sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PowerPoint


Era uma vez uma pessoa que fez uma linda apresentação em PowerPoint. Ela mandou essa apresentação muito linda para vários amigos que ficaram sensibilizados e também criaram apresentações em PowerPoint muito lindas, que eles as transmitiram a seus amigos. De repente, a cidade toda ficou em êxtase, porque as apresentações não paravam de chegar, as pessoas não paravam de assistir às lindas imagens com músicas maravilhosas e muitos choravam, e ao chorarem, envolvidos na emoção, criavam mais apresentações em PowerPoint. E essa febre se alastrou pela cidade, depois contagiou Estados, o país, o continente, enfim. Durante algum tempo, o mundo viveu perfeita paz, como realmente pregavam as apresentações de PowerPoint. Até que começaram a faltar as coisas e veio um apagão que retirou todo mundo do transe e mostrou realmente o poder do ponto, final.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ato solitário

O uso do insulfilm no carro,
pelo que se diz,
aumentou a segurança
e deu mais tranquilidade
pra se tirar caca do nariz.

Dezembros e suas noites de calor


Queria volta no tempo
pra acreditar em Papai Noel,
de verdade.
De viver aqueles Natais
maravilhosos em noites
de calor quando os
bombons de licor estouravam
na boca, quando as vizinhas
conversavam lá fora
e eu era tomado de uma paz
imensa deitado no sofá da sala.
 
Missa do Galo, mais silêncio
que som, amigos e família,
portos seguros para um
barquinho que era eu,
acostumado a lagos calmos,
e nem de longe imaginava
que ainda iria navegar mares
nem sempre calmos, nem sempre azuis.
Com tormentas e piratas,
pranchas e espadas e um papagaio atrevido
que vive a repetir que chegarei
novamente em terra firme, com os meus.
Assim espero. 
 

Delícia inenarrável


Ao saborear o prato "Xinpoin", da tradicional e milenar cozinha chinesa, a satisfação plena de meu paladar ultrapassou a dimensão das palavras e, em total êxtase, não consegui dizer absolutamente nada. Apenas duas lágrimas escorreram de meus olhos. Chorei degustando aquela comida fantástica. E o garçom, alheio à minha emoção, alertou-me, sem jeito: “Cuidado que está quente, senhor !”  

Em xeque

Jogavam uma partida disputadíssima de xadrez em uma mesinha da praça, e Pedro estava em xeque havia uns dez minutos. Igor silenciosamente se deliciava com a armadilha que aplicara ao adversário. Alguns instantes mais e conquistaria a vitória tão sonhada.  

De repente, quando Pedro se preparava para assumir a derrota, eis que uma bola de futebol acertou em cheio o tabuleiro. As peças foram parar longe. “Desculpa aí”, disse o garoto assustado. Pedro e Igor então esqueceram a tensão do jogo, e começaram a rir da situação inesperada. O futebol, mais uma vez, salvara a amizade. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Algo errado

A coisa anda meio torta:
depois de anos de janela
passa-se a bater de
porta em porta. 

Menina dos olhos


Você é a menina
dos meus olhos
que a rotina
às vezes vira cisco
e me enche
de lágrimas. 

Ai de meus ais


Menos quintais,
menos jardins.
Ai de meus ais,
ai de mim.

Na marra


Eu sou de trabalhar na marra.
Prefiro música, festa e farra.
Afinal de contas,
não sou formiga,  
prefiro a cigarra.

Festinha


No meio da sopa
de letrinhas
encontrei
um número
fazendo festinha.
 

Paixão que trava tudo


Vou tentar escrever o que não consegui lhe dizer:
“nonono nonono nono nonono nono..."
 Xi, também me faltam palavras...” 

Me deem licença


Ser politicamente correto,
precavido e prudente.
Mas hoje, me deem licença,
pois vou dormir 
bem tarde,
comendo chocolate
e sem escovar os dentes. 

Diante do espelho


Eu acordo, me olho no espelho
e vejo no fundo de meus olhos
aquele garotinho
sedento por brincar,
com a bola debaixo
do braço e um dia
de sol todinho pela frente.
Pena que na sequência,
Vou tomar banho antes
de trabalhar, e quando
volto ao espelho
está tudo embaçado
e eu... atrasado. 

Beijo preso


Por que este beijo tão preso ?
Parece de chupou pastilha de freio...  

Negando a vocação


Levou a profissão
a sério demais.
Era palhaço,
hoje procura emprego.
Foi demitido do circo.

De cima para baixo


Do alto do arranha-céu 
as pessoas ficam mais simples: 
são carecas, cabeludas, 
portam guarda-chuva
ou então, usam chapéu.

Voyeur


Eu aqui da minha janela
com uma câmera e uma tele
quase toquei tua pele. 

Olha a pamonha quentinha !


Essa história de que se ralou muito antes
da conquista só tem valor se se tratar 
de fazer pamonha.
 

Fluxo de caixa

E pensar que aquele povo
que passou ontem o dia
inteiro no churrasco da firma
cagará quase a mesma
coisa nesta segunda-feira
com exceção da dona Eulália,
que, se Deus a ajudar, 
fará o mesmo lá pela 
quinta ou sexta-feira.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aff !


A hora verdadeira
é sempre uma aposta.
Às vezes mergulho
em seus olhos fechados,
noutras, fala-me mais
o tremido arrepiado 
de suas costas. 

"Melanciacolia"


Na calada da noite
calei uma melancia
por falta de companhia. 

Nenê de artista


Não sei se estou mal da vista, 
mas dá a impressão 
que dura apenas três meses 
a gestação de bebê de artista. 

Arqui-inimigos


O Novo Acordo
Ortográfico
deixou 
os "arquiinimigos" 
de ontem
mais distantes ainda.
Agora, além de tudo,
há um hífen que faz
o papel de cordão 
de isolamento.
Que triste. 

Liberdade de expreCão


Tranquei a boca,
fechei os ouvidos,
cerrei os braços,
e mesmo assim
me sinto inseguro.
Acho que o que
me falta mesmo
é soltar os cachorros. 
 

"Malhado"


Quando eu morrer,
ao me deparar com
o portão do céu (ou inferno),
talvez não encontre
São Pedro e suas chaves.
Mas certamente
serei recebido
pelo meu cão “Malhado”,
que foi antes
de mim 
só para me guiar
pelas incertezas
do além. 

Intenção



Na hora de mandar alguém pro inferno,
à maldade não se entregue.
Adoce sua intenção,
balance o corpo, sorria
E diga: que o diabo o Ca-Reggae!


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Óio no ôio

Quando um pingo de óio cai no ôio,
arde tanto que a última coisa em que
você pensa é em falar português corretamente.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sorriso falso


Pior que a cara fechada de uma moça, é ela lhe dar um sorriso rápido, daqueles que se armam e se desfazem em fração de segundo. Ela demonstra assim que não te gosta, e você, fazer o quê, administra o mico com cara de bosta.

Elixir de levitar


Engraçado,
o garoto que
agora rola
na briga pelo chão,
há pouco
levitava erguido
de repente pela
audácia de um cuecão. 

Tênis no fio


O par de All Star 
dependurado lá
no alto daquele
fio, perto do 
poste de iluminação,
balança pelo vento
e demonstra inquietação.

É que depois de 
cinco meses 
contemplando
tudo lá de cima,
não é que deu 
saudades no
danadinho
de novamente 
pisar o chão ?


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Por que um cuecão incomoda ?

Um cuecão incomoda, 
mesmo não lhe retirando
nada, como ocorre
em um assalto.
Aliás, pelo contrário,
ele te aproxima
daquilo que lhe é mais
seu.

Um cuecão desperta
a ira, e pode começar
uma guerra agora
uma vez que depois dele,
sua cueca branca 
da paz, pode não 
estar mais imaculada,
como outrora.


Entre perfumes e indiferenças

E pensar que aquele tiozinho da limpeza, a quem as moças perfumadas do 
escritório não davam a mínima, depois do expediente, entrava no banheiro feminino só para ver como havia ficado o lugar onde elas tinham mijado, peidado e cagado durante o dia.

domingo, 19 de agosto de 2012

"Body Expiatório"


Primeiro disse que 
estava gorda.
Depois, magra demais.
Até que ela se encheu
E meteu o pé na bunda
dele ao descobrir que
só tinha servido de
"body expiatório". 

Questão de escolha

Em vez dos ossos do ofício,
prefiro os músculos do orifício.

Quase


Fui tão feliz,
lhe tive na palma de minha mão,
até que você escapou de mim e foi parar...
nos azulejos do banheiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Na plataforma


Os trens vão e vêm.
E há passageiros
que, de repente,
não vão nem vêm,
pois ficam nos vãos
que sempre tem,
entre a plataforma
e o trem.

Enxugando


A evolução tecnológica
possibilitou que
se produzisse com
uma mão nas costas
e um pé na bunda.

A praia

A praia que eu imaginava 
para nós 
hoje está cheia de garrafas pet, 
de canudinhos plásticos 
de velas e pombos doentes. 
De óleo derramado 
e de peixe mortos, 
além de um bando de falsos ecologistas 
com seus megafones que 
encobrem minhas juras de amor e 
não nos deixam namorar. 

Ônibus cheio


De repente, me deu uma saudades de você,
mas que passou logo, feito ônibus cheio.
Melhor assim, venceu o receio.
Receio de embarcar de novo, 
e você me deixar no meio.

No meio do caminho,
durante a relação,
perto de umas 
quebradas,
longe da estação.

Tem nada não.
Se você vai para o Sul,
vou para o Norte,
que com um pouco 
de sorte e vale-transporte,
observo a paisagem,
e ainda curo meus cortes.




Sobre pirulitos e algo mais


Saudades do teu olhar 
cortante e meigo,
inocente e depravado.
Religioso e quase ateu.
Alguém distante e 
sempre ao meu lado.
Mistura de açúcar e sal,
de simples e complicado,
de praia e vale molhado.
Você é uma soma
de vários dilemas, 
menina/moça
que traz na boca um pirulito
e na bolsa, um par de algemas.

Pretensão poética

Minha pretensão
não é política,
é poética.
Não quero eleitores,
quero leitores.
Não busco caixa 2,
busco o encaixe 
de nós 2.

Vaca amarela

Surgiu o horário político 
bem na hora da novela...
Abaixamos o volume
e brincamos todos 

de vaca amarela. 

Os extraterrestres

Joca estava dirigindo seu caminhão numa noite escura pelos sertões do Brasil, mais precisamente na estrada Belém-Brasília. De repente, viu à sua frente, parado no meio da pista, um enorme disco voador. Meteu o pé no freio, o caminhão rabeou, jogou para um lado, para o outro e por fim, acabou colidindo contra aquela "coisa" prateada.
Depois do toque um tanto forte, saíram da espaçonave cinco homenzinhos verdes munidos de armas de raio laser dizendo: “Vamos abduzi-lo. Ele será nosso refém”. As palavras iam diretamente para o cérebro de Joca que entendia perfeitamente os sinais emitidos pelos extraterrestres, num ótimo intercâmbio interplanetário. 
O caminhoneiro surpreendeu-se com a petulância dos Et’s que nem sequer pensaram em ressarcir o pequeno amassado no para-choque do seu caminhão. “Vê lá se o meio da pista é lugar para disco voador estacionar, ainda mais numa noite escura como essa...”, pensava consigo o rústico caminhoneiro.
Os homenzinhos piscavam luzes, o disco voador piscava também, mas Joca não queria nem saber. Depois de alguns minutos de impasse, ele, que desconhecia o sentido do verbo abduzir, saiu do caminhão, desceu o braço nos homenzinhos verdes, botou-os pra correr e seguiu enfezado o seu caminho. Joca não queria saber de Et's. Ele queria mesmo era saber quem iria endireitar seu para-choque. 
Alguns quilômetros à frente, ainda indignado com a batida, Joca parou num posto de gasolina para verificar o amassado com mais atenção. Porém, ele caiu na besteira de contar a estranha história aos frentistas do posto que começam a rir de sua cara. Eles achavam que Joca estava maluco.

O caminhoneiro não fez cerimônia, e a exemplo da surra que dera nos homenzinhos verdes alguns quilômetros atrás, distribuiu sopapos nos dois frentistas franzinos e seguiu estrada afora com uma raiva dos diabos, os olhos piscando de sono e o caminhão avariado. E nem passava pela cabeça do Joca que, em algum lugar dessa galáxia, Etzinhos eram atendidos na enfermaria de um disco voador, ainda assustados com o “poder avassalador” da espécie humana.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O míope e a distraída


José era apaixonado por Luíza. Nunca haviam se falado, embora trabalhassem na mesma empresa. Ele era míope. Ela, distraída. Se desejavam a distância. Os sonhos de ambos eram repletos de planos e encontros ousados, porém, não tinham coragem de se declarar um ao outro. Ele ia de carro para o trabalho e pensava em dar carona para ela, um dia, quem sabe ? 

Ela ia para o serviço de ônibus e sonhava, da mesma forma, pegar uma carona com ele. Então, certo dia, final de expediente de um dia muito frio na cidade serrana onde trabalhavam, com névoa intensa, ela, que era distraída, ao atravessar a avenida com a cabeça nas nuvens, literalmente, em direção ao ponto de ônibus, foi atropelada por José, que era míope, como já disse anteriormente, e nem viu o belo corpo de Luíza cruzando a sua frente.

Ele a socorreu, como não poderia ser diferente. Ela estava inconsciente e ele, muito nervoso. Luíza ficou afastada do trabalho por quatro meses. Tempo suficiente para José ser demitido, em um dos vários facões da companhia, e ela se apaixonar pelo solícito enfermeiro Zacarias. Coisas da vida, sempre bem ou mal resolvida. Completa ou por se completar, cheia de sorte, surpresas e azar...

Na cozinha


A farinha não topava as gemas, que não gostavam do açúcar que tinha aversão ao leite e que era inimigo do fermento. Certo dia encontraram-se todos dentro de uma vasilha enorme e, como tudo indicava que o pau iria  quebrar logo, logo, dois braços fortes de metal resolveram dispersar a turba.

Horas depois, corria à boca pequena que aquela confusão tinha dado um bolo delicioso. E como costumam dizer, uma boa briguinha, de vez em quanto, é o tempero ideal para uma mistura perfeita.

De reis e peões


O rei enfim tinha sido encurralado. Estava branco, pasmo. A rainha, já do lado de fora do tabuleiro, chorava desesperada. Os bispos, ainda dentro do jogo, não conseguiam nenhuma indulgência. Os dois cavalos, um do lado de fora e o outro do lado de dentro, relinchavam, também sem nada conseguir fazer para salvar a alteza. 

Apesar do desconforto quase geral, um observador mais atento verificaria que nem todas as peças do exército vencido estavam tristes. Ali, bem no cantinho do tabuleiro, dois peões remanescentes riam do desconforto da alta cúpula. Riam sem qualquer pudor. Riam a valer, sem medo de serem presos, pois, de um jeito ou de outro, já estavam mesmo no xadrez.

O fio do bigode


Rodolfo vivia naquele tempo em que um simples fio de barba ou de bigode já era suficiente para que um homem provasse sua honestidade. Porém, ele havia nascido com poucos hormônios masculinos e, portanto, sem um único fio de barba no rosto. 

Passou a vida toda tentando provar que era honesto, que honraria seus empréstimos e que sua palavra valia mais do que um ordinário fio de bigode. Mesmo assim, todos foram indiferentes aos seus apelos e ele, angustiado e sem dinheiro, deixou a cidade, para sempre, com um circo que passou por ali.

Depois disso, casou-se com a mulher barbada, e vez ou outra reclama dos beijos calorosos que ela lhe dá, os quais irritam sua pele tão sensível e machucam seu caráter tão correto.

Um ombro amigo


Jurema saiu pela cidade em busca de alguém especial. Um homem que entendesse de segredos, sem ser confidente. Que transmitisse confiança, sem bancar o confiado. Era sozinha e à medida que a noite se aproximava mais precisava desse alguém. 

Ela atravessou a cidade e enfim trouxe o homem tão desejado. Na porta de seu apartamento o sujeito fez de tudo mas não conseguiu destravar a fechadura. Ele era uma chaveiro mediano e ela havia esquecido a chave lá dentro. 

Foi então que os olhares se cruzaram e o fogo da paixão logo se acendeu. Ele não teve dúvidas, meteu o ombro na porta, arrebentou batente, trinco e tudo o mais, e os dois passaram a noite namorando lá dentro, com a porta só encostada. 

Nada sutil



Ele, quando emocionado,
em vez de chorar,
cagava na calça.
E com a sensibilidade
à flor da pele
vivia por aí,
sozinho,
feito mala sem alça.

Mais não sutil que sutil


Pra algumas coisas
não tenho saco...
...pra outras, pinto até demais !

Mais ou menos sutil


Gosto das tetas que
me inquirem,
mas de maneira
oposta.
Pois me calam
a boca, em
vez de me
tirarem
resposta.

Sutil



Ah, doce menina, cujas palavras mais cortantes ferem 
menos que faquinha de bolo Pullman, molhada no refrigerante.

Ovo colorido de bar



Meu coração anda tão dolorido
que só me sentando no balcão
de um bar e comendo um
ovo colorido.
Um porre, além óbvio,
seria pouco para
castigar esse meu íntimo 
deveras arrependido.

Arrastão

Ela arrastava uma asa para o lado dele. Ele, então, a arrastou para um jantar romântico. Ela usava meias tipo arrastão e foi arrastada por ele para o banheiro do restaurante. Fizeram amor ali mesmo de quase se arrastarem pelo chão. Enquanto isso, alguns bandidos fizeram um arrastão no local e roubaram todos os clientes, menos os dois que, trancados no banheiro, nem perceberam o movimento externo. Mais de nove meses já se passaram e os dois, felizes da vida, agora comem deliciosas pizzas, em casa, e arrastam por aí um carrinho com um lindo bebê. 

Voltei

Voltei feito sacolinha plástica de supermercado, 
facinho, facinho, 
pra você, novamente, me encher quanto quiser.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Segredo

Depois que assisti ao filme O Segredo 
e ciente da Lei da Atração, 
quando algo não dá certo não grito mais cacete ! Pelo contrário !

Cama elástica

Se estiver apaixonado e for namorar
freneticamente em cama elástica, 
desliga antes o ventilador de teto.

Retrato


No retrato, muita atenção,
porque se confrontarmos
mentira e verdade...
vamos precisar de retratação. 

Por indução


Relaxe, você jamais vomitará  sozinho numa praça de alimentação. 

Eco


Não quero um som diferente
e por isso peco.
Não quero outro som.
Sou narcisista sonoro
só quero eco. 

Transparência


Fiz-me tão transparente que
você enxergou através de mim...
...e viu outros...que pena.  

Piscadela


Eu não te entendo.
Você sempre escapa
de minhas investidas
eternas.
E quando me sento exausto,
eis que te flagro me olhando,
de frente,  
com o olho do desejo
que me pisca discreto,
por debaixo da saia,
num sutil ‘piscar’ de pernas. 

Lua


Você neste seu novo minguar,
sempre crescente. E eu olhando
o céu a me perguntar:
Será que a lua só fica cheia pra mim ?  

Mulher irresistível


Mulher irresistível, 
dentre outras coisas, 
é aquela que quando sai
pelada na revista 
o sujeito não resiste
e a 'homenageia' ali mesmo,
na frente da banca de jornal.  

Basiquinho


Depois que te conheci
fiquei tão 'basiquinho'.
Também pudera,
de cara perdi
o ar e direção.  

Você S/A


Um homem e uma mulher,
quando bem estimulados
superam metas, vencem
desafios ou, na pior das
hipóteses, simplesmente
gozam.  

Maldito brinquedo chinês

Oh, brinquedo chinês maldito.  
Mal lhe pego nas mãos e  
lá se foram as rodinhas do carrinho,  
a cabeça e as pernas da boneca.  

Oh, brinquedo chinês maldito,  
talvez feito com o ódio  
das crianças chinesas  
que fazem brinquedos  
em vez de brincar.  


Oh, brinquedo chinês maldito,  
mas é com cacos de  
plástico nas mãos,  
a exemplo de sonhos infantis  
esfacelados, que começo  
minha revolução.


Pois saiba você, brinquedo  
maldito, isso o que tu és,  
que com um pouco de imaginação  
reconstruí meu brinquedo,  
colocando na cabeça,  
uma parte do pé.  


E o carrinho que não andava,  
depois de um capote,  
virou barco, virou avião, até !  


Brinquedo chinês maldito,  
da próxima vez não te compro não,  
você que fique, pra sempre, algemado 

à banca daquele camelô lá da Sé.  
 

Fim do poeta


O poeta
que se recusou
a escrever
chegou ao fim,
e o mais
triste, com letras
em vez de pedras...nos rins.  

Fantasia


Demorou
mas entrei
em sua fantasia.
E confesso,
até que fiquei
bonitinho.  

E agora, doutor ?


Um doutor
disse
a outro
doutor
que de
paixão
seu coração
não parava
quieto,
tal qual
o de
qualquer
analfabeto.  

Na terra dos homens tristes


Na terra dos homens tristes
ninguém mostrava os dentes,
só para morder.
Pelas ruas, caras fechadas.
Nos carros, a falsa privacidade dos
vidros escuros.
Nos rostos, também os
óculos não deixavam
os olhares se encontrarem.
E o curioso dessa terra é que todos
eram adultos.
Até que um palhaço aposentado
se encheu de tanta tristeza, engravidou
a trapezista desempregada
e nove meses depois
a história daquele lugar começou
a mudar. A criança ria muito,
o palhaço tinha agora
motivos para gargalhar
e a trapezista cantava alegre
ao ver seu bebê se equilibrando
para andar. Diante daquela família estranha e de sua alegria,
todos quiseram ter filhos,
e para isso passaram a fazer sexo,
e a rir, e a parir, e a viver, de novo.
E o circo voltou a ficar cheio
nas tardes de domingo
com crianças, artistas e adultos,
todos no maior alvoroço.  

Livros


Estavam no armário
o livro de poesias
e o dicionário.
Lado a lado,
o econômico das palavras
e o perdulário.
 

Acordes dissonantes


Dissonante é a dor que dá nos dedos 
quando se faz certos acordes mirabolantes. 
A mão precisa ir, mas quem diz do dedo ir adiante ?  

Pessimista


Para quem é pessimista, tudo mingua.
E a sorte, em vez de sorrir... mostra a língua.  

Desforra


Manhã de segunda-feira fria e com muita chuva. 
Eis a desforra do desempregado.  

"Amigo"


Amigo não é aquele que enxuga as lágrimas, 
mas aquele que pede o lenço de volta.  

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Incompatibilidade


Não deu certo, estava traçado! 
Ao teu lado te vi nua,
mas você só me viu pelado.  

Constatação


Ao entrar no banheiro público 
constatei duas coisas:
primeiro, que ele estava entupido, 
e segundo, que fibras realmente 
fazem bem ao intestino. 

Rock‘n‘roll


Gostava tanto de homens e de rock‘n‘roll, que para ela a história do mundo havia começado com Adão e Elvis.  

Vassouradas


Você invadiu meu coração e eu te toquei às vassouradas. 
Antes bater sozinho, até tarde, a morrer a dois, de fulminante enfarte. 

Labuta


A vida seria mais meiga se o nosso ganha-pão já viesse com manteiga.  

Jogar a toalha


Pra mim, jogar a toalha não é desistir, é ficar pelado. 

Sobre sapatos e destinos


Estar só é como carregar um mundo de pacotes frágeis nas mãos, não poder parar de andar e ter os dois sapatos desamarrados. A queda pode vir a qualquer momento. E lembre-se que se o tombo vier, não haverá ninguém para te levantar. Também não virá ninguém lhe repreender pelos pacotes caídos, afinal, quem se importa ? Apesar disso, será também sentado no chão, com as mãos livres das futilidades e longe dos olhares críticos, que você poderá desfrutar do delicioso prazer de amarrar seus próprios sapatos para seguir para onde bem desejar.

Pecado abençoado


Combinação perfeita
de quente e frio,
de inferno e céu:
é caldo de cana com pastel.  

Eles se entendem


Trouxe à tona o cachorro que sou
porque meu lado criança
estava precisando brincar.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Assim, assim


Gosto de você assim, 
sem tirar nem pôr, 
mas se eu puder
tirar e pôr
vou gostar muito mais.  

Encantamento


O encantamento é para todos, 
mas a rotina é para os atenciosos 
que no dia-a-dia sempre descobrem 
no barulho da panela de pressão 
uma porção de melodias. 

Boca


Se eu te tocar e você não se tocar, 
vou entrar na minha toca 
tomar um banho gelado 
e uma garrafa de Coca. 
É, tem horas 
que louca rima como boca, 
como tem momentos  em
que esta boca fica oca 
e só rima mesmo com rebimboca.  

Sexo pela internet


Sexo pela internet
sempre dá um medinho.
Será que se fizer demais
nasce mais pelo no ratinho? 

domingo, 12 de agosto de 2012

Poeta


Sou poeta
e quero pegar
na sua teta.
A rima pode
ser péssima,
mas a intenção
é das melhores.  

Paixão x cifrão


Você tão especial
Eu tão no especial...  

Convivência



Era uma vez Três Porquinhos
que por medo do Lobo Mau
passaram a morar juntos.
E não demorou muito para que
as diferenças aparecessem
sob o mesmo teto. Fofocas,
intriga, gritos e brigas por todos os lados.
E lá de fora, percebendo aquela
bagunça dentro da casa de
tijolos, o Lobo Mau até
deu-se por feliz de não
ter conseguido entrar ali.
Ele deixou de lado a chaminé,
e num sopro só foi atrás de Chapeuzinho Vermelho
e da Vovozinha, que por morarem em casas separadas,
se davam bem melhor.  

Visionário


Sabia exatamente o que as mulheres desejavam na cama porque tinha bolas de cristal.  

Bancos


No meu banco
estão sempre
dispostos a me ouvir.
Pelo menos o pessoal da fila.  

Medicina ingrata


Ué,
só por que não entrei
na USP
virei
PUS ?  

Brincar


A gente nunca cresce,
mas o tempo avança.
E sempre
vamos flagrar
nos parques
adultos sentados
em balança. 
 

Branca de never


Era uma vez,
e foi uma vez só.
A bruxa, por falta
de maçã, envenenou
uma melancia.
E depois de se
fartarem dela
dormiram todos
para sempre,
Branca de Neve e os Sete Anões.
E não houve
quem fosse avisar
o príncipe que
na ausência de
um grande amor vive por aí,
beijando Deus e o mundo.
 

Criança


Criança que é criança
não planeja nem avisa.
E lá se foi outro
pingo de sorvete
na camisa.  

Vida doméstica


A torneira pinga na cozinha.
A porta do guarda-roupa range.
O silêncio da noite ressalta
os ruídos domésticos.
E nós, mesmo sem grana,
dormimos em paz.  

Frilas


Fiz de meus bicos
duas tetas bem nutritivas. 
 

Ficção


Não adoeça por causa
da realidade opressora: Ficção. 

A fila anda


Se ela não quer mais transar com você,
esqueça o passado e ‘bolas’ pra frente ! 
 

Estrogonofe


Meu estrogonofe
Nem sempre dá liga.
É que ele na verdade
é um Estrogon/off. 

Complemento


Estou com a 
faca e o queijo 
na mão.
Parece que não falta nada,
mas falta sim...
falta a goiabada. 

Metade


Metade mentira, metade verdade.
De concreto, nem mentira nem verdade, só a metade. 
Não somos inteiros somos fração.
Um pouco sim, um pouco não. 

Sonho salgado


Tô andando 
meio a esmo,
e embora 
eu tenha um sonho nas mãos,
preferia mesmo um bom torresmo. 

Competições


Gosto de ver os ganhadores,
mas gosto de observar também
aqueles que chegam lá atrás,
mas que chegam,
para o não menos
valioso abraço, 
de ouro, 
daqueles que 
sempre estarão 
com eles ! 

Destino


O duro é se entregar nas mãos do destino, 
e ele te botar pra escanteio, de ponta de dedo. 

Expectativa


Decotem excitam
porque sempre
sugerem dois 

iminentes saltos. 

Conversa fora


Se jogar conversa fora,
jogue em lixo reciclável
pois as palavras precisam voltar, sempre.
 

Co...


Para bom entendedor,
meia palavra...bosta.