A lua cheia em vez
de ser Sonrisal
para curar a azia
daqueles cujos sonhos
estão mal digeridos
no estômago do
desejo, pelo contrário,
aumenta a acidez,
o tesão, a febre.
E esse tempero
de luz picante
e suave envolve
a comida da qual
se quer se fartar
até dizer chega,
misturando rompantes
de prisioneiro faminto
com a delicadeza de
quem aprecia
com moderação
o ato de mordiscar
cuidadosamente
os dois mamilos.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Sobre gemas e algemas
De repente, se estoura a gema mole do ovo
e se lambuza todo de amarelo,
mas bem podia ser de vermelho,
cor de sangue, de vida.
E sem se dar conta
já se embarcou em
nova viagem,
talvez com passagem
só de ida.
Quebram-se as cascas,
as gemas,
as algemas,
e o sorriso franco
volta doce
e cítrico
feito laranja...
...renovando a
vida de um galo,
que até há pouco
esperava somente
protagonizar
uma triste e
derradeira canja.
e se lambuza todo de amarelo,
mas bem podia ser de vermelho,
cor de sangue, de vida.
E sem se dar conta
já se embarcou em
nova viagem,
talvez com passagem
só de ida.
Quebram-se as cascas,
as gemas,
as algemas,
e o sorriso franco
volta doce
e cítrico
feito laranja...
...renovando a
vida de um galo,
que até há pouco
esperava somente
protagonizar
uma triste e
derradeira canja.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Torneira
Que nos abramos em aberturas f1.0, f1.8, f2.0,
menos não, para que esse obturador nosso,
o do sonho (e do desejo),
ajuste-se em velocidade bem lenta,
quase bulb, quase tântrico,
deixando que tudo voe
em harmonia,
inclusive as questões do
dia a dia,
e que dessa maneira,
nessa banheira,
tudo transborde e
escorra pela casa inteira,
sem que haja forças,
vontade, preocupação
de sequer fechar
essa nossa torneira.
menos não, para que esse obturador nosso,
o do sonho (e do desejo),
ajuste-se em velocidade bem lenta,
quase bulb, quase tântrico,
deixando que tudo voe
em harmonia,
inclusive as questões do
dia a dia,
e que dessa maneira,
nessa banheira,
tudo transborde e
escorra pela casa inteira,
sem que haja forças,
vontade, preocupação
de sequer fechar
essa nossa torneira.
Na quina
Foi na escuridão da sala,
percorrendo por entre os móveis,
que percebi que
uma dor pungente e
inesperada na canela,
daquelas que
abala a nossa calma,
dói muito mais do
que as angústias
que tentamos esconder
nas profundezas
de nossa alma.
percorrendo por entre os móveis,
que percebi que
uma dor pungente e
inesperada na canela,
daquelas que
abala a nossa calma,
dói muito mais do
que as angústias
que tentamos esconder
nas profundezas
de nossa alma.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Saudade volátil
Minha saudade de você
não é que nem
faca no peito
que dói
uma vida inteira
até o sangue
todo se
esgotar.
Minha saudade de você
dói de vez em quando,
não vou negar.
Mas a dor que sinto
é passageira,
é como éter na
cabeça do pinto,
que arde, mas
que logo passa,
se evapora,
à medida
que eu vou
em busca
do que realmente
me vale a pena,
de peito aberto,
livre, contra o vento.
não é que nem
faca no peito
que dói
uma vida inteira
até o sangue
todo se
esgotar.
Minha saudade de você
dói de vez em quando,
não vou negar.
Mas a dor que sinto
é passageira,
é como éter na
cabeça do pinto,
que arde, mas
que logo passa,
se evapora,
à medida
que eu vou
em busca
do que realmente
me vale a pena,
de peito aberto,
livre, contra o vento.
Leveza
No Metrô, em meio
a um mundo de gente,
quase ele cai no
vão, no vão que existe
entre as diferentes
indiferenças que
de longe parecem
todas iguais.
Já dentro do vagão
viu pela janela
um poesia de
Fernando Pessoa,
o único a lhe compreender
ali os seus
inúmeros ais.
Recobrou a esperança,
retomou a carga de
delicadeza e sorriu
à massa humana.
Facilitou a saída
de outro passageiros,
pediu licença
e de repente
pareceu levitar,
em paz.
Suspenso fisicamente pela turba
e em espírito pela poesia,
não tinha mais os pés no chão,
estava em outra esfera,
já não se sentia
sob a terra,
mas à beira de
um tranquilo cais.
a um mundo de gente,
quase ele cai no
vão, no vão que existe
entre as diferentes
indiferenças que
de longe parecem
todas iguais.
Já dentro do vagão
viu pela janela
um poesia de
Fernando Pessoa,
o único a lhe compreender
ali os seus
inúmeros ais.
Recobrou a esperança,
retomou a carga de
delicadeza e sorriu
à massa humana.
Facilitou a saída
de outro passageiros,
pediu licença
e de repente
pareceu levitar,
em paz.
Suspenso fisicamente pela turba
e em espírito pela poesia,
não tinha mais os pés no chão,
estava em outra esfera,
já não se sentia
sob a terra,
mas à beira de
um tranquilo cais.
O guarda-chuva
De repente, aquela chuva que cairia, não caiu, e o guarda-chuva novo permaneceu fechado, triste, à espera de um pé d'água inaugural
que justificasse a sua estreia.
Dias depois, veio um temporal e seu dono o desprezou, tamanha a força da tempestade. Ele de nada serviria naquele momento.
Até que já cansado e sem esperanças foi empunhado com veemência, usado como porrete, sempre fechado, para afastar um cachorro raivoso que desferia
mordidas a torto e a direito.
Terminada a luta, o cão saiu correndo e o guarda-chuva, todo esfacelado, foi
jogado em lixeira da cidade. Não viveu para seu propósito, não conseguiu se abrir para a vida, não sentiu a chuva. E ali, com todas as varetas expostas,
concluiu que seu destino havia sido apenas... mera armação.
.
que justificasse a sua estreia.
Dias depois, veio um temporal e seu dono o desprezou, tamanha a força da tempestade. Ele de nada serviria naquele momento.
Até que já cansado e sem esperanças foi empunhado com veemência, usado como porrete, sempre fechado, para afastar um cachorro raivoso que desferia
mordidas a torto e a direito.
Terminada a luta, o cão saiu correndo e o guarda-chuva, todo esfacelado, foi
jogado em lixeira da cidade. Não viveu para seu propósito, não conseguiu se abrir para a vida, não sentiu a chuva. E ali, com todas as varetas expostas,
concluiu que seu destino havia sido apenas... mera armação.
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