O trem é um grande intestino,
grosso ou delgado,
dependendo do horário,
onde há calor humano,
mas falta
afeto e afago.
O trem é um grande intestino,
que se nutre de nossas
necessidades e sonhos
num entra e sai de
se encher e esvaziar,
ficando para o final,
o ato sistemático
de evacuar.
Daí nossa cara de bosta
ali dentro
movimento nervoso
de nossa quase obrigatória
missão de
ir e chegar,
saindo do aconchego de nossas
casas, que é nossa vida privada,
para a privada social onde
somos despejados
e permanecemos
até o dia chegar ao seu final.
Engolida a labuta,
vamos nós para nova
digestão, novamente
com cara de bosta,
agora cansada,
se espremendo no
vagão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário