sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um rio só nosso

Conforme vai passando o tempo, 
se aquele garoto não se banhou 
no rio quando devia, quando queria,
surge uma lacuna. 

Esse sujeito caminha 
para a velhice, mas ainda quer
ser menino. Quer voltar àquele rio,
mergulhar, nadar, brincar. 

Aos poucos, a pequena fresta
vira uma vala, um abismo,
e fica cada vez mais profunda,
requerendo coragem redobrada
a cada apagar de velas.

Velas sobre o bolo que
se apagam com um sopro,
mas que não apagam
a chama interior das
coisas mal resolvidas.

E enquanto o rio da imaginação
não seca, há ainda no menino-velho, 
no velho-menino, aquele desejo
vivo, uma chama que não morrerá
e que só se apagará de fato,
nas águas calmas e doces
desse rio.

Feito isso, 
vencidos os medos,
subirá da água 
aos céus uma fumaça,
um espírito liberto,
e ficará na terra um
sujeito renovado,
feliz, 
mais esperto. 

Aquele que
driblará com agilidade
de criança quando
o perigo 
da morte do 
velho homem 
andar por perto.



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