quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Para pensar, enquanto o sinal não abre.

O motoboy segue aflito por entre os carros, como se nessa aflição levasse em seu bagageiro um coração prestes a ser transplantado. E o mais dramático nessa história é que esse coração muitas vezes passa a ser o dele próprio, após um acidente grave, quando então, a encomenda que ele carrega perde, repentinamente, toda a sua urgência, transferida agora para esse coração, que há pouco batia em seu peito, mas que tentará viver dentro de outro sujeito, pois seu condutor, nessa viagem rápida, essencial e derradeira, não seguirá com ele.

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