Era uma vez um garoto que entrou no ônibus e disse:
- Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas eu estou aqui, pedindo uma ajuda.
Aí, um sujeito catedrático, daqueles chatos que esbanjam cultura corrigiu o pobre garoto:
- Você poderia falar de uma forma mais culta, utilizando-se do futuro do pretérito. Você deveria dizer assim: "eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui lhes pedindo algum dinheiro". Veja que estamos falando no condicional. Nós, passageiros, poderemos ou não lhe dar alguma ajuda.
Então, o moleque, que não era bobo, nem nada, fechou a cara e disse, num futuro do presente que foi entendido por todos:
- Eu poderei roubar, eu poderei matar se vocês não me passarem a grana.
O garoto falou isso enquanto sacava uma arma. Cerca de dois minutos depois, desceu no ponto seguinte e sumiu no mundo, cheio de carteiras, celulares e até um laptop.
Antes de deixar o ônibus, contudo, ainda gritou em bom português:
- Perdeu, busão!
E o catedrático, lá de dentro, sem se dar por vencido, corrigiu o garoto:
- Perderam, passageiros do ônibus! Vai estudar moleque!
E o pessoal daquele coletivo, já de saco cheio e sem seus pertences, mandou o tal catedrático pros quintos dos infernos, em todos os tempos verbais.
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