quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O fio do bigode


Rodolfo vivia naquele tempo em que um simples fio de barba ou de bigode já era suficiente para que um homem provasse sua honestidade. Porém, ele havia nascido com poucos hormônios masculinos e, portanto, sem um único fio de barba no rosto. 

Passou a vida toda tentando provar que era honesto, que honraria seus empréstimos e que sua palavra valia mais do que um ordinário fio de bigode. Mesmo assim, todos foram indiferentes aos seus apelos e ele, angustiado e sem dinheiro, deixou a cidade, para sempre, com um circo que passou por ali.

Depois disso, casou-se com a mulher barbada, e vez ou outra reclama dos beijos calorosos que ela lhe dá, os quais irritam sua pele tão sensível e machucam seu caráter tão correto.

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