terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre o destino e a fraqueza humana

De repente, numas das ruas do centro velho de São Paulo ela vinha toda de branco, toda molhada e despenteada. Só que ele comia um churrasco grego. Ela passou direto e ele nem a percebeu. Degustou seu lanche até o final, e ela seguiu seu caminho. Entrou no ônibus e foi para casa tomar um banho quente. Estava marcado pelo destino que os dois deveriam se encontrar naquele dia, no meio da rua, do mundo, no meio da chuva, e que ficariam apaixonados a girar.

Sim, apaixonados a girar, não fosse o churrasco grego e a compenetração que sua degustação sempre requer. Mais tarde, ela e ele, cada um ajoelhado ao lado de sua respectiva cama, pediam a Deus, antes de dormir, que Ele lhes mandasse uma pessoa especial.

Então, ela ouviu sussurrar dentro de sua alma que deveria insistir em sair de branco debaixo de chuva pela cidade, com seu quase irresistível charme, pois ela era um ser apaixonante e muito especial.

Quanto a ele, ecoou uma voz do além no âmago de seu ser, que o repreendeu dizendo que alguém que come churrasco grego com tamanha devoção, a ponto de não perceber a linda mulher de sua vida passar diante de seus olhos, este nada tem de especial, pois é só mais um a se comportar de maneira óbvia e instintiva.

Naquele dia, o destino não cumpriu o seu papel e deve ter se chateado, ele que sempre usou do desejo ardente para aproximar as pessoas, naquela tarde de chuva se frustrou e descobriu, meio por acaso, que se a carne é fraca, a do churrasco grego é muito macia, deliciosa e, como vimos, esta sim, simplesmente irresistível.

FIM

Nenhum comentário:

Postar um comentário