quinta-feira, 16 de agosto de 2012

De reis e peões


O rei enfim tinha sido encurralado. Estava branco, pasmo. A rainha, já do lado de fora do tabuleiro, chorava desesperada. Os bispos, ainda dentro do jogo, não conseguiam nenhuma indulgência. Os dois cavalos, um do lado de fora e o outro do lado de dentro, relinchavam, também sem nada conseguir fazer para salvar a alteza. 

Apesar do desconforto quase geral, um observador mais atento verificaria que nem todas as peças do exército vencido estavam tristes. Ali, bem no cantinho do tabuleiro, dois peões remanescentes riam do desconforto da alta cúpula. Riam sem qualquer pudor. Riam a valer, sem medo de serem presos, pois, de um jeito ou de outro, já estavam mesmo no xadrez.

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