Passou um barco ao longe.
Nos remos um homem rústico,
de fala contida,
que levava uma linda dama,
recatada ao extremo,
silenciosa sob sua
sombrinha de rendas
brancas.
E nessa paisagem
preguiçosa de fim de tarde
ninguém imaginava
que o barqueiro calado
não via a hora
de, simplesmente,
caçoar um amigo
da vila.
Ninguém imaginava
também que a mulher
recatada tinha o
fundinho da
calcinha
molhado de
tanto tesão
despertado
pelo balançar
do barco,
pelo calor do vento
e pelos pensamentos
atrevidos
que teimavam em
povoar sua cabeça
desde que subira
naquela embarcação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário