Ele gostava de pichar muros, mas como tinha alguns valores morais, sempre sentia uma culpa dos diabos logo após seu ato transgressor. Então, teve uma ideia: só picharia as portas de correr de estabelecimentos comerciais. Passou a agir assim, e nunca mais se sentiu culpado.
Agora, durante o dia, enquanto seus rabiscos de tinta adormecem enrolados em folhas de aço, ele caminha prazerosamente sob a luz do sol, ciente de que seu "trabalho artístico" está ali, incógnito como ele. Entende que suas pichações são tesouros escondidos.
E à noite, quando não sai para pichar, passeia solitário pela cidade apenas para apreciar a sua "arte", uma "arte" que se destina a poucos, aos notívagos, aos bêbados, aos amantes, aos poetas e aos gatos famintos.
É bom lembrar, que quando ele está pichando, muitas vezes, acaba se apaixonando perdidamente por seus traços, sempre "tão perfeitos" e carrregados de profundas mensagens codificadas.
É nessa hora que a vaidade o convida sedutoramente a sair do anonimato, a se revelar como o "grande artista" que é, mesmo com o risco de ser preso pela polícia e de tomar uns cacetes dos comerciantes.
Mas quando isso acontece, é a própria lata de tinta spray que o traz de volta à realidade e ao anonimato, ordenando simplesmente que ele se cale, dizendo assim: xiiiiiiiu!!!
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