quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O míope e a distraída


José era apaixonado por Luíza. Nunca haviam se falado, embora trabalhassem na mesma empresa. Ele era míope. Ela, distraída. Se desejavam a distância. Os sonhos de ambos eram repletos de planos e encontros ousados, porém, não tinham coragem de se declarar um ao outro. Ele ia de carro para o trabalho e pensava em dar carona para ela, um dia, quem sabe ? 

Ela ia para o serviço de ônibus e sonhava, da mesma forma, pegar uma carona com ele. Então, certo dia, final de expediente de um dia muito frio na cidade serrana onde trabalhavam, com névoa intensa, ela, que era distraída, ao atravessar a avenida com a cabeça nas nuvens, literalmente, em direção ao ponto de ônibus, foi atropelada por José, que era míope, como já disse anteriormente, e nem viu o belo corpo de Luíza cruzando a sua frente.

Ele a socorreu, como não poderia ser diferente. Ela estava inconsciente e ele, muito nervoso. Luíza ficou afastada do trabalho por quatro meses. Tempo suficiente para José ser demitido, em um dos vários facões da companhia, e ela se apaixonar pelo solícito enfermeiro Zacarias. Coisas da vida, sempre bem ou mal resolvida. Completa ou por se completar, cheia de sorte, surpresas e azar...

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