Andar por Sampa
é muito legal.
Mulher boceja na rua
à espera do farol abrir.
Homem peida no
solavanco do vagão.
O discurso do flanelinha
é envolvente.
E o jovem casal,
ele de boné,
ela de tênis vermelho,
jura amor eterno
enquanto o ônibus
não vem.
O garoto corre
atrás dos pombos
na Praça da Sé,
e um estudante
de fotografia retrata
o centro velho,
seguindo os passos
de Cristiano Mascaro.
Os violeiros tocam
as cordas de aço
da viola e a voz
dos três - da dupla
sertaneja e do homem
da cobra - se mistura
ao barulho da moto
de mais um cachorro-louco,
que corta a cidade como se
levasse um coração
para ser transplantado.
O frenesi volta ao
normal, cadenciado
pelo ritmo do ciclista
que faz entregas.
E sempre se tem a
impressão de que o
charmoso furgão
verde do Toalheiro
Brasil vai passar no
Largo do Arouche.
Enquanto isso,
um homem de paletó
e com azia se esquece
da acidez e toma
um delicioso café nas
proximidades da
rua Boa Vista.
E eu agradeço aos
céus por poder transitar
por essa cidade enquanto
limpo o cocô de cachorro
da sola de meu sapato
bem pertinho do Viaduto
do Chá.
Faço isso já pensando na
São Silvestre, quando
a cidade para para
correr, e corre
de si mesma
ou em busca
de si mesma.
Um encontro
que se efetiva
rapidamente
todos os dias,
no encontrão
entre aqueles
que querem
entrar e aqueles
que querem
sair, assim que
os vagões do
metrô abrem
suas portas.
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