sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Os extraterrestres

Joca estava dirigindo seu caminhão numa noite escura pelos sertões do Brasil, mais precisamente na estrada Belém-Brasília. De repente, viu à sua frente, parado no meio da pista, um enorme disco voador. Meteu o pé no freio, o caminhão rabeou, jogou para um lado, para o outro e por fim, acabou colidindo contra aquela "coisa" prateada.
Depois do toque um tanto forte, saíram da espaçonave cinco homenzinhos verdes munidos de armas de raio laser dizendo: “Vamos abduzi-lo. Ele será nosso refém”. As palavras iam diretamente para o cérebro de Joca que entendia perfeitamente os sinais emitidos pelos extraterrestres, num ótimo intercâmbio interplanetário. 
O caminhoneiro surpreendeu-se com a petulância dos Et’s que nem sequer pensaram em ressarcir o pequeno amassado no para-choque do seu caminhão. “Vê lá se o meio da pista é lugar para disco voador estacionar, ainda mais numa noite escura como essa...”, pensava consigo o rústico caminhoneiro.
Os homenzinhos piscavam luzes, o disco voador piscava também, mas Joca não queria nem saber. Depois de alguns minutos de impasse, ele, que desconhecia o sentido do verbo abduzir, saiu do caminhão, desceu o braço nos homenzinhos verdes, botou-os pra correr e seguiu enfezado o seu caminho. Joca não queria saber de Et's. Ele queria mesmo era saber quem iria endireitar seu para-choque. 
Alguns quilômetros à frente, ainda indignado com a batida, Joca parou num posto de gasolina para verificar o amassado com mais atenção. Porém, ele caiu na besteira de contar a estranha história aos frentistas do posto que começam a rir de sua cara. Eles achavam que Joca estava maluco.

O caminhoneiro não fez cerimônia, e a exemplo da surra que dera nos homenzinhos verdes alguns quilômetros atrás, distribuiu sopapos nos dois frentistas franzinos e seguiu estrada afora com uma raiva dos diabos, os olhos piscando de sono e o caminhão avariado. E nem passava pela cabeça do Joca que, em algum lugar dessa galáxia, Etzinhos eram atendidos na enfermaria de um disco voador, ainda assustados com o “poder avassalador” da espécie humana.

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