domingo, 17 de fevereiro de 2013
O longo beijo
Eles se beijavam intensamente sentados nos bancos da estação do metrô. Passou um metrô e o beijo não foi interrompido. Vieram mais dez, e o beijo continuou. Passaram mais 50 metrôs e as bocas permaneciam coladas. Por fim, não entraram em nenhum vagão e saíram da estação de mãos dadas, com as bocas assadas, com as roupas de baixo molhadas e alegremente perderam-se de vista, na noite quente de São Paulo. Eles escolheram os bancos do metrô para se beijar só para experimentar o sentimento de ausência em meio à multidão, e para viverem toda a calma necessária que um beijo requer em um ambiente extremamente agitado, mecânico, rápido. O casal apaixonado não entrou no metrô porque aquela sensação boa ficaria para sempre, superando a insignificância imposta pela multidão e o utilitarismo das relações. O casal apaixonado não entrou no metrô porque aquele longo beijo jamais seria "passageiro".
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