quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Na terra dos homens tristes


Na terra dos homens tristes
ninguém mostrava os dentes,
só para morder.
Pelas ruas, caras fechadas.
Nos carros, a falsa privacidade dos
vidros escuros.
Nos rostos, também os
óculos não deixavam
os olhares se encontrarem.
E o curioso dessa terra é que todos
eram adultos.
Até que um palhaço aposentado
se encheu de tanta tristeza, engravidou
a trapezista desempregada
e nove meses depois
a história daquele lugar começou
a mudar. A criança ria muito,
o palhaço tinha agora
motivos para gargalhar
e a trapezista cantava alegre
ao ver seu bebê se equilibrando
para andar. Diante daquela família estranha e de sua alegria,
todos quiseram ter filhos,
e para isso passaram a fazer sexo,
e a rir, e a parir, e a viver, de novo.
E o circo voltou a ficar cheio
nas tardes de domingo
com crianças, artistas e adultos,
todos no maior alvoroço.  

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