terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vidinha besta

A gente vive correndo na esperança de que nos sobre, lá na frente, um tempo para fazermos aquele mundo de coisas triviais que vão ficando pelo caminho. Em nosso frágil raciocínio, no futuro, nos sobrará tempo para olharmos com atenção o rosto de nossos filhos, para ouvirmos com calma as histórias de nossos companheiros/companheiras, para almoçarmos com nossos pais, para tomarmos um café com amigos, para regarmos o jardim, para brincarmos com nossos cachorros, enfim. 

Ocorre que não teremos esse tempo. Isso é fato. Além do que, se ele sobrasse, viria com juros amargos, uma tributação por nossa displicência diante da vida pulsante de todo o dia, sempre deixada de lado. 

Temos de trabalhar como loucos, ganhar dinheiro, vencer na vida. Mas isso não se dá de maneira tranquila, equilibrada. Há a ilusão do consumo, o embasbacamento tecnológico, que faz com que uma tela de computador ou de celular seja mais importante que um abraço, um afago na terra, uma gargalhada escancarada. O engraçado é que quando se é criança tudo é mais fácil, mágico, e precisamos de pouco para ficarmos alegres, em paz. 

Mas, nessa rotina doida, um dia a gente para num hospital e aí, o pingo do soro passa a ditar o ritmo calmo do período. A comida insossa fica maravilhosa e um fio de água que se escorre do algodão pelo canto da boca, nos faz mergulhar em um oásis.  

Bom, vamos repensar a vida atual, de maneira que quando a morte chegue, que ela nos pegue tão entretidos, felizes, fazendo coisas legais ao lado das pessoas que amamos que ela repense a decisão e adie nossa viagem ou então, que leve em nosso lugar, o primeiro executivo estressado que passe por ali. 




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