sexta-feira, 31 de agosto de 2012
PowerPoint
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Ato solitário
pelo que se diz,
aumentou a segurança
e deu mais tranquilidade
pra se tirar caca do nariz.
Dezembros e suas noites de calor
pra acreditar em Papai Noel,
de verdade.
De viver aqueles Natais
maravilhosos em noites
de calor quando os
bombons de licor estouravam
na boca, quando as vizinhas
conversavam lá fora
e eu era tomado de uma paz
imensa deitado no sofá da sala.
Missa do Galo, mais silêncio
que som, amigos e família,
portos seguros para um
barquinho que era eu,
acostumado a lagos calmos,
e nem de longe imaginava
que ainda iria navegar mares
nem sempre calmos, nem sempre azuis.
Com tormentas e piratas,
pranchas e espadas e um papagaio atrevido
que vive a repetir que chegarei
novamente em terra firme, com os meus.
Assim espero.
Delícia inenarrável
Em xeque
Jogavam uma partida disputadíssima de xadrez em uma mesinha da praça, e Pedro estava em xeque havia uns dez minutos. Igor silenciosamente se deliciava com a armadilha que aplicara ao adversário. Alguns instantes mais e conquistaria a vitória tão sonhada.
De repente, quando Pedro se preparava para assumir a derrota, eis que uma bola de futebol acertou em cheio o tabuleiro. As peças foram parar longe. “Desculpa aí”, disse o garoto assustado. Pedro e Igor então esqueceram a tensão do jogo, e começaram a rir da situação inesperada. O futebol, mais uma vez, salvara a amizade.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Menina dos olhos
dos meus olhos
que a rotina
às vezes vira cisco
e me enche
de lágrimas.
Na marra
Prefiro música, festa e farra.
Afinal de contas,
Paixão que trava tudo
“nonono nonono nono nonono nono..."
Me deem licença
precavido e prudente.
Mas hoje, me deem licença,
pois vou dormir
comendo chocolate
e sem escovar os dentes.
Diante do espelho
e vejo no fundo de meus olhos
sedento por brincar,
com a bola debaixo
do braço e um dia
Pena que na sequência,
Vou tomar banho antes
de trabalhar, e quando
volto ao espelho
está tudo embaçado
e eu... atrasado.
Negando a vocação
a sério demais.
Era palhaço,
hoje procura emprego.
De cima para baixo
ou então, usam chapéu.
Olha a pamonha quentinha !
de fazer pamonha.
Fluxo de caixa
que passou ontem o dia
inteiro no churrasco da firma
cagará quase a mesma
coisa nesta segunda-feira,
com exceção da dona Eulália,
que, se Deus a ajudar,
fará o mesmo lá pela
quinta ou sexta-feira.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Aff !
é sempre uma aposta.
Às vezes mergulho
em seus olhos fechados,
noutras, fala-me mais
o tremido arrepiado
de suas costas.
Nenê de artista
mas dá a impressão
que dura apenas três meses
a gestação de bebê de artista.
Arqui-inimigos
deixou
os "arquiinimigos"
de ontem
mais distantes ainda.
Liberdade de expreCão
fechei os ouvidos,
cerrei os braços,
e mesmo assim
me sinto inseguro.
Acho que o que
me falta mesmo
"Malhado"
ao me deparar com
o portão do céu (ou inferno),
talvez não encontre
São Pedro e suas chaves.
Mas certamente
serei recebido
pelo meu cão “Malhado”,
que foi antes
de mim
só para me guiar
pelas incertezas
do além.
Intenção
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Duas classes
A desigualdade social
no Brasil dividiu o país em dois:
Os ricos, que mandam
e os que mandam currículo.
Banho
Mesmo nos dizendo
verdadeiros,
há coisas nossas
que somente
sabe o
fundo da banheira
ou o alto do chuveiro.
Selvageria domesticada
Eu queria te comer
nua e crua,
em tempestade,
não em calmaria.
Mas tenho de aguardar
seu desejo que se
coze em lento
banho-maria.
domingo, 26 de agosto de 2012
Óio no ôio
arde tanto que a última coisa em que
você pensa é em falar português corretamente.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Sorriso falso
Elixir de levitar
Tênis no fio
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Por que um cuecão incomoda ?
mesmo não lhe retirando
nada, como ocorre
em um assalto.
Aliás, pelo contrário,
ele te aproxima
daquilo que lhe é mais
seu.
Um cuecão desperta
a ira, e pode começar
uma guerra agora,
uma vez que depois dele,
sua cueca branca
da paz, pode não
estar mais imaculada,
como outrora.
Entre perfumes e indiferenças
escritório não davam a mínima, depois do expediente, entrava no banheiro feminino só para ver como havia ficado o lugar onde elas tinham mijado, peidado e cagado durante o dia.
domingo, 19 de agosto de 2012
"Body Expiatório"
Depois, magra demais.
Até que ela se encheu
E meteu o pé na bunda
dele ao descobrir que
só tinha servido de
"body expiatório".
Quase
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Na plataforma
Enxugando
A praia
para nós
hoje está cheia de garrafas pet,
de canudinhos plásticos
de velas e pombos doentes.
De óleo derramado
e de peixe mortos,
além de um bando de falsos ecologistas
com seus megafones que
encobrem minhas juras de amor e
não nos deixam namorar.
Ônibus cheio
Sobre pirulitos e algo mais
Pretensão poética
não é política,
é poética.
Não quero eleitores,
quero leitores.
Não busco caixa 2,
busco o encaixe
de nós 2.
Vaca amarela
bem na hora da novela...
Abaixamos o volume
e brincamos todos
de vaca amarela.
Os extraterrestres
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
O míope e a distraída
Ele a socorreu, como não poderia ser diferente. Ela estava inconsciente e ele, muito nervoso. Luíza ficou afastada do trabalho por quatro meses. Tempo suficiente para José ser demitido, em um dos vários facões da companhia, e ela se apaixonar pelo solícito enfermeiro Zacarias. Coisas da vida, sempre bem ou mal resolvida. Completa ou por se completar, cheia de sorte, surpresas e azar...
Na cozinha
Horas depois, corria à boca pequena que aquela confusão tinha dado um bolo delicioso. E como costumam dizer, uma boa briguinha, de vez em quanto, é o tempero ideal para uma mistura perfeita.
De reis e peões
Apesar do desconforto quase geral, um observador mais atento verificaria que nem todas as peças do exército vencido estavam tristes. Ali, bem no cantinho do tabuleiro, dois peões remanescentes riam do desconforto da alta cúpula. Riam sem qualquer pudor. Riam a valer, sem medo de serem presos, pois, de um jeito ou de outro, já estavam mesmo no xadrez.
O fio do bigode
Rodolfo vivia naquele tempo em que um simples fio de barba ou de bigode já era suficiente para que um homem provasse sua honestidade. Porém, ele havia nascido com poucos hormônios masculinos e, portanto, sem um único fio de barba no rosto.
Passou a vida toda tentando provar que era honesto, que honraria seus empréstimos e que sua palavra valia mais do que um ordinário fio de bigode. Mesmo assim, todos foram indiferentes aos seus apelos e ele, angustiado e sem dinheiro, deixou a cidade, para sempre, com um circo que passou por ali.
Depois disso, casou-se com a mulher barbada, e vez ou outra reclama dos beijos calorosos que ela lhe dá, os quais irritam sua pele tão sensível e machucam seu caráter tão correto.
Um ombro amigo
Jurema saiu pela cidade em busca de alguém especial. Um homem que entendesse de segredos, sem ser confidente. Que transmitisse confiança, sem bancar o confiado. Era sozinha e à medida que a noite se aproximava mais precisava desse alguém.
Ela atravessou a cidade e enfim trouxe o homem tão desejado. Na porta de seu apartamento o sujeito fez de tudo mas não conseguiu destravar a fechadura. Ele era uma chaveiro mediano e ela havia esquecido a chave lá dentro.
Foi então que os olhares se cruzaram e o fogo da paixão logo se acendeu. Ele não teve dúvidas, meteu o ombro na porta, arrebentou batente, trinco e tudo o mais, e os dois passaram a noite namorando lá dentro, com a porta só encostada.
Nada sutil
Mais ou menos sutil
Sutil
Ovo colorido de bar
deveras arrependido.
Arrastão
Voltei
facinho, facinho,
pra você, novamente, me encher quanto quiser.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
O Segredo
e ciente da Lei da Atração,
quando algo não dá certo não grito mais cacete ! Pelo contrário !
Cama elástica
freneticamente em cama elástica,
desliga antes o ventilador de teto.
Retrato
porque se confrontarmos
mentira e verdade...
vamos precisar de retratação.
Eco
e por isso peco.
Não quero outro som.
Sou narcisista sonoro
só quero eco.
Transparência
você enxergou através de mim...
...e viu outros...que pena.
Piscadela
Você sempre escapa
de minhas investidas
eternas.
E quando me sento exausto,
eis que te flagro me olhando,
com o olho do desejo
que me pisca discreto,
por debaixo da saia,
num sutil ‘piscar’ de pernas.
Lua
sempre crescente. E eu olhando
o céu a me perguntar:
Será que a lua só fica cheia pra mim ?
Mulher irresistível
é aquela que quando sai
pelada na revista
na frente da banca de jornal.
Basiquinho
fiquei tão 'basiquinho'.
Também pudera,
de cara perdi
o ar e direção.
Você S/A
quando bem estimulados
superam metas, vencem
desafios ou, na pior das
hipóteses, simplesmente
gozam.
Maldito brinquedo chinês
Mal lhe pego nas mãos e
lá se foram as rodinhas do carrinho,
a cabeça e as pernas da boneca.
Oh, brinquedo chinês maldito,
talvez feito com o ódio
das crianças chinesas
que fazem brinquedos
em vez de brincar.
Oh, brinquedo chinês maldito,
mas é com cacos de
plástico nas mãos,
a exemplo de sonhos infantis
esfacelados, que começo
minha revolução.
Pois saiba você, brinquedo
maldito, isso o que tu és,
que com um pouco de imaginação
reconstruí meu brinquedo,
colocando na cabeça,
uma parte do pé.
E o carrinho que não andava,
depois de um capote,
virou barco, virou avião, até !
Brinquedo chinês maldito,
da próxima vez não te compro não,
você que fique, pra sempre, algemado
à banca daquele camelô lá da Sé.
Fim do poeta
que se recusou
a escrever
chegou ao fim,
e o mais
triste, com letras
em vez de pedras...nos rins.
E agora, doutor ?
disse
a outro
doutor
que de
paixão
seu coração
não parava
quieto,
tal qual
o de
qualquer
analfabeto.
Na terra dos homens tristes
ninguém mostrava os dentes,
só para morder.
Pelas ruas, caras fechadas.
Nos carros, a falsa privacidade dos
vidros escuros.
Nos rostos, também os
óculos não deixavam
os olhares se encontrarem.
E o curioso dessa terra é que todos
eram adultos.
Até que um palhaço aposentado
se encheu de tanta tristeza, engravidou
a trapezista desempregada
e nove meses depois
a história daquele lugar começou
a mudar. A criança ria muito,
o palhaço tinha agora
motivos para gargalhar
e a trapezista cantava alegre
ao ver seu bebê se equilibrando
para andar. Diante daquela família estranha e de sua alegria,
todos quiseram ter filhos,
e para isso passaram a fazer sexo,
e a rir, e a parir, e a viver, de novo.
E o circo voltou a ficar cheio
nas tardes de domingo
com crianças, artistas e adultos,
todos no maior alvoroço.
Livros
o livro de poesias
e o dicionário.
Lado a lado,
o econômico das palavras
e o perdulário.
Acordes dissonantes
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Constatação
primeiro, que ele estava entupido,
Rock‘n‘roll
Vassouradas
Sobre sapatos e destinos
Pecado abençoado
de quente e frio,
de inferno e céu:
é caldo de cana com pastel.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Assim, assim
tirar e pôr
vou gostar muito mais.
Encantamento
Boca
Sexo pela internet
sempre dá um medinho.
Será que se fizer demais
nasce mais pelo no ratinho?
domingo, 12 de agosto de 2012
Convivência
Era uma vez Três Porquinhos
que por medo do Lobo Mau
passaram a morar juntos.
E não demorou muito para que
as diferenças aparecessem
sob o mesmo teto. Fofocas,
intriga, gritos e brigas por todos os lados.
E lá de fora, percebendo aquela
bagunça dentro da casa de
tijolos, o Lobo Mau até
deu-se por feliz de não
ter conseguido entrar ali.
Brincar
mas o tempo avança.
E sempre
vamos flagrar
nos parques
adultos sentados
em balança.
Branca de never
e foi uma vez só.
A bruxa, por falta
de maçã, envenenou
uma melancia.
E depois de se
fartarem dela
dormiram todos
para sempre,
Branca de Neve e os Sete Anões.
E não houve
quem fosse avisar
o príncipe que
na ausência de
um grande amor vive por aí,
beijando Deus e o mundo.
Vida doméstica
A porta do guarda-roupa range.
O silêncio da noite ressalta
os ruídos domésticos.
E nós, mesmo sem grana,
dormimos em paz.
Complemento
faca e o queijo
na mão.
Parece que não falta nada,
mas falta sim...
falta a goiabada.
Metade
De concreto, nem mentira nem verdade, só a metade.
Não somos inteiros somos fração.
Um pouco sim, um pouco não.
Sonho salgado
meio a esmo,
e embora
eu tenha um sonho nas mãos,
preferia mesmo um bom torresmo.
Competições
mas gosto de observar também
aqueles que chegam lá atrás,
mas que chegam,
para o não menos
valioso abraço,
de ouro,
daqueles que
sempre estarão
com eles !
Conversa fora
jogue em lixo reciclável
pois as palavras precisam voltar, sempre.