Conforme vai passando o tempo,
se aquele garoto não se banhou
no rio quando devia, quando queria,
surge uma lacuna.
Esse sujeito caminha
para a velhice, mas ainda quer
ser menino. Quer voltar àquele rio,
mergulhar, nadar, brincar.
Aos poucos, a pequena fresta
vira uma vala, um abismo,
e fica cada vez mais profunda,
requerendo coragem redobrada
a cada apagar de velas.
Velas sobre o bolo que
se apagam com um sopro,
mas que não apagam
a chama interior das
coisas mal resolvidas.
E enquanto o rio da imaginação
não seca, há ainda no menino-velho,
no velho-menino, aquele desejo
vivo, uma chama que não morrerá
e que só se apagará de fato,
nas águas calmas e doces
desse rio.
Feito isso,
vencidos os medos,
subirá da água
aos céus uma fumaça,
um espírito liberto,
e ficará na terra um
sujeito renovado,
feliz,
mais esperto.
Aquele que
driblará com agilidade
de criança quando
o perigo
da morte do
velho homem
andar por perto.
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