segunda-feira, 1 de abril de 2013

O guarda-chuva

De repente, aquela chuva que cairia, não caiu, e o guarda-chuva novo permaneceu fechado, triste, à espera de um pé d'água inaugural
que justificasse a sua estreia.

Dias depois, veio um temporal seu dono o desprezou, tamanha a força da tempestade. Ele de nada serviria naquele momento.

Até que já cansado e sem esperanças foi empunhado com veemência, usado como porrete, sempre fechado, para afastar um cachorro raivoso que desferia
mordidas a torto e a direito.

Terminada a luta, o cão saiu correndo e o guarda-chuva, todo esfacelado, foi 
jogado em lixeira da cidade. Não viveu para seu propósito, não conseguiu se abrir para a vida, não sentiu a chuva. E ali, com todas as varetas expostas,
concluiu que seu destino havia sido apenas... mera armação.


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