segunda-feira, 28 de abril de 2014

Amor "plastônico"

Um sujeito solitário comprou uma boneca inflável numa das lojas da cidade. Ela se apaixonou por ele à primeira vista. Começaram uma relação intensa, centrada apenas no sexo, sem uma única troca de palavras. Tudo ia bem assim, até que ele se apaixonou por uma moça do escritório, uma boneca, essa de carne, ossos e boa conversa.

Aos poucos, ele foi deixando a boneca inflável de lado, até esquecê-la de vez. Certo dia, assim que ele chegou de mais um jantar animado com a moça do escritório, a boneca inflável não aguentou tamanho desprezo e estourou com ele, estourou também com si própria, e, após o "bum" final, pedaços de plástico voaram pela sala toda. Um deles caiu próximo a um joão-bobo que havia na casa, o qual alimentava um amor platônico pela boneca inflável, que acabara de morrer.

Diante da tragédia, o joão-bobo sentiu-se mais bobo ainda, se perguntando por que não se declarara para ela. Agora era tarde. Hoje, o ex-sujeito solitário vive um animado romance com a boneca linda do escritório e tudo indica que ele se esqueceu da tal boneca inflável. Já o joão-bobo frequentemente fica mais cheio que de costume, quando sua pressão sobe só de pensar na boneca inflável que ele tanto amou.

Vez ou outra, ele é flagrado mexendo a cabeça para baixo e para cima, de um lado para o outro, sem sair do lugar, lastimando sua falta de atitude. Já o casal de namorados atribui esse triste movimento do joão-bobo à corrente de ar que toda tarde invade o corredor da casa.

Contudo, aqui vai um segredo: esse vento inesperado gela a espinha do sujeito, que no fundo sente-se culpado. Ele encara essa rajada fria e cortante como o último suspiro da boneca chamando seu nome...

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