Lavo a louça ouvindo
radinho AM e
sei que os cronistas
esportivos nunca
chegarão a um
consenso,
como sei
que a louça sobre
a pia nunca
deixará de
existir.
Uma paz
me arrebata,
não há
malas para
extraviar,
não há a
curiosidade
de provar
o caviar.
Eu quero apenas
continuar lavando
a louça, ouvindo
radinho AM e
sentindo
aquele perfume
de dama-da-noite
que entra pelo
vitrô da cozinha,
vindo do jardim.
E assim vou
eu, sem feitos
heroicos,
sem rompantes
meteóricos,
pensando no
chá de hortelã
que farei logo
em seguida,
para brindar
no espelho
contando as
listras de
meu pijama
de flanela.
E viva o cotidiano,
cujo ato mais
leviano é
repetir à
exaustão
coisas mínimas
que seriam
melhores
sorvidas
se houvesse
por elas
mais atenção.
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