervilhante palco e das várias demonstrações ambiciosas dos milagres feitos pelos santos de elite no ano anterior mundo afora. 
Esse meu santo não jogaria com a camisa dez. Mas também não usaria aqueles números enjoados que hoje se vê no futebol, do tipo 99, 86, 77 enfim. Esse meu santo de devoção pegaria modestamente a camisa que o treinador celestial lhe jogasse nas mãos, um número 5 ou 6, por exemplo. Jogaria pelo meio campo. Seria um carregador de piano, voluntarioso.
Esse meu santo jamais estaria por detrás de grandes milagres, como um pouso forçado de um avião, sem vítimas, ou o resgate de mineiros soterrados há vários metros de profundidade. Também não arrumaria casamento dos sonhos, não sanaria dívida gigantesca de cartão de crédito, nem seria o responsável por conseguir os primeiros lugares em concursos públicos ou em faculdades federais. Ninguém teria sua imagem na medalhinha nem na carteira, e ele não contaria com nenhuma igreja que o exaltasse. Nem uma oração específica sequer ele teria. Também não adotariam seu nome para batizar crianças, ruas, açougues, mercadinhos e afins.  
Ele seria das causas modestas e entraria em ação quando o sujeito bufasse com raiva, com medo, meio perdido diante de um problema, dobrando-se totalmente ao que de verdadeiramente humano existisse dentro dele. Esse santo tímido ajudaria, por exemplo, um aluno relapso a tirar nota "C" na prova, fugindo de notas piores. Lembraria uma dona da casa de que a hora de desligar o feijão no fogo se aproximava. Salvaria um pobre ratinho das garras de um gato, já bem alimentado com ração de primeira. 
Ele também confortaria aqueles que tivessem acabado de meter a canela no cantinho da cama, consolaria quem houvesse colocado sal em demasia na sopa e aliviaria o leve sofrimento de quem tivesse deixado cair xampu nos olhos na hora do banho. Fortaleceria ainda o ânimo dos que estivessem vivendo uma desconfortável diarreia ou que, com a bexiga muito cheia, procurasse a todo custo o banheiro mais próximo para fazer xixi, sem comprometer as calças. 
Enfim, diante da porta fechada, busco um santo que não tenha superpoderes. Ele nem precisa me achar a chave. Basta apenas que me entretenha por algum tempo, livrando-me do desejo ardente de pedir emprestado ao vizinho um pé-de-cabra, o que aliviaria, apenas momentaneamente, parte das minhas frustrações, colocaria minha ira pra fora, mas que depois me faria não dormir à noite, vigiando a porta toda arrebentada.
Desejo um santo que seja como a gente, que não cure todas as chagas, mas que, com um pouco de boa vontade, alivie as dores cotidianas e quase esquecidas de todos nós, passando sobre elas, não o bálsamo imponente dos céus, mas apenas um pouquinho do bom, eficiente e velho conhecido Hipoglós.



Poesia fotográfica-sexual chula pra caramba

O hímen dela era
um diafragma 
travado na abertura
f22, mas,
depois daquela
noite intensa
de amor,
passou a 
fazer fotos
só no foco 
seletivo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Bê-a-bá

Não passou do
bê-a-bá
porque passou 
a
bê-(a)-bê.

Soltar

Eu era só razão
e nada ia,
até que...
despirOK.

Rompante

Ela tinha o 
sorriso amarelo,
mas amarelo
de camisa
da seleção
brasileira.
Deu bobeira,
entrei beijando
com "bala"
e tudo.

Em palpos de aranha

Misturei aveia
com paixão
que me incendeia.
Banheiro sem papel
virou inseto na
teia.
Então, 
tive de limpar
com a meia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Justiça em mim

Se eu tentar te entender,
me desentendo comigo.
Briga interna
até a exaustão,
que só termina
quando em mim
faço justiça com 
a própria mão.



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vírus

De repente, um vírus atacou seu computador, mandando somente a palavrinha "cu" para todos os seus contatos na rede social. Quando se deu conta do problema, já havia comido uns cinco. 

sábado, 15 de novembro de 2014

Apimentar

Apimentaram tanto 
a relação no sexo oral 
que tiveram de 
escovar os dentes
com Hipoglós
por vários dias.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Elefante

O elefante moderno usa aparelho nas presas de marfim, alargadores nas orelhas e sutis tatuagem de 30cm x 30cm, contudo, ainda morre de medo quando vê um mouse.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pensamentos

Passou um barco ao longe.
Nos remos um homem rústico,
de fala contida,
que levava uma linda dama,
recatada ao extremo,
silenciosa sob sua 
sombrinha de rendas 
brancas. 
E nessa paisagem
preguiçosa de fim de tarde
ninguém imaginava
que o barqueiro calado
não via a hora 
de, simplesmente,
caçoar um amigo
da vila. 
Ninguém imaginava
também que a mulher
recatada tinha o 
fundinho da
calcinha
molhado de 
tanto tesão
despertado
pelo balançar 
do barco,
pelo calor do vento
pelos pensamentos
atrevidos 
que teimavam em 
povoar sua cabeça
desde que subira
naquela embarcação.

Transfor...mar

Você me deixa no cais
a ver navios.
Minhas mordidas
mordem o vazio.
Mas perto do mar
o vento apaga
o pavio,
transforma-se
em afeto o 
que era cio,
e eu, feito
gato, parto
pra outros 
telhados
sem lhe 
arranhar a
e pele,
sem dar
um único 
mio.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Saudade

Deixei a saudade entrar
e ela me encheu de porrada.
De repente veio tudo
do que eu pensei 
já ser nada.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Subterfúgios

Há quem, subindo pelas paredes,
sempre encontre nisso 
uma boa desculpa
para simplesmente
limpar aquela 
teia de aranha
que há muito 
se instalou no 
cantinho do teto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dúvida

Quando bate a tristeza,
quem me assopra?

Depois da eleição no jardim

Alguém inventou de fazer uma eleição para saber qual flor mandaria no jardim. E depois disso uma corrida louca pelo poder tomou conta de todas elas. Terminada a votação, ganhou uma flor, talvez a rosa, a margarida, enfim, o nome da vencedora não importa. Mas só o fato de ter havido essa eleição quebrou a naturalidade das coisas, destruiu a harmonia do jardim e a boa convivência da diversidade que cada uma delas oferecia. Essa flor que hoje está no poder reina, porém, sempre cercada por uma porção de ervas daninhas, que exaurem o solo, e para as quais a delicadeza de uma pétala nada representa, perfume e gotas de orvalho são bobagens e borboletas e pássaros, que quase já não passam mais por ali, são elementos de oposição a serem eliminados onde quer que estejam. Ah, a eleição também corrompeu o jardineiro que, diante de tanto mato, desistiu, se acomodou e até respira aliviado de não ter mais de adubar a terra, de fazer a poda, de fofar a terra. Que pena. Era uma vez um jardim. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Cabisbaixo

Céu,
luar.
Não ligo
mais pra eles
assim que ligo
meu 
celular.

Caça

No mato
sem cachorro,
cem cachorros
uma caça.
Isso é conta
que se faça?

Asteriscos

No meu céu
as estrelas
são asteriscos,
que não se 
explicam 
por si, 
mas que me 
remetem
a um pé de página
o qual eu ainda
não consegui
encontrar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sobre o acreditar

Tenho fé,
mas meus
orixás...

...preferem
café.

E até 
São Benedito
quer assim.

Nesse sincretismo
religioso
nos sentamos 
todos à mesa
eu (cavalo),
santos, anjos,
espíritos protetores,
zombeteiros,
demônios, enfim.

E apesar das
muitas crenças
toda a diferença
vira nada
assim que chega
à mesa uma porção
de rabanadas.

Doçura do céu
feita por algum 
querubim,
que de tão amável
faz vistas grossas
àquele egoísta que,
sem dó, violenta 
a nossa língua, 
quase ordenando:
"sorte, vem ni mim".
.

sábado, 27 de setembro de 2014

Entre flores e sangue

Ele ouvia Bach,
usava Florais de Bach,
mas o que ela queria mesmo
era ser deflorada por um beque
ouvindo Sabbath.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sobre o que talvez seja o amor

O que será o amor?
Será aquele mal-estar
por dentro causado pelo feijão?
Será aquela coisa ácida
gerada pela cebola,
mesmo horas depois
de tê-la comido?
Será desgrudar bala
Toffee dos dentes?
Ou será descolar
biscoito de polvilho 
do céu da boca?
Não sei. Sinto apenas
que pelo teor
de minhas questões
ainda não me deparei
com o amor pleno
que, segundo amantes
peritos no assunto,
ele nos alimenta 
sem nos constranger,
não perde o sabor
e sempre oferece
algo novo
a ser descoberto.
Dizem eles que
o amor é algo 
que entra por todas 
as frestas do corpo,
que também sai
por elas e
que lembra receita
de bolinho de chuva
deixada pela avó.
Aquela receita que quando precisamos
dela sabemos exatamente 
onde encontrá-la:
no velho caderninho 
surrado, de capa verde.
Receita que sabemos
onde está, que nos mostra
como fazer, mas que precisa
sempre de nosso empenho
para se realizar, uma vez
mais, a fim de que as tardes
chuvosas sejam realmente
inesquecíveis.

Desabrochar

Quando desabrocha
o brocha,
some a cabrocha,
mulher não pinta.
E o único prazer
que sobra,
meu irmão,
é o 'demão'...


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ausência

Era um pai tão ausente, 
que quando se fez presente 
nem a curiosidade de 
abrir o pacote tiveram.

Botão

Ah como eu queria o seu colo,
mesmo sabendo que para
você sou o botão de cima
de uma camisa polo,
que aberto só serve de 
enfeite, e fechado
deixa quem veste
com cara de tolo. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Eleições

Quando chega o período das eleições e pensamos que a luz da democracia vai se fazer mais forte, o que vemos é um eclipse, e em meio à escuridão presenciamos um mundo de "ratos" oportunistas que saem de tudo quanto é buraco destruindo um país.  

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Sob o sol

Foi eu tirar meu cavalinho da chuva
para o sol se abrir lindo como nunca.
Não fiquei com dó do cavalinho,
nem de mim. 
Resignei-me sob o sol e
lá fomos nós, eu e o cavalo,
alegres comer capim.

Dinossauro diferenciado

Aquele dinossauro estava comendo mais gente que os outros. É que ele tinha um diferencial competitivo, pois havia feito MBA (in)gestão de pessoas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Depois daquele (não) beijo

Tentou beijá-la um dia, não conseguiu.
Tentou beijá-la 27 anos depois,
também não conseguiu.
Tempos depois, já bem velhinhos,
se encontraram um dia,
numa estação de trem.
Ela, então com a voz 
bem fraquinha,
lhe disse:
"Você pode me beijar agora."
Mas ele, já bastante surdo,
nada ouviu.
Ficaram ali em silêncio
por mais alguns longos
minutos...
até que fossem "resgatados"
pelos filhos e netos
que chegaram afoitos,
muito preocupados com 
mais uma fuga dos velhinhos
de suas monótonas vidas.

Abismo interior

Escreveu algo tão profundo,
quem num descuido
acabou caindo em sua
enorme vala reflexiva,
de onde nunca mais 
conseguiu voltar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Bonde da imaginação

Ele escrevia tudo sem acento, 
por isso, todos iam em pé
em seu bonde da imaginação.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Abóbora

Era uma vez uma abóbora que experimentou ser carruagem por apenas algumas horas. Diante da maravilhosa experiência, não quis mais viver atrelada ao chão. Entregou-se em sacrifício. Foi ao fogo, recebeu açúcar, cravo e canela, e sentiu-se feliz de morrer assim, para quem sabe, ter uma vida mais emocionante no mundo dos contos de fadas. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Criança interior

Depois de muita terapia, conseguiu libertar sua criança interior. Ela, assim que se viu fora dele, deu um suspiro de alívio e 'pernas pra que vos quero' pelo mundo. Ele, hoje mais sisudo do que nunca, processa a terapeuta, que aliás, ele não sabe, acolheu de bom grado essa criança em seu lar, que hoje se sente bem resolvida e muito feliz. 

Beijo

Uma boca nunca beijada, 
só na imaginação, 
faz o tempo parar
e voltar na contramão.
Fica aquela sensação de quase,
de como teria sido. 
Vai-se a linda moça
com seu sorriso, 
mas o gosto do beijo
nunca dado
fica inteirinho comigo. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Deduções

Viu que um inimigo seu escreveu na internet sobre "a força do pedrão". Deduziu que o inimigo não sabia escrever direito e deu risadas. Poucos dias depois, morreu esmagado por uma grande pedra.  

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Acolhimento

A borboleta passou
pelo jardim 
e em vez de pousar
sobre o jasmim
ou a moita 
de capim-cidreira
preferiu na hora 
derradeira 
a folha de boldo-do-chile,
apesar de seu
peculiar amargor.
É que ela sabia
que dentre todos
ali, era ele o 
que mais carecia
de um pouquinho
de amor.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Diálogo cibernético

Me sinto meio lobo-guará.
Lhe ofereço uma floresta
de conversa,
e você me retorna
com um simples 
OK.

Leituras

Bons amigos 
são livros.
Abertos ou fechados
estão sempre ao 
nosso lado.
E quando nos
desesperamos
com a solidão, 
lá vão eles
nos mostrar
que se fechar
em si pode
ser o início
da imensidão.

No fundo do quintal

Dona Sophia foi plantar um roseira, no fundo do quintal, e encontrou um esqueleto. A rosa floresce lindamente e o cachorro dela agora tem provisão para um bom tempo.

Carícias

Mão boba
debaixo da coberta
deixa de ser boba,
fica toda esperta.

Transplante

Apaixonado, entregou seu coração a ela, que rapidinho o transplantou em uma agonizante amizade. Hoje, vivem um intenso romance. O dono do coração ? Ah, o dono do coração morreu. Pelo menos pra ela.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Livros, sempre eles.

Amava livros. Vivia lendo.
E quando foi para embarcar
no avião da ignorância,
que assim que subiu
espatifou-se no chão,
não pôde. O que o salvou ?
Um providencial
"overbooking".

No Face

Viu-se tão feliz no Facebook
que até se esqueceu 
que a própria melancolia
também tem seus truques. 

Estraga prazeres

Amava futebol. Casou-se com exímia vidente. E como ficou chato acompanhar cobranças de pênalti ao lado dela.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sufoco

Há momentos tão sufocantes 
na vida, cujo único desejo
que se tem é achar uma
lâmpada mágica
para retirar lá de dentro 
um simples oxi-gênio. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Razão que atrapalha

Eu com minha loucura
te quero nua
a qualquer preço, 
mas você está 
sempre coberta de razão.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pensei num livro/filme

Pensei num livro/filme em que uma mulher se apaixona por um sujeito preguiçoso e muito sedentário. Ela quer ficar bonita para ele, por isso, começa a se exercitar em casa, simulando longas caminhadas em sua lavanderia e também na academia que frequenta. Ele, apenas na inércia. O tempo passa, ela fica cada vez mais em forma, e ele morre de um infarto fulminante. Assim, não conseguem ficar juntos por muito tempo. O título: "A culpa é das esteiras".

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Necessidade de sentir a vida nas mãos

Depois de tanto pensar
e de descobrir um mundo
de coisas que me pedem 
paciência por depender 
dos outros, sinto-me 
de mãos atadas.
Quando o que eu queria mesmo
era ter madeiras,
pregos e um serrote
para fazer casinha 
de cachorro, com 
capricho, sentindo a
força e a realização 
de meu trabalho
em cada movimento
da serra, 
em cada martelada.
E que ao término,
de tão feliz,
eu dormisse
cansado dentro
dela
sentindo na alma
e na aspereza das
mãos aquela
coisa boa
de quem fez 
algo de verdadeiro,
após vencer a incômoda coceira
das pulgas mentais da
ansiedade, do
desânimo e do medo.


Nossa política

Políticos.
Políticos.
Políticos.
Dinheiro.
Dinheiro.
Dinheiro.
Lavagem.
Lavagem.
Lavagem.
Porcos.
Porcos.
Porcos.

Se achando

Achava-se uma sumidade.
Sumiu sem deixar saudade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vento

Se a chama não arde
mais como Merthiolate
de antigamente,
saia correndo feito 
cão que escapa 
da corrente,
pois o mesmo
vento que refresca
também acende
o fogo novamente.

Espelho ou vidro espelhado?

Seus olhos brilham 
como espelho ou
vidro espelhado?
Se brilharem como espelho,
em ti plenamente 
me vejo.
Mas se forem 
como dois 
vidros espelhados,
de aço,
desconheço esse
alguém que só
me espreita
em tudo o que
faço.

Entressafra

Na entressafra
safe-se
'safade-se'
colha frutos
de novas escolhas,
que a boa safra
logo chega
abundante,
novinha em folha.

Vaca amarela

Era época de Copa
e a vaca amarela,
até então calada,
depois de cagar 
na panela
vestiu-se também
de verde e
passou a mugir 
pelos cotovelos:
"Vai Brasil !"
E naquele dia,
somente os
jogadores
reverenciaram 
grama mais 
do que ela.

sábado, 7 de junho de 2014

Pedido ao céu

Era uma vez, um sujeito apaixonado que olhava atento para o céu em noite estrelada. Buscava uma estrela cadente para, ao vê-la, fazer um pedido. De repente, um ponto luminoso começou a se mexer lá em cima. Só que não era uma estrela. Era um satélite, e o pobre moço apaixonado, vendo que estava fora do alcance do satélite lhe trazer a moça tão desejada, adequou o pedido e pediu apenas que o tal satélite, dentro do que lhe competia, que lhe abrisse os canais de filmes de seu pacote básico de TV por assinatura. E, por estranho que possa parecer, esses tais canais se abriram e, por tabela, lhe veio a namorada. Talvez ela também esteja no pacote ou então seja um agrado da estrela cadente na tentativa de conquistar o solícito satélite.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sobre o ato de escrever

Escrever é punheta.
Não é conclusão,
é palpite.
E o negro do 
lápis, com seu 
grafite,
contrasta
bem mais 
que a porra
no branco 
inerte do 
papel sulfite.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Quase palavras, quase silêncio

Meu amor é simples. Não tem champanhe, não tem vinho ou frutos do mar. Não tem passeios a Paris ou Nova York. Tem uma conversa quase silenciosa, à noite, em uma casa simples que insiste em ter jardim, e nossos olhares de cumplicidade são trocados na mesa da cozinha, enquanto tomamos café com leite quente, bolachas de nata e biscoitos de polvilho.

E nessa sintonia, as palavras nem sempre são fundamentais. De vez em quando, paramos de conversar para ouvirmos a chuva que cai sobre as folhas do pé de jasmim e assim, não precisamos de mais nada.

Fica no ar uma coisa enorme, quente, que penetra em nossas almas e que, ao mesmo tempo, tem a leveza e a fragilidade de uma bolha de sabão. Não sabemos se isso é o tal do amor, nem procuramos entendê-lo.

Percebemos apenas que estamos ali, e que, se alguém lá de cima, de algum ponto da galáxia, enxergar aqui na Terra um céu todo escuro nestes tempos tão conturbados, pelo menos nos esforçamos para que sobre nossa casa exista um pouco de luz. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A rifa do poeta

Nunca compre uma rifa de um poeta, pois o prêmio é sempre intangível. 

Letra R, nem pense em fazer greve.

Em meio a tantos temores às vésperas da Copa do Mundo, temo ainda uma greve da letra "R", e a tristeza de um povo sem poder gritar Gol do BRRRRRRRRASIL !

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vai ou não vai ?

De um lado, um grupo gritava "Não vai ter Copa".
Do outro, vibrava um pessoal de verde e amarelo.
E, com o trânsito bloqueado na avenida Paulista,
começaram os dois grupos a bater bola,
bem no meio da pista, 
diferenças de lado,
no maior 'love'.
A bola surgiu não sabe de onde,
e formando as traves
quatro singelos coquetéis molotov. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Árvore

Vontade de subir em árvore
pra apanhar uma fruta,
pra driblar cachorro 
e enfim, lá de cima,
ganhar o sabor mais 
doce na boca e, de quebra,
a imagem da vizinha 
que, caprichosamente, 
se despe na janela.
Agora, o que me resta
é comer a fruta e
quanto à menina...
lambê-la com a testa.

Tchau !

De repente, aquela nuca
que ele tanto mordia se foi.
A garota que lhe dava
de costas, a ele deu de costas.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Céu previsível

A chuva de meteoro 
anuncia-se com antecedência,
e ninguém mais cai na da
estrela cadente,
cuja queda não é 
mais surpresa 
pra ninguém.
Com tantos satélites
no espaço a investigar
a vida de astros e
estrelas, como se 
fossem paparazzi,
olhando o céu,
o casal de namorados
não mais se comove.
E logo venderão
discos voadores
em loja 
de um e noventaenOVNI.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Pichar

Pichou uma mensagem
tão hermética que ele 
próprio não entendeu. 
Ficou ali horas e horas
boquiaberto. 
Depois disso, 
resolveu voltar
pra escola, e deixou
de pichar. Achou 
formas mais interessantes
para se expressar.

Reflexão subindo a escada

Pise naqueles cantinhos
das escadas, onde ninguém pisa.
Todo mundo pisa sempre 
no meio do degrau,
e a ele fica aquela
sensação de que poderia
ter sido melhor aproveitado.
Pise em todo o degrau,
varie onde vai pisar, pois
os degraus, ao contrário 
da gente, adoram ser
pisados.


Surpresas

Amor de verdade tem que 
ter surpresas,
senão vira coisa morta.
Tem de ter bombons,
flores e até
'buuu' atrás da porta.

sábado, 3 de maio de 2014

Goela abaixo

O amor tem que ser sorvido gostoso.
Como um sorvete revestido de
calda de chocolate ou caramelo.
Como um pão de queijo quente
tomado com uma xícara de
cappuccino em dia de inverno 
e do sol mais belo. 
Como chá de hortelã ou
suco de frutas vermelhas.
Agora, amor que desce
goela abaixo feito 
jatobá desidratado
ou farofa no deserto,
não é amor
nem vai prender seu coração.
Pelo contrário, 
prenderá seu intestino,
esteja certo !  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Amor em contratempo

Ela tinha o tempo como seu amigo.
Mas isso não bastava.
Queria namorá-lo, surpreendê-lo, 
amá-lo profundamente, 
para que ele, então saciado,
caísse no sono após a entrega
das horas. Assim, ela poderia
viver um pouco mais,
distante algum tempo
da 'vigília vigilante'
desse grande sedutor,
que a fascinava e a
possuía, dia após dia.
Contudo, o senhor tempo
nada de se apaixonar,
e ela, por fim,
depois de tanto
esperar, morreu.
Mas não morreu devido
à passagem do tempo.
Morreu, sim, foi de amor.

Na hora "h"

Ele a levou ao orgasmo, 
só que de táxi. 
E na hora "h", 
parecia haver
mais alguém ali,
um motorista,
um condutor.
Era como se um
sujeito se
virasse para 
trás e perguntasse,
só pra ela:
"Vou pelo centro ou
prefere que eu pegue 
a orla, meu amor ?"


terça-feira, 29 de abril de 2014

Avoado

Eu ando tão avoado
que fujo de estilingue
e de vaga de emprego bilíngue.
Confundo dona Débora
com doce de abóbora.
E para mim, o amanhã
é o hoje com ansiedade.
E se a jovem tímida
fica vermelha de
pular amarelinha,
desprezo a objetividade
da agulha,
fico com a flexibilidade
da linha.
Que pode ser minha,
ser sua, não ser 
de ninguém e
ficar só. Quando então
nos juntamos na
tentativa de salvá-la
de mais um 
oportunista
nó.


Soltas por aí

Depois de criadas,
não alimento mais 
minhas poesias.
Deixo-as soltas no 
ar.
E quando tiverem 
fome, que vão 
comer no bar.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Amor Retido na Fonte

Eu me declarei a ela, 
feito Imposto de Renda
para ver a beleza que
escondia sob sua 
fina malha.
Mas foi só depois,
já com o coração 
escancarado,
que percebi
que melhor seria
um amor platônico,
desejo velado, 
uma não declarada 
paixão caixa dois.

Amor "plastônico"

Um sujeito solitário comprou uma boneca inflável numa das lojas da cidade. Ela se apaixonou por ele à primeira vista. Começaram uma relação intensa, centrada apenas no sexo, sem uma única troca de palavras. Tudo ia bem assim, até que ele se apaixonou por uma moça do escritório, uma boneca, essa de carne, ossos e boa conversa.

Aos poucos, ele foi deixando a boneca inflável de lado, até esquecê-la de vez. Certo dia, assim que ele chegou de mais um jantar animado com a moça do escritório, a boneca inflável não aguentou tamanho desprezo e estourou com ele, estourou também com si própria, e, após o "bum" final, pedaços de plástico voaram pela sala toda. Um deles caiu próximo a um joão-bobo que havia na casa, o qual alimentava um amor platônico pela boneca inflável, que acabara de morrer.

Diante da tragédia, o joão-bobo sentiu-se mais bobo ainda, se perguntando por que não se declarara para ela. Agora era tarde. Hoje, o ex-sujeito solitário vive um animado romance com a boneca linda do escritório e tudo indica que ele se esqueceu da tal boneca inflável. Já o joão-bobo frequentemente fica mais cheio que de costume, quando sua pressão sobe só de pensar na boneca inflável que ele tanto amou.

Vez ou outra, ele é flagrado mexendo a cabeça para baixo e para cima, de um lado para o outro, sem sair do lugar, lastimando sua falta de atitude. Já o casal de namorados atribui esse triste movimento do joão-bobo à corrente de ar que toda tarde invade o corredor da casa.

Contudo, aqui vai um segredo: esse vento inesperado gela a espinha do sujeito, que no fundo sente-se culpado. Ele encara essa rajada fria e cortante como o último suspiro da boneca chamando seu nome...

Sobre mudanças

Não tenha medo das mudanças, garota.
Cachorros sempre hão de ficar pelo caminho,
como aquele seu falso companheiro
que num dos solavancos do caminhão 
da vida foi arremessado para fora.
Na hora você se assustou,
pensou até em voltar atrás,
mas ao chegar na nova casa
viu que ele era totalmente
dispensável. 

domingo, 13 de abril de 2014

Voz liberta !

Época de Copa do Mundo
e gol do Brasil !!!
Ele não aguentou a emoção
e soltou a voz, que nunca mais 
voltou. Uma vez liberta,
ela, que detestava 
viver cativa dentro 
de um sujeito que só
contava vantagens,
foi andar solta no mundo
colocando 'fiu-fiu'
na boca de jovens
românticos, fazendo
papel de cupido.





sábado, 12 de abril de 2014

Perdido

Ficar só 
na Freguesia do Ó:
na cabeça 
dá um nó,
no peito 
dá um dó,
no sapato
fica pó,
na mente,
conselho de vó,
saudade de pão de ló
uma certeza só:
a de não saber
nem "ó" do 
borogodó.

Quando tudo parece tremer

É como se nossa relação
precisasse de um terremoto,
de um tsnunami,
para que no meio
de lágrimas e dos escombros 
um olhasse ao 
outro e gritasse desesperado:
"Esqueça tudo, me tire
daqui, salve minha vida ou
simplesmente me ame". 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Meia verdade

Meia verdade é
como andar de
monociclo.
Pois se você
se esforçar 
um pouco conseguirá
chegar aonde queria
sem o auxílio 
da ilusória
segurança da 
bicicleta da
completa verdade.

Lágrimas de cebola frustrada

Aquela cebola havia nascido 
sem talento para atriz. Assim, 
não conseguia fazer ninguém
chorar com suas fracas atuações.
Não emocionava, não comovia.
Por causa disso, 
no silêncio da cozinha
chorava sozinha, e, vez ou outra,
não aguentava os insultos 
do companheiro e o mandava,
sem cerimônia, 
para a casa do car-alho. 

Espírito de Copa

Era Copa do Mundo, 
então, como bom 
brasileiro, colocou 
o "coração na ponta
da chuteira". 
De repente, 
tropicou em um
buraco que havia no campo e...
enfartou.

sexta-feira, 28 de março de 2014

I wish

O fuso do meu relógio 
é confuso.
Nego um desejo
que I wish,
e quando me
emociono
não choro...
grito "vixe".

terça-feira, 25 de março de 2014

Instinto

Quando fala mais alto o instinto,
atrapalha o cinto, 
ajuda o vinho, tinto,
dói o pinto
e, em vez da verdade,
minto.