segunda-feira, 1 de abril de 2013

Leveza

No Metrô, em meio
a um mundo de gente,
quase ele cai no
vão, no vão que existe
entre as diferentes
indiferenças que 
de longe parecem 
todas iguais.

Já dentro do vagão
viu pela janela
um poesia de 
Fernando Pessoa,
o único a lhe compreender
ali os seus 
inúmeros ais.

Recobrou a esperança,
retomou a carga de 
delicadeza e sorriu
à massa humana.
Facilitou a saída
de outro passageiros,
pediu licença
e de repente
pareceu levitar,
em paz.

Suspenso fisicamente pela turba
e em espírito pela poesia,
não tinha mais os pés no chão,
estava em outra esfera,
já não se sentia
sob a terra,
mas à beira de 
um tranquilo cais.

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