sábado, 29 de novembro de 2014

Um pouco de ócio

Ele era pé de boi, 
ela, mão de vaca,
prosperam muito,
até que, sem o 
mínimo lazer,
a vida perdeu 
a graça.
Daí, meteram os
pés pelas
mãos, os dois,
e antes que 
cada um buscasse
um novo pasto,
colocaram para
fora o que 
só ruminavam.
Hoje são mais
felizes, trabalham menos,
viajam bastante,
e administram 
uma grana que
dá pro gasto.

Espiã

Após ser abandonada,
disse a uma amiga:
- Eu queria ser uma mosquinha
só pra ver como ele está lá na festa...
E amiga respondeu:
- Eu queria mesmo era ser
um rinocerontão, só
pra avacalhar com tudo.

Domingo

Hoje essa festa 
na laje sai. 
Quer você
(churras)queira
quer não.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Bailarina

A esperança
é uma bailarina 
entediada,
que salta
de repente, 
rumo à
ideia tão
almejada,
mas que às
vezes
roda, roda
e cai por
terra,
esparramada
no nada.

Essa aí passou

Amor é o que fica,
quando, logo depois,
não se chora o 
leite derramado...
pela pica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sobre a vida

Há quem troque sua velha vida
por uma novinha em folha,
só que financiada.

Chuva

A chuva caiu com tudo, 
e machucou 
seu frágil joelhinho.
Aí chorou mais 
ainda e inundou 
toda a cidade,
que se antes
pedia de joelhos
pela chuva,
agora, também
de joelhos,
clama para que
ela pare de 
chorar. 

Trânsito

Aquele encanador que subiu a rua assobiando tornou meu dia mais leve. O motorista do ônibus que ouvia bossa nova em vez das porcarias costumeiras, também. Aquela cobertura de chocolate sobre o sorvete, que quebrei com os dentes, me trouxe alegria. E o sorriso da balconista foi demais. Assim, quando vi aqueles dois motoristas brigando no trânsito por bobagem já estava vacinado contra essa mediocridade. Eles, aos sopapos, só me fizeram lembrar do seriado do Batman, e também me chamaram a atenção para a palavra catiripapo, que parece doer menos do que a palavra soco. Enfim, deixei o pau comendo e segui tranquilo adiante, afinal, meu sorvete estava no fim e tinha de administrar isso, em vez de entrar naquela sintonia dos dois garotos mimados, que no fundo, queriam mesmo era um sorvete de chocolate e, quem sabe, chamar a atenção da linda balconista.

Dominó

A urgência tecnológica
deixou o tempo escasso.
Um dominó que 
pede pedras 
não tolera
o simples "passo".

Autoestima

Se sua autoestima
for baixa
meta um saltão
nela e vá em frente.

No Face

Às vezes, no Facebook,
você se sente forte 
como o Hulk,
mas na maior parte 
do tempo percebe
ser um frustrado
Salieri em meio
a tantos Mozarts.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Santo 'modestinho'

A porta fechada, e a chave sabe-se lá onde a meti. Reviro bolsos, vasculho o chão, e nada da bandida. Superada a crise de desespero, sento-me no meio-fio e começo a matutar. Quem poderia me ajudar nessa empreitada de abrir a porta? Penso em recorrer a vários santos, mas descarto São Longuinho por achar um tanto piegas. Não o santo em si, mas os três pulinhos que teria de dar assim que a chave fosse encontrada. Comecei a fazer uma pesquisa dos santos que conheço e descobri que queria um santo diferente. Não como esses que estão aí nos altares, andores e nos famosos "santinhos", que hoje já podem ser considerados "selfies" dessas santidades.
Queria um santo que não se ocupasse dos grandes feitos, que não tivesse como vocação cuidar das coisas profundas do corpo e da alma, que não ostentasse o slogan de "santo das causas impossíveis", que não fosse colocado de cabeça para baixo até que fizesse o milagre, que não carregasse títulos como "advogado dos injustiçados", "alento dos aflitos", "companheiro dos abandonados", etc, etc.
Queria um santo mais modesto, que não fosse reconhecido nem pelos outros santos ou pelas várias igrejas existentes. Que não tivesse seu dia no calendário religioso, e que descansasse nos finais de semana. Que tivesse tido uma morte natural, diferentemente de quase todos os outros, sempre martirizados até o final. Que nos simpósios lá no céu buscasse seu cantinho numa boa, tranquilo, bem longe do fervilhante palco e das várias demonstrações ambiciosas dos milagres feitos pelos santos de elite no ano anterior mundo afora. 
Esse meu santo não jogaria com a camisa dez. Mas também não usaria aqueles números enjoados que hoje se vê no futebol, do tipo 99, 86, 77 enfim. Esse meu santo de devoção pegaria modestamente a camisa que o treinador celestial lhe jogasse nas mãos, um número 5 ou 6, por exemplo. Jogaria pelo meio campo. Seria um carregador de piano, voluntarioso.
Esse meu santo jamais estaria por detrás de grandes milagres, como um pouso forçado de um avião, sem vítimas, ou o resgate de mineiros soterrados há vários metros de profundidade. Também não arrumaria casamento dos sonhos, não sanaria dívida gigantesca de cartão de crédito, nem seria o responsável por conseguir os primeiros lugares em concursos públicos ou em faculdades federais. Ninguém teria sua imagem na medalhinha nem na carteira, e ele não contaria com nenhuma igreja que o exaltasse. Nem uma oração específica sequer ele teria. Também não adotariam seu nome para batizar crianças, ruas, açougues, mercadinhos e afins.  
Ele seria das causas modestas e entraria em ação quando o sujeito bufasse com raiva, com medo, meio perdido diante de um problema, dobrando-se totalmente ao que de verdadeiramente humano existisse dentro dele. Esse santo tímido ajudaria, por exemplo, um aluno relapso a tirar nota "C" na prova, fugindo de notas piores. Lembraria uma dona da casa de que a hora de desligar o feijão no fogo se aproximava. Salvaria um pobre ratinho das garras de um gato, já bem alimentado com ração de primeira. 
Ele também confortaria aqueles que tivessem acabado de meter a canela no cantinho da cama, consolaria quem houvesse colocado sal em demasia na sopa e aliviaria o leve sofrimento de quem tivesse deixado cair xampu nos olhos na hora do banho. Fortaleceria ainda o ânimo dos que estivessem vivendo uma desconfortável diarreia ou que, com a bexiga muito cheia, procurasse a todo custo o banheiro mais próximo para fazer xixi, sem comprometer as calças. 
Enfim, diante da porta fechada, busco um santo que não tenha superpoderes. Ele nem precisa me achar a chave. Basta apenas que me entretenha por algum tempo, livrando-me do desejo ardente de pedir emprestado ao vizinho um pé-de-cabra, o que aliviaria, apenas momentaneamente, parte das minhas frustrações, colocaria minha ira pra fora, mas que depois me faria não dormir à noite, vigiando a porta toda arrebentada.
Desejo um santo que seja como a gente, que não cure todas as chagas, mas que, com um pouco de boa vontade, alivie as dores cotidianas e quase esquecidas de todos nós, passando sobre elas, não o bálsamo imponente dos céus, mas apenas um pouquinho do bom, eficiente e velho conhecido Hipoglós.



Poesia fotográfica-sexual chula pra caramba

O hímen dela era
um diafragma 
travado na abertura
f22, mas,
depois daquela
noite intensa
de amor,
passou a 
fazer fotos
só no foco 
seletivo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Bê-a-bá

Não passou do
bê-a-bá
porque passou 
a
bê-(a)-bê.

Soltar

Eu era só razão
e nada ia,
até que...
despirOK.

Rompante

Ela tinha o 
sorriso amarelo,
mas amarelo
de camisa
da seleção
brasileira.
Deu bobeira,
entrei beijando
com "bala"
e tudo.

Em palpos de aranha

Misturei aveia
com paixão
que me incendeia.
Banheiro sem papel
virou inseto na
teia.
Então, 
tive de limpar
com a meia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Justiça em mim

Se eu tentar te entender,
me desentendo comigo.
Briga interna
até a exaustão,
que só termina
quando em mim
faço justiça com 
a própria mão.



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vírus

De repente, um vírus atacou seu computador, mandando somente a palavrinha "cu" para todos os seus contatos na rede social. Quando se deu conta do problema, já havia comido uns cinco. 

sábado, 15 de novembro de 2014

Apimentar

Apimentaram tanto 
a relação no sexo oral 
que tiveram de 
escovar os dentes
com Hipoglós
por vários dias.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Elefante

O elefante moderno usa aparelho nas presas de marfim, alargadores nas orelhas e sutis tatuagem de 30cm x 30cm, contudo, ainda morre de medo quando vê um mouse.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pensamentos

Passou um barco ao longe.
Nos remos um homem rústico,
de fala contida,
que levava uma linda dama,
recatada ao extremo,
silenciosa sob sua 
sombrinha de rendas 
brancas. 
E nessa paisagem
preguiçosa de fim de tarde
ninguém imaginava
que o barqueiro calado
não via a hora 
de, simplesmente,
caçoar um amigo
da vila. 
Ninguém imaginava
também que a mulher
recatada tinha o 
fundinho da
calcinha
molhado de 
tanto tesão
despertado
pelo balançar 
do barco,
pelo calor do vento
pelos pensamentos
atrevidos 
que teimavam em 
povoar sua cabeça
desde que subira
naquela embarcação.

Transfor...mar

Você me deixa no cais
a ver navios.
Minhas mordidas
mordem o vazio.
Mas perto do mar
o vento apaga
o pavio,
transforma-se
em afeto o 
que era cio,
e eu, feito
gato, parto
pra outros 
telhados
sem lhe 
arranhar a
e pele,
sem dar
um único 
mio.