Deixei a saudade entrar
e ela me encheu de porrada.
De repente veio tudo
do que eu pensei
já ser nada.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Subterfúgios
Há quem, subindo pelas paredes,
sempre encontre nisso
uma boa desculpa
para simplesmente
limpar aquela
teia de aranha
que há muito
se instalou no
cantinho do teto.
sempre encontre nisso
uma boa desculpa
para simplesmente
limpar aquela
teia de aranha
que há muito
se instalou no
cantinho do teto.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Depois da eleição no jardim
Alguém inventou de fazer uma eleição para saber qual flor mandaria no jardim. E depois disso uma corrida louca pelo poder tomou conta de todas elas. Terminada a votação, ganhou uma flor, talvez a rosa, a margarida, enfim, o nome da vencedora não importa. Mas só o fato de ter havido essa eleição quebrou a naturalidade das coisas, destruiu a harmonia do jardim e a boa convivência da diversidade que cada uma delas oferecia. Essa flor que hoje está no poder reina, porém, sempre cercada por uma porção de ervas daninhas, que exaurem o solo, e para as quais a delicadeza de uma pétala nada representa, perfume e gotas de orvalho são bobagens e borboletas e pássaros, que quase já não passam mais por ali, são elementos de oposição a serem eliminados onde quer que estejam. Ah, a eleição também corrompeu o jardineiro que, diante de tanto mato, desistiu, se acomodou e até respira aliviado de não ter mais de adubar a terra, de fazer a poda, de fofar a terra. Que pena. Era uma vez um jardim.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Asteriscos
No meu céu
as estrelas
são asteriscos,
que não se
explicam
por si,
mas que me
remetem
a um pé de página
o qual eu ainda
não consegui
encontrar.
as estrelas
são asteriscos,
que não se
explicam
por si,
mas que me
remetem
a um pé de página
o qual eu ainda
não consegui
encontrar.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Sobre o acreditar
Tenho fé,
mas meus
orixás...
...preferem
café.
E até
São Benedito
quer assim.
Nesse sincretismo
religioso
nos sentamos
todos à mesa
eu (cavalo),
santos, anjos,
espíritos protetores,
zombeteiros,
demônios, enfim.
E apesar das
muitas crenças
toda a diferença
vira nada
assim que chega
à mesa uma porção
de rabanadas.
Doçura do céu
feita por algum
querubim,
que de tão amável
faz vistas grossas
àquele egoísta que,
sem dó, violenta
a nossa língua,
quase ordenando:
"sorte, vem ni mim".
.
mas meus
orixás...
...preferem
café.
E até
São Benedito
quer assim.
Nesse sincretismo
religioso
nos sentamos
todos à mesa
eu (cavalo),
santos, anjos,
espíritos protetores,
zombeteiros,
demônios, enfim.
E apesar das
muitas crenças
toda a diferença
vira nada
assim que chega
à mesa uma porção
de rabanadas.
Doçura do céu
feita por algum
querubim,
que de tão amável
faz vistas grossas
àquele egoísta que,
sem dó, violenta
a nossa língua,
quase ordenando:
"sorte, vem ni mim".
.
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