Ontem na rua, pai e filho puxavam um carrinho cheio de papelão e latinhas de alumínio. Em uma das paradas,
o pai começou a ensinar o garoto a assobiar. Ele disse ao filho, em tom
professoral: O que eu lhe ensino agora ficará contigo até quando você tiver
forças. Nos momentos de alegria, o assobio vai encher de vida o ambiente, e
quando vierem os tempos difíceis, eu lhe aconselho que assobie em suas
caminhadas solitárias.
Ajuste a altura e o repertório a partir de seus sentimentos. Sei
que você vai sentir medo e o assobio lhe será companhia, mesmo que ele tenha de
dialogar com o forte vento que também assobiará tenebroso lá fora.
E pra se lembrar dos que se foram, tenta voltar no tempo, assobiando
as canções de que eles gostavam. Porém, quando lhe faltar energia e o assobio não conseguir sair mais, de jeito nenhum, sinta-se sublime
feito passarinho, pois é bem provável que já esteja se aproximando a sua hora de voar.
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