Era
uma vez, um cozinha do interior, em que o sol da tarde entrava pela
janela. Lá havia uma senhora dócil e de olhos castanhos vivos, que,
enquanto cantava, cozinhava no fogão de lenha uma chaleira enorme de
chá de manjericão e, logo ao lado, fritava a cebola para fazer o
arroz do jantar. Um pouquinho mais ao fundo, um mundo de broinhas de
milho chegavam ao ponto e, pertinho delas, o bule de café deixava
escapar um cheiro delicioso. Ah, que pena não ter naquela hora um
gravador de aromas. Mas que sorte ter vivido tudo isso. Depois desse
momento mágico, uma intensidade de amor tão grande ficou em mim que
qualquer insulto da vida moderna que tente me entristecer, modéstia
à parte, não dá nem pro cheiro.
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