Eu preciso de um pouco de silêncio,
mas preciso de um pouco de barulho,
também. Ambos na medida certa,
num namoro, entrelaçar de pernas
nesta cama pentagrama, em que sussurros, gemidos
e sofreguidão se transformam em música para além
dos meus cinco sentidos.
Eu preciso de um pouco de barulho.
Mas não muito. Porque se ele for
demais começo a não ouvir aquela
torneira que insiste em pingar
me chamando para a monotonia
do cotidiano.
Eu preciso de um pouco de silêncio.
Mas não muito. Porque se ele for
demais começo a ouvir as correntes
que arrasto nos porões da minha
alma.
E foi numa bênção
aos animais, lá na
igreja de São Francisco,
que aquele pit bull raivoso
se converteu.
Ficou mansinho.
E virou um panda.
E foi enviado lá
para uma reserva
na China.
Vive lá docemente,
embora, de vez
em quando,
tenha recaídas,
quando morde
meio enviesado
o bambu e num
rompante de
raiva manda
todo mundo
tomar no cu.
Vivemos num estado laico
ou num estado "lycro,
que se esticar um pouquinho,
cabe qualquer convicção
religiosa?