terça-feira, 29 de janeiro de 2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

Profundezas

Deitado sobre sua barriga,
escuto ela roncar.
Um pouco mais pra cima
e é a vez de ouvir 
o coração bater.
Seu interior é misterioso,
e o pouco que dele 
conheço me dá mostras
de sua imensidão.
Lugares que chego 
e chegarei superficialmente,
por mais profundo
que eu vá.
Poços do desejo
onde você se mostra
inteira pra mim,
sem que eu a consiga 
decifrar.
E, na hora "H", perco o
Norte e me falta no 
bolso, aquela moedinha 
da sorte pro meu 
sonho realizar. 





Às migalhas

Você se dá a mim às migalhas.
Ah, se eu fosse canalha. Mas 
não o sou. Vivo feito galo
em terreiro abandonado
ciscando na imaginação
o que não é para o meu bico.
E é na esperança de um
dia aplacar esse afã
que depois de uma 
noite mal-dormida
acordo cedo, 
escondendo a
tristeza em um 
forte canto logo
pela manhã. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Na tarraqueta

Com o passar dos ânus,
nessas hemorroidas e vindas,
percebeu que só tinha
tomado no cu.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Convite à escrita

Eu não sei o que vou escrever, mas sei que preciso escrever. Sei que algo me convida a escrever, sei que isso é como entrar em um túnel escorregadio, e que, uma vez dentro dele, só posso ir adiante. Se parar no meio, ficará um vazio dentro de mim e algo por terminar que me será lembrado a todo instante. Mas, se resolver atender ao convite, poderei desfrutar de uma viagem ao inesperado, com chegada, quase sempre, a um ponto agradável e libertador. Feito isso, é só esperar novo convite, sempre irrecusável.  

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vergonha

Criei vergonha na cara,
mas quem diz de as
outras partes do 
corpo fazerem o mesmo ?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Piscina

No prato de sopa, 
as letrinhas
formaram a palavra 
amor,
e lá no fundo, 
um pentelho
fez-me lembrar
de você, 
nadando nua
na piscina
em noite
de calor.



Passageiro

Estava tão bem consigo
que ao caminhar pela
cidade sentia-se
passageiro de si mesmo,
e tudo que antes
era importante
havia ficado para
depois, como se
nem se importasse
que nesse passeio
livre a consciência
um dia viesse a
lhe cobrar
'bandeira 2'.

O suco da vida em nós

Quando a gente espreme 
todo o sentimento que tem por alguém, 
feito laranja,
sempre aparecerá no copo
de nós mesmos,
de repente 
alguma semente
perdida, vinda
do fundo à tona
lembrando que 
basta uma única
semente para 
tudo renascer,
se multiplicar.
Assim, em meio a uma 
vida que como
o suco pode ser
ácida ou docinha,
a arte está em 
partilhar, ou, como 
semente que não encontra
a terra, secar sozinha.











quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ritual

Pulei sete ondas 
todo vestido de branco
e o mar me acolheu
por inteiro,
com a água morna
feito chá.
Quando dei por mim,
não existia mais 
2012 e 2013
já era uma incógnita
a decifrar.
De certo somente
aquela linda flor
que entreguei
à meia-noite
bem nas mãos de
Iemanjá.