Hoje, nesta quarta-feira fria e chuvosa, queria ser um rapaz de escritório que vai se encontrar com a namorada no shopping ao final do expediente. E que ela chegasse maquiada, e que minha gravata estivesse ligeiramente em desalinho. E que nossos cabelos estivessem levemente desarrumados, e que lá no fundo exalássemos um ligeiro cheiro de suor consolidando mais um dia de trabalho.
E que nos sentássemos à mesa da praça de alimentação, um do ladinho do outro, contando banalidades do dia corporativo para que o outro as ouvisse com a atenção de quem escuta o anúncio de uma descoberta digna de Nobel.
E que depois, saíssemos dali abraçados para que todos pensassem que seguiríamos para um motel, embora, na realidade, cada um caminhasse para sua própria casa para comer sozinho um pedaço de pizza requentada assistindo ao Jornal da Globo.
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