O que será o amor?
Será aquele mal-estar
por dentro causado pelo feijão?
Será aquela coisa ácida
gerada pela cebola,
mesmo horas depois
de tê-la comido?
Será desgrudar bala
Toffee dos dentes?
Ou será descolar
biscoito de polvilho
do céu da boca?
Não sei. Sinto apenas
que pelo teor
de minhas questões
ainda não me deparei
com o amor pleno
que, segundo amantes
peritos no assunto,
ele nos alimenta
sem nos constranger,
não perde o sabor
e sempre oferece
algo novo
a ser descoberto.
Dizem eles que
o amor é algo
que entra por todas
as frestas do corpo,
que também sai
por elas e
que lembra receita
de bolinho de chuva
deixada pela avó.
Aquela receita que quando precisamos
dela sabemos exatamente
onde encontrá-la:
no velho caderninho
surrado, de capa verde.
Receita que sabemos
onde está, que nos mostra
como fazer, mas que precisa
sempre de nosso empenho
para se realizar, uma vez
mais, a fim de que as tardes
chuvosas sejam realmente
inesquecíveis.
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