O rei enfim tinha sido encurralado. Estava
branco, pasmo. A rainha, já do lado de fora do tabuleiro, chorava
desesperada. Os bispos, ainda dentro do jogo, não conseguiam nenhuma
indulgência. Os dois cavalos, um do lado de fora e o outro do lado
de dentro, relinchavam, também sem nada conseguir fazer para salvar
a alteza.
Apesar do desconforto quase geral, um observador mais atento verificaria que nem todas as peças do exército vencido estavam tristes. Ali, bem no cantinho do tabuleiro, dois peões remanescentes riam do desconforto da alta cúpula. Riam sem qualquer pudor. Riam a valer, sem medo de serem presos, pois, de um jeito ou de outro, já estavam mesmo no xadrez.
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