Neste trânsito moroso de São Paulo, tenho por hábito verificar as placas dos caminhões, mas aquelas de cidades distantes da capital, e que, no meu imaginário, são sempre locais aprazíveis. Eu começo a imaginar, por exemplo, aquele caminhoneiro de Belmiro Braga, em Minas Gerais - cidade com pouco mais de 3 mil habitantes -, que, na minha história, seguirá para casa, levando salames que comprou lá no sul, onde descarregou a carga. Deixará para comprar o pão bem mais perto, e, como na minha imaginação ele chegará no meio de uma tarde de sol, posso imaginá-lo na mesa da cozinha, tomando café acompanhado por seus dois garotos e a mulher, em uma conversa bastante animada e terna.
Na minha história há ainda um cachorro cor de café com leite sentado no pé da mesa, ouvindo a conversa. Todos estão alegres porque o próximo frete será só daqui a quatro dias, e, na minha história, sempre o dia seguinte será sábado, quando os quatro irão à tarde dar um passeio em torno da praça, para que as conversas sejam colocadas em dia com vizinhos e amigos, e para que todos desfrutem da alegria de comer pipocas, feitas com carinho pelo pipoqueiro da praça, enquanto a noite vai caindo aos poucos trazendo muita paz. É assim que minha história termina. Não quero ir além para que ela não se estrague, e torço para que dure até o próximo semáforo.
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