Meu amor é simples. Não tem champanhe, não tem vinho ou frutos do mar. Não tem passeios a Paris ou Nova York. Tem uma conversa quase silenciosa, à noite, em uma casa simples que insiste em ter jardim, e nossos olhares de cumplicidade são trocados na mesa da cozinha, enquanto tomamos café com leite quente, bolachas de nata e biscoitos de polvilho.
E nessa sintonia, as palavras nem sempre são fundamentais. De vez em quando, paramos de conversar para ouvirmos a chuva que cai sobre as folhas do pé de jasmim e assim, não precisamos de mais nada.
Fica no ar uma coisa enorme, quente, que penetra em nossas almas e que, ao mesmo tempo, tem a leveza e a fragilidade de uma bolha de sabão. Não sabemos se isso é o tal do amor, nem procuramos entendê-lo.
Percebemos apenas que estamos ali, e que, se alguém lá de cima, de algum ponto da galáxia, enxergar aqui na Terra um céu todo escuro nestes tempos tão conturbados, pelo menos nos esforçamos para que sobre nossa casa exista um pouco de luz.